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2015/12/04

Esclarecimentos sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef

Autores explicam três argumentos do pedido de impeachment de Dilma

Miguel Reale Júnior, jurista, professor e ex-ministro da Justiça, e Janaina Paschoal, advogada, doutora em direito penal e livre docente da USP, são dois dos três autores que assinam o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff acatado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha nesta quarta. O outro é o ex-petista Hélio Bicudo, jurista e ex-deputado e ministro.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan na manhã desta quinta (02), Reale e Janaina explicaram os principais fatos apontados contra Dilma no documento de 65 páginas.

Os juristas também fizeram questão de desvincular o pedido de impedimento à pessoa de Eduardo Cunha, que é investigado na Lava Jato e responde no Conselho de Ética da Câmara.

Confira abaixo os três argumentos jurídicos expostos por Janaina e Reale durante as entrevistas.

1º - IMPROBIDADE em relação à Petrobras

Este é o fator "mais forte" contra Dilma, na opinião de Janaina. Ela resume o tópico: "é o comportamento da presidente em relação a tudo o que aconteceu na Petrobras". Dilma, em sua visão, teria dado "carta branca" a diretores e pessoas nomeadas na empresa que participaram da operação dos desvios expostos na Operação Lava Jato.

Reale Jr, por sua vez, cita rascunho preliminar de delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveó, divulgado no último dia 25 de novembro, em que ele disse que Dilma "sabia de tudo sobre Pasadena" (refinaria nos EUA comprada por um preço superior) e que o "cobrava diretamente" sobre isso. "Cada vez mais se demonstra que o Planalto tinha conhecimento pleno do que aconteecia na Petrobras", afirma o jurista.

Deste modo, Reale entende que a presidente não atentou à lei da responsabilidade fiscal, podendo ser enquadrada por improbidade administrativa. "Está tudo tipificado", defende.

Exemplo

Reale cita ainda um exemplo que demonstraria uma irresponsabilidade do Planalto em relação à Petrobras. Em 2007 o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a paralisação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das obras da estatal cuja construção foi feita à base de propina, conforme demonstram as investigações da Lava Jato. Na ocasião, o Congresso não aceitou.

Em 2009, novamente foi pedida a paralisação, desta feita aceita pelo Legislativo. Porém, o então presidente Lula vetou tal disposição na lei orçamentária, e determinou que houvesse apenas a apuração de eventuais irregularidades, relembra Reale.

Após três anos de investigação, em 2012, já no primeiro governo Dilma, não foram encontradas irregularidades. "Imagina uma comissão que vai apurar e não encontra irregularidades do desvio de R$ 6 bilhões de reais", questiona Reale.

2º - As PEDALADAS fiscais

Outro argumento citado no pedido de impeachment aceito por Cunha são as "pedaladas fiscais" que o TCU apontou nas contas do governo em 2014. Janaina explica: o governo federal fez empréstimos bilionários vedados, de bancos públicos que o governo controla, para financiar programas sociais, a despeito da falta de dinheiro. Essa forma de "empréstimo" era feita por meio de repasses do Tesouro aos bancos públicos para que eles paguem despesas de programas sociais obrigatórios.

A especialista avalia que Dilma tinha o poder sobre o Tesouro e acrescenta que "os bancos contabilizaram, mas o cgoverno não contabilizou" (os "empréstimos" proibidos pela lei). Assim, além da afronta à lei orçamentária (apontada pelo TCU e prevista no artigo 4º da lei 1.079, que regulamenta o impeachment), Janaina diz que "no direito penal comum seria uma fraude, uma falsidade ideológica".

Reale afirmou que as pedaladas se constituem no base que escondeu a "situação calamitosa" das finanças e levaram o Brasil à depressão, e que esta decorre justamente de sua conduta (de Dilma)".


Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. durante a apresentação do primeiro pedido, rejeitado por Cunha, em 16 de setembro (Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress)

2014 ou 2015?

