O Ministério da Saúde investiga as mortes de 19 crianças com suspeitas de microcefalia desde o início do ano até o dia 5 de dezembro em oitos estados do país e se esses possíveis casos de malformação têm relação com o zika vírus. Em uma semana, o número de casos suspeitos de microcefalia passou de 1.248 para 1.761, um aumento de 41%.
A microcefalia é uma condição rara em que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal. A microcefalia é diagnosticada quando o perímetro da cabeça é igual ou menor do que 32 cm – o esperado é que bebês nascidos após nove meses de gestação tenham pelo menos 34 cm.
Os casos de morte sob investigação são no Rio Grande do Norte (7), Sergipe (4), Rio de Janeiro (2), Bahia (2), Maranhão (1), Ceará (1), Paraíba (1) e Piauí (1).
Segundo o levantamento apresentado pela pasta, Pernambuco ainda é a unidade da federação que apresenta o maior número de casos (804) suspeitos da malformação. Em seguida, estão os estados de Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal (1).
Para o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, ainda pode demorar sair o resultado de uma vacina contra o zika vírus. “O tempo de desenvolvimento de vacina é um tempo longo porque os estudos clínicos são demorados. É algo em torno de dez anos, supondo que as coisas deem certo”, afirmou.
O número de casos de microcefalia notificados por ano no Brasil vinha se mantendo estável nos últimos cinco anos, e em uma quantidade bem menor do que os casos suspeitos registrados neste ano. Em 2010 foram 153 casos registrados de malformação no país; em 2011, 139; em 2012, 175; no ano seguinte, 167; e em 2014, 147.
Novo critério
Na última sexta-feira (4), o Ministério da Saúde informou que iria mudar os critérios que classificam uma criança como tendo microcefalia. A mudança passou a valer em todo o país nesta segunda-feira (7), quando foi fechado o texto de um novo protocolo a ser adotado por cada governo local.
Até então, a pasta considerava que bebês com circunferência da cabeça igual ou menor a 33 cm tinham a malformação. O novo parâmetro passa a apontar microcefalia em crianças com cabeça medindo 32 cm ou menos de circunferência.
Na prática, menos bebês vão ser considerados como suspeitos de apresentar a malformação. O diretor do ministério Cláudio Maierovitch afirmou que não há estimativa de quantos casos notificados deixam de ser considerados com suspeita de microcefalia com base nas novas medidas. “É uma proporção razoável.”
Para a inflação, expectativa é de mais avanço, fechando o ano em 10,44%. Previsão para juros subiu em 2016 e estimativa para investimento caiu.
A previsão dos economistas do mercado financeiro é que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2015 em 10,44% e o Produto Interno Bruto (PIB) registre queda de 3,5%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando houve retração de 4,35%.
PREVISÃO PARA PIB DE 2015
em %
Fonte: BC
Os valores estão acima das estimativas divulgadas na semana anterior pelo boletim Focus, do Banco Central. No último boletim, o mercado previa que o IPCA chegaria a 10,38% no final deste ano e que o PIB recuaria 3,19%.
Para 2016, a expectativa subiu para a inflação oficial, para 6,7%, e para a queda do PIB, -2,31%.
IPCA
Essa foi a décima primeira alta seguida no indicador de inflação. O BC informou, no fim de setembro, que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015.
Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Recentemente, o BC admitiu que não conseguirá trazer o IPCA para a meta central de 4,5% no próximo ano. Segundo a autoridade monetária, isso será possível somente em 2017.
ESTIMATIVA PARA INFLAÇÃO
em %, em 12 meses
Fonte: BC
PIB
Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registrará dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem início em 1948.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. No mês passado, a "prévia" do PIB do BC indicou uma contração de 3,38% até setembro.
Na semana passada, o IBGE informou que a economia brasileira registrou retração de 1,7% no segundo trimestre de 2015 em relação aos três meses anteriores, e o país segue em recessão. No segundo trimestre, o PIB teve baixa de 2,1% (dado revisado).
