Mostrando postagens com marcador O Globo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Globo. Mostrar todas as postagens

2019/05/20

Editorial de O Globo

Partidos usam o Coaf para vingança contra a Lava-Jato

Retomada do desenvolvimento deveria ser prioridade das lideranças do Congresso

O tempo que já se gastou nesse falso debate sobre a retirada do Coaf do Ministério da Justiça representa o mais puro desperdício de energia num país aflito com a deterioração das condições sociais e econômicas. A retomada do desenvolvimento deveria ser prioridade absoluta das lideranças do Congresso.

2019/05/12

Editorial de O Globo

Recuos no combate à impunidade

Volta do Coaf à Economia e limitação aos auditores fiscais se somam a decisões polêmicas do STF

Não significa aderir a teses conspiratórias reconhecer que os últimos dias têm sido negativos para o combate à corrupção e às organizações criminosas que atuam em grandes cidades e no exterior. Uma sucessão de decisões tomadas no Supremo e no Congresso pode causar forte retrocesso no enfrentamento de criminosos do colarinho branco, de bandidos que atuam no tráfico e exploram outros ramos do dito crime comum.
 
Na comissão especial que examina a MP 870, da reforma administrativa proposta pelo governo Bolsonaro, duas derrotas do Planalto fraturam a base da estrutura para reprimir a criminalidade em geral. A devolução do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do ex-juiz Sergio Moro, para a esfera da pasta da Economia, do ministro Paulo Guedes, prejudica a integração de organismos de inteligência e forças de segurança pública do Estado para enfrentar com mínimas chances de êxito o crime organizado.
 
O Coaf, ao rastrear dinheiro sujo e detectar remetentes e destinatários, tem sido chave nas investigações de corrupção e acontecerá o mesmo no enfrentamento do tráfico. Sob a Justiça, o Coaf pode ser mais efetivo. Porém, uma aliança entre o Centrão e a oposição (PT à frente) retirou o Conselho de Moro — pelo menos até a votação em plenário.
 
O PT procura acertar contas com o ex-juiz, considerado por ele culpado pela prisão do ex-presidente Lula, embora a sentença de Moro tenha sido confirmada em duas outras instâncias, por vários magistrados. Não se deve, também, menosprezar a intenção da velha política em trazer aos seus pés um governo que assumiu dizendo que não faria negociações espúrias.
 
Com a mesma intenção de manietar Moro, foi contrabandeada para o texto da MP emenda para afastar operacionalmente auditores fiscais de procuradores. Devem eles se ater apenas a crimes tributários, e caso queiram comunicar indícios de outros delitos ao Ministério Publico, precisam de ordem judicial. Burocracia a serviço do crime.
 
E ainda para entrar neste capítulo de vitórias da impunidade, o Supremo concluiu que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estava no seu direito quando revogou prisões de deputados.
Conhecendo-se o corporativismo das Casas legislativas, isso significa dar a chave da cadeia ao preso. E, na quinta, a Corte validou os termos da anistia concedida em dezembro de 2017 pelo então presidente Temer, feita sob medida para beneficiar presos condenados por corrupção.
 
Nenhuma das sentenças tem efeito imediato. Deputados presos não serão libertados logo nem é intenção de Bolsonaro, pelo que já disse, incluir corruptos em anistias natalinas. Mas não pode passar despercebido da sociedade um conjunto tão pouco edificante de ações em sentido contrário ao desejo majoritário de uma limpeza na vida pública e do combate ao crime organizado. Seja ele qual for.
 

2019/05/06

Editorial de O Globo

Enfim, metas para cortes nos bilionários incentivos fiscais

Intenção da equipe econômica de reduzir a pesada conta de subsídios deve levar à avaliação dessa ajuda
 
