2009/04/07

Cabral



O governador Sérgio Cabral deu uma amostra ontem à tarde, em Campos, de como deverá agir durante todo o processo rumo à disputa pela reeleição. Durante a inauguração de dois Centros Vocacionais Tecnológicos, reuniu no palanque o deputado federal Arnaldo Viana (PDT-RJ), a prefeitura Rosinha Garotinho (PMDB), deputados estaduais, prefeitos da região e inúmeros integrantes dos governos estadual e municipal. Depois de anunciar verbas para o município e a reforma completa da escola estadual João Barcelos Martins, não driblou os alunos que, em coro,
pediam para que ele visitasse as instalações da unidade escolar, na parte posterior dos CVTs. Desceu do palanque e percorreu todas as dependências, checando as necessidades de reformas. Saiu aplaudido.

Um comentário:

Professora Hilda Helena disse...

O Maycon Bezerra deu uma palavra muito boa sobre o feitichismo da tecnologia que vale apena conferir e que foi publicada na Folha da Manhã;
"O presente ano letivo na rede estadual de educação se iniciou sob o signo do fetichismo da tecnologia. Ao lado do PDE, o chamado PAC da educação, imposto pelo governo federal, que promete quantia em dinheiro às escolas e professores em contra-partida ao desenvolvimento de “projetos educativos”, o governo estadual faz da glorificação da tecnologia o centro de sua política educacional.

A instalação de microfones e alto-falantes nas salas de aula, assim como de um vasto sistema de informática que promete controlar a freqüência dos professores e alunos nas salas de aula (o chamado ponto eletrônico-digital), as notas e avaliações aplicadas aos estudantes, bem como a quantidade de alimentos consumidos por estes nas merendas formam um mirabolante e multimilionário projeto educacional que se complementa com a noção de “otimização” da rotina escolar.

O governo de Sérgio Cabral vale-se do tremendo peso social do fetichismo da tecnologia para tentar convencer a sociedade da razoabilidade do absurdo. A idéia de que a presente crise educacional, na qual se encontra mergulhado o estado do Rio de Janeiro, deve sua causa a um suposto atraso tecnológico é tão fácil, como falsa e interessada. É fácil porque se atrela a um senso comum cada vez mais bombardeado pelas noções que atribuem às inovações tecnológicas uma verdadeira onipotência.

É uma idéia falsa porque, na verdade, o centro da crise educacional se encontra na precarização do trabalho docente e no sucateamento das condições de ensino-aprendizagem. Enquanto o governo prepara-se para destinar muitos milhões de reais para a compra dos equipamentos a serem instalados em todas as salas de aula da rede estadual, os profissionais do ensino recebem um dos mais baixos salários do país, e os funcionários técnico-administrativos recebem um piso salarial bem abaixo do salário mínimo. Enquanto se pretende controlar digitalmente, com um computador em cada sala de aula, a freqüência dos alunos, grande parte das escolas se encontra em um estado físico calamitoso e as salas de aula se encontram cada vez mais inchadas, em grande parte dos casos ultrapassando o número de 50 alunos.

A Unesco (organismo das Nações Unidas para educação e cultura) afirma expressamente que uma sala de aula não pode contar com mais de 25 alunos para que o processo de ensino-aprendizagem aconteça de modo adequado, por outro lado, o governo Cabral obstaculiza a formação de turmas com menos de 35 alunos, de modo a não revelar a monstruosa carência de professores na rede, em função dos vergonhosos salários. Professores mal pagos tornam-se incapazes de promover sua formação continuada e precisam trabalhar em cinco, seis ou mais escolas para garantir uma renda aceitável, precarizando e superficializando, obviamente, sua relação educativa com os alunos.

Podemos dizer ainda que a idéia do fetichismo tecnológico transformada por Cabral em política educacional é uma idéia interessada porque as transferências de recursos públicos para o setor privado serão gigantescas. É importante que a sociedade e os poderes democráticos constituídos mantenham-se vigilantes em relação aos volumosos fluxos de dinheiro público que prometem verter em breve. "

Concordo com ele e não poderia deixar d comentar....
um abraço!!!