Taxa de juros
Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% em novembro, o maior patamar em nove anos, o mercado subiu a estimativa da Selic em 2016 de 14,13% para 14,25% ao ano.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.
Câmbio, balança e investimentos
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 ficou mantida em R$ 3,95 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 4,20.
A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 ficou igual ao da última projeção: US$ 15 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit recuou de US$ 31,68 bilhões para US$ 31,44 bilhões.
Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil caiu de US$ 62,8 bilhões para 62,60. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte caiu de US$ 58 bilhões para US$ 57 bilhões.
Autores explicam três argumentos do pedido de impeachment de Dilma
Miguel Reale Júnior, jurista, professor e ex-ministro da Justiça, e Janaina Paschoal, advogada, doutora em direito penal e livre docente da USP, são dois dos três autores que assinam o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff acatado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha nesta quarta. O outro é o ex-petista Hélio Bicudo, jurista e ex-deputado e ministro.
Em entrevista exclusiva à Jovem Pan na manhã desta quinta (02), Reale e Janaina explicaram os principais fatos apontados contra Dilma no documento de 65 páginas.
Os juristas também fizeram questão de desvincular o pedido de impedimento à pessoa de Eduardo Cunha, que é investigado na Lava Jato e responde no Conselho de Ética da Câmara.
Confira abaixo os três argumentos jurídicos expostos por Janaina e Reale durante as entrevistas.
1º - IMPROBIDADE em relação à Petrobras
Este é o fator "mais forte" contra Dilma, na opinião de Janaina. Ela resume o tópico: "é o comportamento da presidente em relação a tudo o que aconteceu na Petrobras". Dilma, em sua visão, teria dado "carta branca" a diretores e pessoas nomeadas na empresa que participaram da operação dos desvios expostos na Operação Lava Jato.
Reale Jr, por sua vez, cita rascunho preliminar de delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveó, divulgado no último dia 25 de novembro, em que ele disse que Dilma "sabia de tudo sobre Pasadena" (refinaria nos EUA comprada por um preço superior) e que o "cobrava diretamente" sobre isso. "Cada vez mais se demonstra que o Planalto tinha conhecimento pleno do que aconteecia na Petrobras", afirma o jurista.
Deste modo, Reale entende que a presidente não atentou à lei da responsabilidade fiscal, podendo ser enquadrada por improbidade administrativa. "Está tudo tipificado", defende.
Exemplo
Reale cita ainda um exemplo que demonstraria uma irresponsabilidade do Planalto em relação à Petrobras. Em 2007 o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a paralisação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das obras da estatal cuja construção foi feita à base de propina, conforme demonstram as investigações da Lava Jato. Na ocasião, o Congresso não aceitou.
Em 2009, novamente foi pedida a paralisação, desta feita aceita pelo Legislativo. Porém, o então presidente Lula vetou tal disposição na lei orçamentária, e determinou que houvesse apenas a apuração de eventuais irregularidades, relembra Reale.
Após três anos de investigação, em 2012, já no primeiro governo Dilma, não foram encontradas irregularidades. "Imagina uma comissão que vai apurar e não encontra irregularidades do desvio de R$ 6 bilhões de reais", questiona Reale.
2º - As PEDALADAS fiscais
Outro argumento citado no pedido de impeachment aceito por Cunha são as "pedaladas fiscais" que o TCU apontou nas contas do governo em 2014. Janaina explica: o governo federal fez empréstimos bilionários vedados, de bancos públicos que o governo controla, para financiar programas sociais, a despeito da falta de dinheiro. Essa forma de "empréstimo" era feita por meio de repasses do Tesouro aos bancos públicos para que eles paguem despesas de programas sociais obrigatórios.