Bilhões concedidos pelo Estado a pessoas jurídicas e físicas a título de incentivos não chamavam a atenção da sociedade. Com a redemocratização, em 1985, início de todo um processo de institucionalização da democracia, passou a haver cobrança de transparência do Estado. 
 O fim da superinflação, com o Plano Real, também facilitou o entendimento das contas públicas, com o restabelecimento da noção de grandeza entre as cifras. A névoa da inflação escondia erros e malfeitos.  
 Até mesmo as investigações sobre corrupção ajudaram a entender como o BNDES transferia dinheiro público no financiamento a grandes empresas com trânsito livre em Brasília, por meio de subsídios a taxas de juros. Regimes ideologicamente alinhados aos então donos do poder, os lulopetistas, também foram agraciados com créditos do BNDES subsidiados pelo contribuinte. 
 Tradição nacional, os incentivos fiscais da União somaram, no ano passado, R$ 292,8 bilhões, equivalentes a 4,3% do PIB. Para uma medida de comparação, o déficit público primário estimado para este ano é de R$ 139 bilhões. 
 O problema não é o incentivo em si — instrumento válido de política econômica —, mas a forma descuidada com que passou a ser distribuído, em decisões mais políticas do que técnicas. É correto, portanto, a equipe econômica, como noticiou ontem “O Estado de S.Paulo”, estabelecer um plano de cortes para essas transferências quase sempre descuidadas de dinheiro do contribuinte, que também funcionam como mecanismo de concentração de renda.  
 Pretende-se reduzir, até 2022, último ano do mandato de Bolsonaro, 1,5% do PIB em subsídios, ou aproximadamente R$ 102 bilhões. Em um país que entra no sexto ano consecutivo em crise fiscal, uma ajuda ponderável. 
 A montanha de incentivos transferidos pelos governos — incluindo os estaduais — merece um acurado pente-fino. O pesado jogo de lobbies e pressões para a obtenção de benesses distorce essas políticas de incentivos, sempre decididas em gabinetes fechados e por meio de transações opacas. Um caso recente é o da Zona Franca de Manaus.  
 Mas há incentivos com sustentação econômica. Trata-se de separá-los dos demais. Em algum momento, Brasília terá de definir uma política clara para a concessão dessas ajudas.  
 Um aspecto a ser considerado é a necessidade do estabelecimento de prazos e metas, para que a ajuda do contribuinte (dada pelo Tesouro) se justifique e não se eternize. A avaliação periódica do resultado de subsídios tem de ser política de Estado.  
 As promessas sempre feitas na apresentação de projetos candidatos a serem subsidiados precisam ser monitoradas e cobradas de tempos em tempos. Porque persistir no apoio a empreendimentos inviáveis gera enorme prejuízo para toda a sociedade.
 
O Globo
04/05/2019
 

2019/02/21

Editorial de O Globo: proposta de reforma da Previdência é coerente e corrige injustiças

Reforma coerente enfrenta o desafio da política
Os efeitos da exótica crise em torno da família Bolsonaro são um inesperado obstáculo às propostas
A abrangência do pacote de mudanças atinge toda a Federação. Cobre também estados e municípios, cuja situação fiscal, em vários casos, é pior que a da União. Daí a reivindicação de governadores, inclusive da oposição, para a reforma ter alcance nacional.
 
Assim, mudanças que vierem a ser feitas no regime do funcionalismo público alcançarão servidores estaduais e municipais. Com isso, governadores e prefeitos, quase sempre subjugados por corporações sindicais, têm apoio federal para ajustar suas contas, em meio a choques com essas máquinas de defesa de interesses de grupos.
 
Estados e municípios que acumulam déficits previdenciários terão seis meses para ajustar sua alíquota de arrecadação para 14%, como vários já fizeram. E em dois anos, precisarão criar fundos de previdência complementar.
 
Um conjunto tão amplo de propostas consumirá algum tempo para ser digerido dentro e fora do Congresso. Não se pode é, no debate, perder-se o sentido do todo e o entendimento de que, embora seja uma reforma emergencial, ela abre horizontes de longo prazo, como demonstra a inclusão, no pacote, do novo regime de capitalização, para os jovens. Não se deve perder esta oportunidade de abrir um amplo espaço de crescimento para o país.

2019/02/06

Pacote de Moro tem o rigor necessário

O Globo

2018/01/27

"Rejeitar sentença é insurgir-se contra a Carta"

Petistas pregam sedição, porque o TRF-4, de Porto Alegre, confirmou condenação de Lula, o que ressalta o viés autoritário e antidemocrático do partido

por
 
Algumas reações no PT à condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4, que praticamente o torna inelegível por oito anos, ensinam muito sobre o caráter antidemocrático do partido, ou de facções dele.