Um dos argumentos preparados pelo governo para combater a tese das pedaladas é de que elas ocorreram no primeiro mandato da presidente, em 2014, por isso não teriam efeito após a reeleição de Dilma.

Reale contesta: "As pedaladas de 2014, é importante que sejam objeto de apreciação. Os fatos ocorridos em mandatos anteriores são passíveis de processos éticos e políticos pelo princípio da moralidade", afirmou. Ele cita decisão do ministro do STF Celso de Mello de responsabilizar dois deputads em novo mandato por crimes cometidos nos mandatos anteriores, dos quais renunciaram para não passar pelo Conselho de Ética da Câmara.

Janaina ressalta também que "houve também pedaladas em 2015", no primeiro semestre, como apontou o TCU em outubro. Esse foi o anexo do pedido a outro feito anteriormente, rejeitado por Cunha. Mesmo entendendo que apenas as "pedaladas" de 2014 já justificam o impeachment, Janaina aponta a conrinuidade delitiva, desde "meados de 2013", passando por "2014 inteiro, em que a coisa foi inacreditável" e alcançando o atual ano.

3º - DECRETOS Não Numerados

O último argumento é de que Dilma utilizou Decretos Não Numerados, atos presidenciais decretados pela Presidência da República para a concessão de mais dinheiro a órgãos do governo, sem o aval do Congresso, o que, no caso, seria previsto em lei, de acordo com trâmite pré-ordenado.

O pedido mostra que Dilma teria feito a abertura de créditos suplementares "sem o trâmite devido e sem que houvesse dinheiro de fato", explica Janaina. "Achavam que iam dar um jeito", diz.

Por Jovem Pan 
fonte: Alessandro Shinoda/Folhapress e Antonio Cruz / Agência Brasil

Veja a matéria completa, com o áudio da rádio, em:
http://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/politica/autores-explicam-tres-argumentos-do-pedido-de-impeachment-de-dilma.html

2015/12/02

Eduardo Cunha anuncia que autorizou processo de impeachment de Dilma

Presidente da Câmara informou que acolheu pedido do jurista Hélio Bicudo.
Peemedebista também criou comissão especial que analisará impeachment.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou nesta quarta-feira (2) que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

O pedido de Bicudo – um dos fundadores do PT – inclui as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária.

"Quanto ao pedido mais comentado por vocês proferi a decisão com o acolhimento da denúncia. Ele traz a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente mesmo a votação do PLN 5 não supre a irregularidade", disse Cunha em entrevista coletiva na Câmara.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que vai votar pela continuidade do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética. Ao longo do dia, Cunha passou a consultar aliados sobre a possibilidade de abrir o processo de impeachment da presidente da República.

Na tarde desta quarta, o peemedebista tratou do assunto, em seu gabinete, com deputados de PP, PSC, PMDB, DEM, PR e SD. Segundo parlamentares ouvidos pelo G1, ele queria checar se teria apoio dos partidos caso decidisse autorizar o impeachment.

Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara mandavam recados ao Palácio do Planalto de que ele iria deflagrar o processo de afastamento da presidente se o Conselho de Ética desse andamento ao processo de quebra de decoro parlamentar que pode cassar o mandato dele.

Comissão especial

Na entrevista coletiva desta quarta, Cunha também anunciou que autorizou a criação da comissão especial que irá analisar o processo de impeachment de Cunha.

“Não falei com ninguém do Palácio. É uma decisão de muita reflexão, de muita dificuldade. [...] Não quis ocupar a presidência da Câmara para ser o protagonista da aceitação de um pedido de impeachment. Não era esse o meu objetivo. Mas, repito, nunca, na história de um mandato houve tantos pedidos de impeachment como neste mandato”, ressaltou o peemedebista.

Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília
 
Matéria completa em:
 
 
02/12/2015 18h40 - Atualizado em 02/12/2015 18h54