A especialista avalia que Dilma tinha o poder sobre o Tesouro e acrescenta que "os bancos contabilizaram, mas o cgoverno não contabilizou" (os "empréstimos" proibidos pela lei). Assim, além da afronta à lei orçamentária (apontada pelo TCU e prevista no artigo 4º da lei 1.079, que regulamenta o impeachment), Janaina diz que "no direito penal comum seria uma fraude, uma falsidade ideológica".
Reale afirmou que as pedaladas se constituem no base que escondeu a "situação calamitosa" das finanças e levaram o Brasil à depressão, e que esta decorre justamente de sua conduta (de Dilma)".
Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. durante a apresentação do primeiro pedido, rejeitado por Cunha, em 16 de setembro (Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress)
2014 ou 2015?
Um dos argumentos preparados pelo governo para combater a tese das pedaladas é de que elas ocorreram no primeiro mandato da presidente, em 2014, por isso não teriam efeito após a reeleição de Dilma.
Reale contesta: "As pedaladas de 2014, é importante que sejam objeto de apreciação. Os fatos ocorridos em mandatos anteriores são passíveis de processos éticos e políticos pelo princípio da moralidade", afirmou. Ele cita decisão do ministro do STF Celso de Mello de responsabilizar dois deputads em novo mandato por crimes cometidos nos mandatos anteriores, dos quais renunciaram para não passar pelo Conselho de Ética da Câmara.
Janaina ressalta também que "houve também pedaladas em 2015", no primeiro semestre, como apontou o TCU em outubro. Esse foi o anexo do pedido a outro feito anteriormente, rejeitado por Cunha. Mesmo entendendo que apenas as "pedaladas" de 2014 já justificam o impeachment, Janaina aponta a conrinuidade delitiva, desde "meados de 2013", passando por "2014 inteiro, em que a coisa foi inacreditável" e alcançando o atual ano.
3º - DECRETOS Não Numerados
O último argumento é de que Dilma utilizou Decretos Não Numerados, atos presidenciais decretados pela Presidência da República para a concessão de mais dinheiro a órgãos do governo, sem o aval do Congresso, o que, no caso, seria previsto em lei, de acordo com trâmite pré-ordenado.
O pedido mostra que Dilma teria feito a abertura de créditos suplementares "sem o trâmite devido e sem que houvesse dinheiro de fato", explica Janaina. "Achavam que iam dar um jeito", diz.
Por Jovem Pan
fonte: Alessandro Shinoda/Folhapress e Antonio Cruz / Agência Brasil
Colegiado terá 65 deputados; bloco do PMDB terá 25 vagas e do PT, 19. Eduardo Cunha apresentou a líderes distribuição por partidos e blocos.
Em reunião com líderes partidários nesta quinta-feira (3), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentou como será a distribuição por blocos (composto por várias legendas) e partidos na comissão especial que dará parecer pela continuidade ou não do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A comissão especial que analisará o pedido de impeachment terá 65 integrantes, com representantes de todos os partidos e blocos que integram a Casa. Pelo documento, o bloco liderado pelo PMDB terá a maior presença no colegiado, ocupando 25 vagas. O bloco do PT terá a segunda maior quantidade de cadeiras -- 19.
Foi considerado para o cálculo o tamanho dos blocos na eleição para presidente da Câmara. Na distribuição por partido, PMDB e PT ganham em presença na comissão -- terá 8 parlamentares cada.
O bloco da oposição, formado por PSDB, PSB, PPS e PV, terá 12 integrantes. O PSDB individualmente terá 6 deputados na comissão especial mais seis suplentes. Após a reunião, o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), informou que já estão definidos os nomes dele próprio e do líder da minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE); os demais devem ser decididos até o final do dia.
Segundo Sampaio, parlamentares avulsos não poderão entrar na disputa. Para isso, teria que formar outra chapa com igual número de integrantes.
Aliado da presidente Dilma, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) participou da reunião com Cunha e disse que a base aliada agora quer acelerar o processo para pôr fim aos questionamentos a cerca do futuro da presidente. A intenção é trabalhar pela derrubada do processo na comissão especial.