Há diversos registros que indicam a que ponto chega o descontrole de militantes, inclusive dirigentes, com a decisão unânime dos três desembargadores do tribunal — embasados em votos técnicos e detalhados —, de confirmar a condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no processo do tríplex do Guarujá, ainda estendendo a pena de nove anos e meio de prisão para 12 anos e um mês. Prática comum no tribunal de Porto Alegre.

Enquanto a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR), anunciava que o PT radicalizaria, seu colega no Senado, Lindbergh Faria (RJ), vociferava em comício que o veredicto era um “golpe” e que haveria feroz resistência petista, “nas ruas”. Pregou uma resistência à margem das instituições.

Terá sido o segundo “golpe” identificado pelo PT em não muito tempo, porque o partido também tachou de ruptura institucional o impeachment de Dilma Rousseff, aprovado em sessão do Senado presidida pelo próprio presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Uma incongruência
João Pedro Stédile, o principal líder do MST, organização beneficiada nos governos lulopetistas, alertou a Polícia Federal e a Justiça que não aceitará a prisão de Lula, que é uma possibilidade legal. E o próprio Lula deu o tom da insubordinação ao dizer que também rejeitava a sentença. Como já havia ficado evidente antes da sessão de quarta do TRF-4, ele e o partido só admitiriam a sentença se fosse de absolvição. Um desvario antidemocrático.

O viés autoritário do partido vem de longe. Recorde-se que o partido votou contra a Constituição em 1988, e só a muito custo a assinou. Não reclamou da Carta quando ela o permitiu chegar ao Planalto, em 2003. Mas nunca deixou de ter cacoetes contra a ordem democrática. Por exemplo, quando, nos governos Lula e Dilma, insistia nas constituintes chavistas, ou ao tentar controlar a imprensa por meio de um “Conselho Federal de Jornalismo” e a produção audiovisual, a partir da agência Ancinav.
 
Por sinal, o desconforto com a liberdade de expressão, repetindo os bolivarianos do continente, persiste: Lula passou a anunciar que, eleito, iria “regular a mídia”, termo cifrado que significa censura. Mas a Justiça acaba de barrá-lo.

Fica comprovado que as leis e as instituições são respeitadas quando delas o partido puder se valer. Se não, militantes e líderes incentivam ilegalidades, sedições, e empurram o PT para se converter em uma organização criminosa. Tão fora da lei quanto o PCC, o CV e outras.

Mas deve haver políticos petistas preocupados, porque querem se reeleger em outubro, e o caminho para isso não é erguer barricadas pelo país afora.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/rejeitar-sentenca-insurgir-se-contra-carta-22335030


































2017/04/22

Editorial de O Globo

Cerco de depoimentos confirma Lula como o chefe

O tamanho do petrolão mostrou que era impossível o então presidente não saber do esquema

No escândalo do mensalão, denunciado em 2005, faltou uma peça, o chefe do esquema. No encaminhamento das denúncias pelo MP contra aquela “organização criminosa”, o ex-ministro José Dirceu parecia caminhar para este patíbulo, em silêncio como disciplinado militante, mas, em julgamento de recurso, a responsabilidade de ser o capo do esquema lhe foi tirada, e o espaço ficou vago. Mas apenas nos autos processuais, porque nunca fez sentido tudo aquilo acontecer sem a aprovação e o acompanhamento de alguém centralizador e vertical como Luiz Inácio Lula da Silva.

O surgimento do petrolão — construído paralelamente ao mensalão, com muitos zeros a mais — foi a estridente evidência de que Lula não podia desconhecer aquilo tudo. A leitura benevolente do mensalão era que desfalques no Banco do Brasil, dados pelo militante Henrique Pizzolato, mancomunado com Marcos Valério, se justificavam pela “causa”. O partido tinha um projeto de poder longevo, para “acabar com a pobreza e a miséria”. Não serve de atenuante na Justiça criminal, mas aliviava a culpa moral de petistas, com injeções de ideologia.

O enredo, porém, não fechava. Dirceu voava em jatinhos particulares, morava em condomínio de alto padrão. E este lado “burguês” do lulopetismo — já detectado por Golbery do Couto e Silva, na década de 70, segundo Emílio Odebrecht — precisava ser custeado.

Ficou, então, tudo misturado: dinheiro surrupiado de estatais aparelhadas por companheiros, e drenado por meio de conhecidas empreiteiras e seus contratos superfaturados, parte para campanhas petistas e de aliados, parte desviada para bolsos privados de comissários. A “causa” continuava presente — era preciso manter uma grande bancada no Congresso, como já conseguira a Arena/PDS na década de 70, para sustentar a ditadura com fachada de democracia representativa. Mas, desta vez, havia Lula de ego nas alturas, chamado de “o cara” por Obama, com o desejo de ter sítio em Atibaia, tríplex no Guarujá, um instituto para ajudar países subdesenvolvidos a superar a pobreza, também uma adega bem abastecida etc.

O efeito da videoteca das delações da Odebrecht e da decisão de Léo Pinheiro, da OAS, construtora do prédio do tríplex, de fazer delação premiada na Lava-Jato, foi desmontar o jogo de espelhos que Lula, advogados e militância manipulada ainda tentam jogar, e continuarão insistindo. Só fé de religioso sectário para continuar a acreditar. Virou, há tempos, questão de dogma.

Lula tem quase nada em seu nome. Usufrui do patrimônio de amigos e compadres, o advogado Roberto Teixeira o principal deles. A quem Lula indicou para a Odebrecht, a fim de idealizar uma fraude contratual com a finalidade de esconder que a empreiteira gastara bem mais que R$ 500 mil, o orçamento inicial, na reforma do sítio de Atibaia, a pedido da ainda primeira-dama Marisa Letícia, segundo delação da empreiteira.

O GLOBO revelou o tríplex do Guarujá em 2010. Veio uma contínua avalanche de desmentidos, alguns arrogantes e agressivos. Mesmo com o vídeo em que Léo Pinheiro mostrava o imóvel ao ainda presidente da República. O casal Luiz Inácio e Marisa pediu obras, devidamente executadas. Depois, foi dito que a OAS era a real proprietária do imóvel.

Na verdade, era mesmo de Lula e família, acaba de confirmar Léo Pinheiro, perante o juiz Sérgio Moro. E também coube à OAS parte da reforma do sítio em Atibaia, executada, em maior proporção, pela Odebrecht. As cozinhas modeladas do sítio e do tríplex do Guarujá foram compradas no mesmo lugar.

Tanto a empreiteira multinacional Odebrecht quanto a OAS, ambas fundadas na Bahia, utilizaram o mesmo sistema contábil: o custo de reformas em imóveis para Lula e outras despesas pessoais dele foram debitadas de propinas arrecadadas em estatais, por meio de contratos superfaturados. Ou seja, dinheiro público também elevando o padrão de vida de Lula, família e outros lulopetistas, por certo.

Os depoimentos que foram divulgados nos últimos dias da Odebrecht e agora de Léo Pinheiro não surpreendem pelos fatos em si, muitos deles já ventilados, mas pela dimensão do esquema, pela riqueza de detalhes sórdidos na forma como os governos Lula e Dilma foram corrompidos e também corromperam. Não há inocentes na história. Seja em nome da “causa” ou da boa vida.

O desnudamento de Lula em carne e osso, em praça pública, com os pecados da baixa política brasileira, parece apenas começar. Afinal, não se pode admitir que tudo o que foi falado até agora por Marcelo, Emílio Odebrecht e seus executivos, sobre o toma lá dá de cá com o presidente e ex-presidente, não tenha sustentação em provas documentais. O mesmo vale para Léo Pinheiro. Empreiteiros não só sabem fazer contas, como são precavidos. Mas os simples testemunhos já são arrasadores.