"Queremos montar e votar logo, para resolver logo", disse.
O prazo final para a indicação dos membros da comissão é até as 14h de segunda-feira (7). Na noite desse mesmo dia, será realizada uma sessão extraordinária no plenário da Câmara para confirmar a chapa com as indicações dos 65 deputados titulares e 65 suplentes feitas por todos os partidos.
Rito Após a confirmação dos membros, a comissão irá se reunir na terça-feira (8) para eleger, por meio de voto secreto, o presidente e o relator, a quem caberá fazer um parecer.
A partir da criação da comissão especial e da notificação, Dilma terá 10 sessões da Câmara (ordinárias ou extraordinárias) para apresentar sua defesa. Após a apresentação da defesa, a comissão terá cinco sessões para votar parecer favorável ou contrário à instauração do processo de impeachment.
O parecer segue depois para o plenário. A instauração do processo depende dos votos de 342 deputados. Se for aprovada, Dilma precisará se afastar por 180 dias e o processo segue para o Senado, a quem é dada a palavra final sobre o afastamento permanente da presidente.
A abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi anunciada nesta quarta por Cunha. Ele autorizou pedido assinado pelo ex-fundador do PT Hélio Bicudo e o jurista Miguel Reale Jr., que acusam a petista de praticar "pedalas fiscais" em 2014 e 2015, com edição de decretos de créditos extraordinários sem autorização do Congresso nem previsão no Orçamento.
Presidente da Câmara anunciou na quarta abertura de processo contra Dilma. Após reunião, decisão de abrir processo será lida no plenário da Casa.
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), marcou para 11h30 desta quinta-feira (3) reunião com os líderes dos partidos da Casa para definir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, anunciado na quarta-feira.
A abertura do processo foi feita com base no pedido dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, que apresentaram documento em outubro alegando que a chefe do Executivo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional.
Marquei reunião às 11h30 para falar da questão [do impeachment] como um todo", disse Cunha ao deixar a Câmara nesta quarta-feira. Também estão previstas para esta quinta as leituras em plenário da decisão de Cunha de abrir o processo e da íntegra do pedido apresentado pelos juristas, que possui mais de 2 mil páginas. A partir desse momento, ficará criada a comissão especial que analisará o caso.
Com essas medidas, é iniciado formalmente no Congresso o processo para afastar a chefe do Executivo do cargo.
Entenda abaixo cada passo do rito do processo:
Leitura Após o acolhimento do pedido, Eduardo Cunha deverá ler a denúncia no plenário da Câmara, em sessão imediatamente seguinte, e enviar o documento a uma Comissão Especial.
Comissão Especial A Comissão Especial se reunirá 48 horas depois de criada para eleger seu presidente e relator. Em 10 dias, emitirá parecer sobre requisitos formais da denúncia, se ela deve ser ou não ser objeto de deliberação. Dentro desse período, o colegiado poderá realizar diligências que julgar necessárias ao esclarecimento da denúncia.
A Comissão será composta por deputados federais de todos os partidos. Cada legenda terá número de deputados proporcional ao tamanho de sua bancada na Câmara que poderão se manifestar sobre a denúncia.
Notificação da presidente A Câmara deverá enviar uma notificação à presidente Dilma Rousseff para que ela, "querendo", se manifeste numa defesa escrita no prazo de 10 sessões ordinárias, realizadas no plenário com presença mínima de 51 deputados.
Análise pela Comissão Especial Vencido o prazo, com ou sem manifestação da presidente, a Comissão Especial terá mais cinco sessões para elaborar o parecer. Este parecer deverá concluir pelo deferimento ou indeferimento do pedido de autorização para abertura de processo.