Outra grave ameaça a Lula é o depoimento de Léo Pinheiro de que o ainda presidente mandou-o eliminar provas de remessas de dinheiro ilegal para João Vaccari, tesoureiro do PT, há algum tempo na carceragem de Curitiba. Será a segunda denúncia de tentativa de obstrução da Justiça, depois da sua participação, segundo Delcídio Amaral, na manobra para calar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, um dos dutos do desvio de dinheiro da estatal para o lulopetismo e aliados.

Completando o cerco a Lula, há o ex-ministro Antonio Palocci, também preso em Curitiba, e que estaria negociando um acordo de delação premiada. Seria uma espécie de mãe de todas as delações.

Ou uma dessas mães. Foi ministro da Fazenda de Lula, homem de confiança do ex-presidente, escalado por ele para tentar gerenciar a imprevisível Dilma Rousseff. Mas as “consultorias” de Palloci o derrubaram.

Importante é que Palocci surge nas delações da Odebrecht como homem-chave no relacionamento financeiro entre a empreiteira e o ex-presidente. Gratos, os Odebrecht abriram um crédito de R$ 40 milhões para Lula, a serem movimentados por meio de Palocci. Assim, seu cacife aumentou bastante como arquivo de preciosas informações. Mas nada garante que as fornecerá, mesmo que esteja sendo insinuado pelo lulopetismo, como forma de salvar o chefe, que o ex-ministro embolsou dinheiro pedido em nome de Lula.

Emerge desta história a constatação de que os projetos de poder e pessoais do PT e de outros partidos esbarraram em instituições que continuam a funcionar por sobre a maior crise econômica do Brasil República, com sérios desdobramentos políticos. Incluindo um impeachment, justificado pelo atropelamento voluntarioso da Lei de Responsabilidade Fiscal, de mesma inspiração ideológica do aparelhamento de estatais e assaltos realizados em associação com empresários privados. A ordem jurídica se fortalece.
 


























 

2016/02/26

Deu em O Globo

Campos exige título de eleitor para conceder ônibus a R$ 1

Governo Rosinha alega que a medida é para evitar fraudes

 



por
Campos exige título de eleitor para conceder ônibus a R$ 1 - Reprodução internet
RIO - Em Campos, a passagem de ônibus pode custar apenas R$ 1. Mas, em ano de eleição para prefeitos e vereadores, o preço só valerá, no caso de adultos, para quem apresentar o título de eleitor e votar no município. Na terça-feira passada, a prefeitura da cidade no Norte Fluminense iniciou o recadastramento dos usuários do cartão Campos Cidadão, que concede tarifa subsidiada a cerca de 300 mil pessoas. E, no processo de renovação da inscrição no programa, a administração da ex-governadora Rosinha Garotinho (PR)exigiu que a população informasse até a zona e a seção onde vota.
O município argumenta que a medida é para evitar fraudes e garantir que apenas moradores de Campos recebam o cartão. Mas a procuradora regional da República Silvana Battini vê um possível uso político na iniciativa:
ADVERTISEMENT
— Quando o cadastro exige apresentação do título e do domicílio eleitoral no município, há um indício muito forte de associação do programa à condição de eleitor. Isso pode configurar, em tese, o uso promocional do projeto para servir a alguma candidatura, o que configura uma prática vedada de abuso de poder político. Se o município quer distribuir o cartão para quem mora na cidade, qual a relevância do domicílio eleitoral? Em ano eleitoral, isso acende a luz amarela.

Silvana diz que a Justiça eleitoral pode se manifestar, pedindo o fim da exigência do título, mesmo antes da oficialização das candidaturas. O GLOBO fez contato com o Procurador Regional Eleitoral do Rio, Sidney Pessoa Madruga da Silva, mas ele não se manifestou até o fechamento da edição.
O programa Campos Cidadão começou a ser desenvolvido em 2009, pela própria Rosinha. No último mês de janeiro, a prefeitura resolveu suspendê-lo temporariamente, alegando a necessidade de implantar um sistema de bilhetagem eletrônica nos ônibus. O município argumentou que, com o novo modelo, aumentaria a eficiência na fiscalização do serviço e no repasse do subsídio às empresas.
 
TARIFA PARA PESSOAS DE 5 A 59 ANOS
Paralelamente, a prefeitura anunciou o recadastramento, aberto a usuários que já estivessem na base de dados do programa, com idade de 5 a 59 anos e que não fossem beneficiários de isenções tarifárias. Segundo o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Matheus José, que também é Procurador Geral do município, o registro inicial exigia apenas o comprovante de residência. Mas o poder público teria constatado que pessoas de cidades vizinhas apresentavam comprovantes de parentes e amigos para conseguirem o benefício.

“Diante desse cenário (...) foi definido que seria exigido no recadastramento o comprovante de residência em conjunto com o título eleitoral para a verificação da qualidade de munícipe e atendimento da exigência prevista na Lei Municipal nº 8.577/14 para a concessão do benefício”, afirmou ele, em nota, citando o código eleitoral que estabelece que o domicílio eleitoral é o lugar de residência ou moradia do cidadão.

Pelo programa, os moradores de Campos pagam R$ 1 pela passagem em qualquer linha do município. Já a prefeitura paga mais R$ 1,75 às empresas de ônibus para complementar o valor da tarifa, que é de R$ 2,75. Para o atual recadastramento, além do título de eleitor, os beneficiados precisam apresentar o CPF, a carteira de identidade e um comprovante de residência.

http://oglobo.globo.com/rio/campos-exige-titulo-de-eleitor-para-conceder-onibus-r-1-18753281

2015/03/25

Campos: citação em O Globo

Em Campos, com recursos federais e municipais, as obras de construção da Vila Olímpica do condomínio Alphaville, cercadas por tapumes de zinco, estão paralisadas e já com as estruturas de ferro enferrujadas. Parados também estão os serviços de pavimentação, urbanização e drenagem de 11 vias do conjunto. Uma placa, com dados sobre a implantação da vila olímpica, desapareceu. A outra, sobre as demais intervenções, está apagada, mas informa que as obras custam R$ 10,2 milhões.

— Colocaram o teto da quadra e há alguns meses só vejo seguranças. É uma pena que a pouco mais de um ano das Olimpíadas interrompam a construção de um espaço para estimular o esporte — lamenta o policial Luiz Fernando Figueiredo, que mora no condomínio.

A ampliação do Hospital São José, no distrito de Goytacazes, iniciada em 2012, está em ritmo lento. A prefeita Rosinha Matheus (PR) também está deixando o Museu Olavo Cardoso, tombado e doado ao município, se deteriorar. Parte do teto da varanda desabou, há rachaduras nas paredes externas, madeiras apodrecidas e escoras apoiando a parte superior.

Rosinha responde a pelo menos três ações por improbidade administrativa. Numa delas, foi condenada, no fim de 2013, pela 14ª Vara de Fazenda Pública (cabe recurso) por ato praticado quando foi governadora do Rio, por ter firmado contrato sem licitação com a Fundação Euclides da Cunha e não ter provado que as 254 salas de informática previstas foram montadas. A assessoria da prefeitura não respondeu ao GLOBO.

Veja a matéria completa em:

http://oglobo.globo.com/rio/com-obras-paradas-sapucaia-no-centro-sul-fluminense-tem-cenario-de-abandono-15690482

2014/03/31

Alguém se reconhece?

COLUNA DA REVISTA O GLOBO (30/3/2014)

Quem nunca?

Nem deu tempo de a Embratur soltar uma nota oficial indignada, como é de costume. Assim que a imprensa brasileira começou a reproduzir  as dicas com que, sob o título “Brasil para principiantes”, a Fifa pretendia informar os turistas que chegarão aqui para ver a Copa do Mundo sobre peculiaridades do comportamento brasileiro, a toda poderosa dona do campeonato mundial de futebol retirou o texto do ar.