Votação no Plenário da Câmara Após a análise pela Comissão Especial, o parecer é enviado ao Plenário da Câmara no prazo de duas sessões. O documento será discutido e a votação, em turno único, deverá ser nominal – cada deputado é chamado pelo nome para dizer "sim" ou "não" ao afastamento.
São necessários 2/3 da Câmara, ou 342 deputados, para que seja aprovado o parecer. Se não houver esse mínimo de votos, o processo de impeachment é arquivado.
Defesa Se o pedido for aprovado, Dilma Rousseff será notificada para contestar as acusações em 20 dias. Depois desse prazo, a Comissão Especial poderá tomar depoimentos de testemunhas, ouvir os autores do pedido de impeachment e a própria presidente.
A Comissão Especial terá então que proferir em 10 dias um novo parecer sobre a procedência ou improcedência do pedido. Publicado o parecer, o processo entra na pauta da Câmara e será submetido a duas discussões, com intervalo de 48 horas entre uma e outra.
São necessários 2/3 da Câmara, ou 342 deputados, para que seja aprovado o parecer. Se não houver esse mínimo de votos, o processo de impeachment é arquivado.
Com o pedido aprovado, Dilma Rousseff é afastada da Presidência por 180 dias e o vice Michel Temer assume o cargo até o final do processo.
Senado A Câmara apenas autoriza a abertura do processo. O julgamento em si da presidente da República caberá ao Senado, que deverá ser comunicado em duas sessões.
Uma vez autorizado o Senado a processar, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) notifica a presidente Dilma Rousseff para comparecer em data prefixada para julgamento.
Julgamento O julgamento é conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) – atualmente o ministro Ricardo Lewandowski. Ele lerá o processo e ouvirá testemunhas. Haverá debate verbal e o presidente do STF elabora um relatório da denúncia e das provas da defesa e da acusação.
Para tirar o mandato da presidente, são necessários votos de 2/3 do Senado, isto é, 54 senadores. Se o julgamento for pela absolvição, a presidente retoma o cargo. Se for pela condenação, a presidente fica inelegível e perde de uma vez o cargo. O vice-presidente assume o cargo em caráter definitivo.
Presidente da Câmara informou que acolheu pedido do jurista Hélio Bicudo. Peemedebista também criou comissão especial que analisará impeachment.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou nesta quarta-feira (2) que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O pedido de Bicudo – um dos fundadores do PT – inclui as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária.
"Quanto ao pedido mais comentado por vocês proferi a decisão com o acolhimento da denúncia. Ele traz a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente mesmo a votação do PLN 5 não supre a irregularidade", disse Cunha em entrevista coletiva na Câmara.
A decisão ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que vai votar pela continuidade do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética. Ao longo do dia, Cunha passou a consultar aliados sobre a possibilidade de abrir o processo de impeachment da presidente da República.
Na tarde desta quarta, o peemedebista tratou do assunto, em seu gabinete, com deputados de PP, PSC, PMDB, DEM, PR e SD. Segundo parlamentares ouvidos pelo G1, ele queria checar se teria apoio dos partidos caso decidisse autorizar o impeachment.
Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara mandavam recados ao Palácio do Planalto de que ele iria deflagrar o processo de afastamento da presidente se o Conselho de Ética desse andamento ao processo de quebra de decoro parlamentar que pode cassar o mandato dele.
Comissão especial
Na entrevista coletiva desta quarta, Cunha também anunciou que autorizou a criação da comissão especial que irá analisar o processo de impeachment de Cunha.
“Não falei com ninguém do Palácio. É uma decisão de muita reflexão, de muita dificuldade. [...] Não quis ocupar a presidência da Câmara para ser o protagonista da aceitação de um pedido de impeachment. Não era esse o meu objetivo. Mas, repito, nunca, na história de um mandato houve tantos pedidos de impeachment como neste mandato”, ressaltou o peemedebista.
Rio - Com o estado em crise, os proprietários de veículos terão menor desconto no pagamento em cota única do IPVA 2016 e um calendário ainda mais antecipado que o do ano passado. Quem optar por quitar o imposto em uma só vez terá uma redução de 3% sobre o valor parcelado em até três vezes. Em 2015, o desconto foi de 8%.
O primeiro vencimento do calendário, anunciado ontem, é dia 19 de janeiro. Estão nesta data a cota única e a primeira parcela dos proprietários de veículos com placa de final zero. Já o último prazo para quem optar pelo pagamento à vista é no dia 17 de fevereiro (confira a tabela ao lado). Em 2015, a programação da cota única foi de 22 de janeiro a 19 de fevereiro.
Confira o cronograma do IPVA
Foto: Arte O Dia
Para fazer o pagamento do IPVA é necessário imprimir a guia no site do banco Bradesco (www.bradesco.com.br) a partir do dia 13 de janeiro. O pagamento poderá ser realizado em qualquer agência bancária ou pelos serviços de internet e de teleatendimento do sistema bancário nacional.
Como nos outros anos, a guia de pagamento deve trazer, além do IPVA, o valor do Seguro Obrigatório (DPVAT) e as taxas de serviço do Detran, relativas ao licenciamento de veículos, à vistoria anual e às emissões do laudo de gases poluentes e do Certificado de Registro de Licenciamento de Veículos (CRLV). Além do desconto menor para o pagamento à vista, o valor do IPVA ficará mais caro, em 2016, para alguns veículos por causa de uma mudança proposta pelo governo e aprovada na Assembleia Legislativa. A alíquota para carros flex, que era de 3% do valor do veículo, subirá para 4%. A de veículos movidos a GNV passará de 1% para 1,5%. O objetivo das novas alíquotas é elevar a arrecadação estadual em R$ 550 milhões, segundo estimativa da Secretaria Estadual de Fazenda.
Segundo Defesa Civil, foram registradas pequenas quedas de barreiras. Valão transbordou e desabrigou famílias em Santo Antônio de Pádua.
As fortes chuvas que caíram na noite desta segunda-feira (30) em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense, fizeram ceder o asfalto da RJ-186, abrindo uma cratera. Segundo a Defesa Civil, bueiros da rodovia que liga a cidade de Pirapetinga, Minas Gerais, a municípios do Noroeste Fluminense, cederam por conta da grande volume de água. O local está interditado e o trânsito está sendo deviado pela município de Itaocara.
O Departamento de Estradas de Rodagem informou, por meio da assessoria de imprensa, o tráfego no Km 7, na altura do distrito de Boa Nova, em Santa Antônio de Pádua, e no Km 14, no distrito de Manrangatu. A via ficará interditada até o fim do dia.
Segundo o DER, os motoristas devem fazer o desvio por Minas Gerais, ao acessar a BR-116, em Além Paraibá, seguir por Leopoldina, Laranjal, até chegar a Palmas, na divisa com a cidade de Miracema, no Rio de Janeiro.
O secretário de Defesa Civil, Fábio Paes Rodrigues, disse que choveu em duas horas cerca de 200 milímetros em Santa Antônio de Pádua. O volume era o esperado para todo o mês de novembro. Não há vítimas fatais e a Defesa Civil Estadual atua na cidade.
Agentes da Defesa Civil disseram que a água da chuva fez transbordar o Valão de Angolinha, que corta alguns bairros da cidade. Ruas e casas foram alagadas e o órgão ainda não contabilizou o número de desabrigados. Eles foram levados para escolas. Foram registradas ainda pequenas quedas de barreiras.
Ao todo, de acordo com a Defesa Civil, cinco distritos, sendo o de Santa Cruz, Boa Nova, São Pedro, Mangueirão e Marangatu e duas localidades, as de Chalé e Cidade Nova, foram atingidas pela tromba d'água. Boa Nova e Mangueirão foram os locais que tiveram problemas maiores. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil estão desde às 22h desta segunda para avaliar os estragos.