Não precisava. Afinal, não é isso que os brasileiros fazem quando o mesmo campeonato acontece em países supostamente exóticos? Lembro-me muito bem das incontáveis reportagens publicadas na imprensa daqui sobre o hábito de os coreanos comerem carne de cachorro nas refeições quando aconteceu a Copa de Japão-Coreia. Depois, a gente descobriu que carne de cachorro nem era tão comum assim nos cardápios de lá, mas não vi nenhuma autoridade coreana reclamando. Durante as Olimpíadas da China, nossos repórteres não se cansaram de chamar a atenção para o fato de os chineses terem o hábito de cuspir nas calçadas. Ninguém me avisou antes, mas eu mesmo descobri, durante a Copa da Alemanha, que alemães não consideram de bom tom passar dinheiro de uma mão para outra. No comércio, há sempre uma bandejinha ao lado do caixa para o freguês deixar as notas com o pagamento. O vendedor usa a mesma bandeja para deixar o troco. De mão para mão é falta de educação.

O texto da Fifa era respeitoso e bem humorado. “A pontualidade é um conceito muito flexível no Brasil”, constatou o autor do tal texto. E não é? Acho até que ele foi condescendente dizendo que, em qualquer encontro, “o normal é contar com uns 15 minutos de atraso”. Quinze minutos? Já vi gente aparecer com meia hora de atraso em reuniões e se surpreender por ver que os outros participantes já tinham chegado. “Puxa, mas eu cheguei praticamente na hora!”

Diz a Fifa: “Os brasileiros e as brasileiras não estão familiarizados com o costume da Europa de manter distância como uma norma de cortesia e conduta. Eles falam com as mãos e não evitam de tocar o interlocutor.” É a mais pura verdade. Pior: quando estão na Europa, muitos brasileiros continuam se comportando assim (chamar a atenção de alguém que está de costas tocando no ombro, por exemplo) e nem percebem o sustos que os locais levam quando são tocados.

O texto acrescentava que nós não gostamos de filas e sempre damos um jeito de ser mais inteligentes conseguindo um lugar na frente. Alguém tem coragem de dizer que isso é mentira? Num ponto, pelo menos, a FIFA foi precisa: que país é este em que as mulheres desfilam nuas no carnaval, mas o topless não é aceito nas praias? Um dos lembretes é daqueles que não há como reclamar: no Brasil, não se fala espanhol. Neste ponto, a Fifa foi mais irônica com os turistas do que conosco.

Talvez a Fifa tenha agido certo ao retirar o texto do ar. Mais cedo ou mais tarde, a própria presidente Dilma usaria a prerrogativa de convocar uma rede nacional de televisão para reclamar das “críticas” da Fifa. E iria dizer que nós somos pontuais, não tocamos em ninguém, que respeitamos filas, que até ela, a presidenta, faz topless quando lhe dá na telha e que o espanhol é nossa segunda língua. Antes que a crise diplomática se estabelecesse, a Fifa voltou atrás. Quando fizer o próximo “Brasil para principiantes” pode acrescentar que brasileiros não admitem que estrangeiros analisem seu comportamento. Isso só brasileiro pode fazer.
 
Artur Xexéo
 

2013/07/24

Taxa de desemprego sobe para 6% em junho, a maior desde abril de 2012

RIO - A taxa de desemprego das seis maiores regiões metropolitanas do país subiu para 6% em junho, informou nesta quarta-feira o IBGE. Em maio, o tinha sido de 5,8%. É a maior taxa desde abril de 2012, quando o indicador também ficou em 6%. Em junho do ano passado, o percentual foi de 5,9%.

Na passagem de maio para junho, houve queda de 0,2% na renda do trabalhador, para R$ 1869,20. Já na comparação com junho do ano passado, houve alta de 0,8%. A massa de rendimento real habitual somou R$ 43,4 bilhões, estável em relação à leitura anterior.

No semestre, a taxa de desemprego está em 5,7%. No mesmo período de 2012, tinha sido de 5,9%.
— Estamos ainda com um ano mais favoravel que no ano passado — disse Cimar Azeredo, gerente de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Dados divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontaram que o mercado formal de trabalho abriu em junho 123.836 vagas, já descontando as demissões. Esse número ficou ligeiramente acima do que foi registrado no mesmo mês do ano passado, quando 120.440 vagas foram geradas.

No acumulado no primeiro semestre do ano, o resultado divulgado é o mais baixo desde junho de 2009, quando a criação de vagas atingiu 397.936 postos de trabalho.


Clarice Spitz 
Publicado:
Atualizado: