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2023/05/22

Desemprego no Brasil sobe no primeiro trimestre de 2023

 

A taxa de desocupação do país no primeiro trimestre de 2023 atingiu 8,8%, alta de 0,9 ponto percentual ante o quarto trimestre de 2022, quando o índice ficou em  7,9%.

CNN

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A taxa de desemprego no Brasil subiu em 16 das 27 Unidades da Federação no primeiro trimestre de 2023, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos demais estados, a taxa ficou estável.

Segundo o IBGE, o aumento da desocupação e a queda da ocupação, de forma simultânea, resultaram no crescimento da taxa de desocupação nas grandes regiões.

Os estados com as maiores taxas de desocupação foram Bahia (14,4%), Pernambuco (14,1%) e Amapá (12,2%).

G1

2019/12/16

'Prévia' do PIB do BC registra alta de 0,17% em outubro

O nível de atividade da economia brasileira registrou crescimento em outubro. É o que indicam os resultados de outubro do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) divulgados na sexta-feira (13) pelo Banco Central (BC).
O indicador é considerado uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
O IBC-Br apresentou uma expansão de 0,17% em outubro, na comparação com o mês anterior. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).
Na comparação com outubro do ano passado, o índice apresentou crescimento de 2,13%.
Os números do BC mostram que outubro foi o terceiro mês seguido de crescimento da atividade econômica. Porém, a alta apresentou desaceleração na comparação com setembro – quando foi registrado um aumento de 0,48%.
 
Evolução do IBC-Br
Em %, frente ao mês anterior
Fonte: Banco Central
De acordo com o Banco Central, na parcial do ano, foi registrada uma alta de 0,95% e, em 12 meses até outubro, um crescimento de 0,96% do IBC-Br. Esses valores foram calculados sem ajuste sazonal, pois consideram períodos iguais.

3º trimestre e previsões


De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 0,6% no 3º trimestre, na comparação com os três meses anteriores.
Segundo economistas ouvidos pelo G1, o PIB deve manter um ritmo de retomada gradual no último trimestre deste ano e ao longo do próximo, mas sem apresentar um crescimento robusto.
Na semana passada o mercado financeiro estimou uma expansão econômica de 1,10% para este ano e de 2,24% para 2020.

PIB e IBC-Br


O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.
O cálculo dos dois têm diferenças. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

Definição dos juros básicos da economia


O IBC-Br ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.
Atualmente, a taxa Selic está em 4,5% ao ano, na mínima histórica, e a avaliação do mercado é de que o ciclo de corte dos juros está próximo do fim.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
 
Por Alexandro Martello, G1 — Brasília
 
c/ed.

2019/12/11

Vendas do varejo sobem em outubro e têm 6º mês seguido de alta, diz IBGE

Setor passou a acumular avanço de 1,6% no ano e de 1,8% nos 12 meses encerrados em outubro

Por Bruno Villas Bôas, Valor — Rio
 
O volume de vendas no varejo subiu 0,1% de setembro para outubro, feitos os ajustes sazonais, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ante outubro de 2018, houve aumento de 4,2%. Dessa forma, o setor passou a acumular elevação de 1,6% no ano e de 1,8% nos 12 meses encerrados em outubro.
 
Com o pequeno avanço, o varejo completa seis meses consecutivos de aumento das vendas. Em setembro, o setor havia registrado expansão de 0,8% ante o mês anterior, dado revisado de alta de 0,7% anteriormente divulgada.

A leitura do antepenúltimo mês de 2019 veio ligeiramente acima da mediana das estimativas de 32 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de estabilidade. O intervalo ia de queda de 0,6% a aumento de 0,7%.
 
O IBGE também informou que a receita nominal (que não desconta a inflação) do varejo cresceu 0,5% na passagem de setembro para outubro e 5,2% perante um ano antes.

Varejo ampliado


O volume de vendas no varejo ampliado — que inclui o comércio de automóveis e material de construção, além de mais oito ramos do varejo — registrou elevação de 0,8% de setembro para outubro e de 5,6% em relação a um ano antes. No ano, houve alta de 3,8%, mesmo percentual registrado nos últimos 12 meses.
Em outubro, perante um mês antes, as vendas de veículos, motos, partes e peças cresceram 2,4% ao passo que as venda de material de construção avançaram 2,1%.
Já a receita nominal (que não desconta a inflação) do varejo ampliado subiu 1,1% na passagem de setembro para outubro e teve elevação de 6,6% ante outubro de 2018.

Atividades


Das oito atividades do varejo, seis apresentaram crescimento nas vendas de setembro para outubro, conforme o IBGE. Apesar da variação pequena no comércio varejista no período, a abertura do indicador mostra que houve espalhamento de taxas positivas no setor do país, mesmo após uma sequência de seis meses de aumento.
 
Dos ramos acompanhados pelos IBGE, houve alta em combustíveis e lubrificantes (+1,7%), tecidos e vestuários (+0,2%), móveis e eletrodomésticos (+0,9%), artigos farmacêuticos e perfumaria (+1,2%), material de escritório e informática (+5,3%) e outros artigos de uso pessoal (+0,3%), ramo que concentra grandes lojas de departamento.
 
“Foi um mês de espalhamento de taxas positivas no mês”, disse Isabella Nunes, gerente da pesquisa, durante coletiva no Rio. “O ramo de móveis e eletrodomésticos chamam atenção, já que seguiram crescendo mesmo após forte alta no mês anterior (+6,2%), o que está ligado ao crédito e juros.”
 
O varejo não cresceu mais em outubro porque o setor de maior peso na pesquisa, o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, apresentou queda de 0,1% no período, após cinco meses consecutivos de alta, período em que acumulou expansão de 4%.
 
“O setor passou por uma acomodação após o longo período de crescimento”, disse Isabella.
 

2019/12/03

Brasil: PIB cresce 0,6% no 3.º trimestre

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro
 

2019/12/02

Alta na produção de embalagens sinaliza crescimento da indústria

Em outubro, o setor bateu recorde. As fábricas de embalagens produziram mais de 334 mil toneladas de caixas, acessórios e chapas de papelão, aumento de 2,7% em relação a 2018.

Por Jornal Nacional
 
       

 
Fábricas de papelão batem recorde de produção
Fábricas de papelão batem recorde de produção
No mundo da economia, existem setores que são sempre os primeiros a dar sinais de que as coisas estão melhorando. Um desse setores bateu recorde histórico de produção no mês de outubro.
Máquina em velocidade acelerada para terminar as últimas encomendas do ano.
As fábricas de embalagens tradicionalmente aumentam as vendas nesta época do ano, por conta dos presentes de Natal. Mas, em 2019, o aumento foi ainda maior. É um dos sinais de que a produção industrial vem crescendo. Outras fábricas estão encomendando mais caixas, pacotes, para embalar tudo que produzem.
Em outubro, o setor bateu recorde. As fábricas de embalagens produziram juntas, pela primeira vez, mais de 334 mil toneladas de caixas, acessórios e chapas de papelão, um aumento de 2,7% em relação ao mesmo mês de 2018.
Na fábrica da família de Daniel Leiner, o crescimento em 2019 foi de 10%.
 
“Eu acredito que isso que estamos vivenciando agora na embalagem vai aparecer para o consumidor e para o mercado como um todo em poucos meses”, disse ele.
O papelão é considerado um dos termômetros da economia. O empresário já viu a temperatura subir e descer nos últimos anos. Em 2015, no Jornal Nacional, ele lamentava a queda nas encomendas.
 
“Pior do que está não vai ficar. As coisas tendem a melhorar."
Mas pioraram. Em 2016, o setor teve a menor produção dos últimos anos. Daniel demitiu funcionários.
Hoje, as vagas já voltaram a ser ocupadas e mais 35 operários começam a trabalhar ainda em 2019. E a expectativa desse especialista é que essa retomada se consolide em todos os setores.
 
“Está havendo uma recuperação no nível de emprego, que já está refletida na chamada massa de salários de todo o país. E é por isso que, inclusive, alguns analistas estão explicando as razões para o aumento do consumo, para o consumo de energia residencial e, aí vem na esteira de todo esse processo, o uso de embalagens”, disse o economista José Pio Martins.
Na empresa de Sérgio Froguel, 12 vagas estão abertas.
 
“Temos um quadro todo desenhado para que 2020 tenha um aumento significativo no nosso número de negócios”.
 
Nilson Alves da Cruz é um dos que conseguiram emprego na esteira desse crescimento. Foi contratado em novembro, depois de dois anos vivendo de bicos.


 

2019/07/29

Plano Guedes: o pacote de medidas do ministro para destravar a economia

 
VOAR DE VERDADE - Guedes: o ministro rege uma série de mudanças que provocarão impactos pelas próximas décadas (Daniel Marenco/Agência O Globo)


Para além da Nova Previdência e do FGTS, governo vai lançar mudanças estruturais para tirar o Brasil do atraso

Economia

Por Machado da Costa, Victor Irajá, Thiago Bronzatto jul 2019, 06h50
26 jul 2019, 09h16 - 
Não, não foram poucos os brasileiros que, naquele histórico 17 de abril de 2016 — data em que o plenário da Câmara aprovou o impeachment da presidente Dilma Rous­seff —, imaginaram estar vivendo o fim de um pesadelo coletivo. A partir dali, supunham, o país reencontraria o norte da prosperidade econômica. No entanto, mais de três anos depois, o Brasil ainda está longe de concretizar o sonho do crescimento. Os números são pífios. E o desemprego se encontra nos patamares mais altos desde o fim da década de 90. Entre estudiosos, é consenso que, apesar da bonança dos anos 2000, nenhum presidente conseguiu tirar o país da armadilha da renda média — mal que acomete as nações que batem em um teto de desenvolvimento e não são capazes de dar o salto para se tornar ricas. VEJA ouviu o parecer de economistas de relevo sobre o cenário nacional (leia a opinião de alguns nos destaques). Para tirar o país do atoleiro, Jair Bolsonaro confia que poderá mudar tal quadro por meio de um auxiliar a quem concedeu status de superministro: Paulo Guedes, o titular da pasta da Economia. Após sete meses de um esforço quase exclusivo em defesa da reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno pelos deputados federais, Guedes promete anunciar nas próximas semanas a conclusão de uma série de medidas — detalhadas nesta reportagem — que, somadas, vão destravar cerca de 4 trilhões de reais em uma década e podem dobrar o PIB per capita brasileiro nos próximos dez anos. Na falta de um nome oficial, o arsenal do ministro vem sendo chamado de “Plano Guedes”.
 
A ambição é deixar para trás, de uma vez por todas, os voos de galinha da economia nacional, levando-a a alcançar velocidade de cruzeiro. Tudo isso sem injeção de recursos, afinal as contas públicas apresentam déficit há quatro anos. E sem perda de tempo — logo após a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara, em 12 de julho, Paulo Guedes convocou seus nove secretários especiais para discutir os próximos passos. O entendimento foi o de que a prioridade é criar um bom ambiente de negócios para estimular a retomada dos investimentos. A ideia encontra eco em personagens que já estiveram nos sapatos do time de Guedes. “As pessoas começam a achar que só pelo fato de aprovarmos a reforma da Previdência retomaremos o crescimento”, afirma Raul Velloso, que participou da equipe econômica do governo de José Sarney. “A Nova Previdência virou o grande assunto do país, porém demora a trazer retorno, e é preciso estimular os investimentos privados”, conclui. De fato, a agenda do ministro Guedes no primeiro semestre mostra que ele gastou boa parte do expediente no chamado corpo a corpo com parlamentares e governadores para defender as alterações nas regras da aposentadoria. Mas a chave virou. O ministério trabalha agora com afinco na construção de medidas de curto, médio e longo prazo para despertar o “espírito animal” na sociedade — termo cunhado pelo economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) para descrever o ímpeto empreendedor dos empresários.
 
As primeiras ações já estão aparecendo. Na quarta-feira 24, o governo liberou saques de até 500 reais nas contas ativas e inativas do FGTS e do PIS/Pasep. O time de Guedes, em conjunto com diretores e servidores da Caixa e do Banco do Brasil, emendou sete dias e varou madrugadas de trabalho para pôr de pé a medida, que trará uma injeção de 42 bilhões de reais à economia até o fim de 2020. Em outra frente, o ministro avisou que serão disponibilizados, até o fim deste ano, 120 bilhões de reais em depósitos compulsórios — dinheiro que os bancos precisam deixar reservado por determinação do Banco Central. Também é dada como certa pelo governo uma queda de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) do BC até dezembro, o que vai arrefecer em 40 bilhões de reais os gastos públicos com o pagamento de juros da dívida. As três medidas produzem um impacto direto sobre o mercado de crédito sem lançar mão dos subsídios praticados no passado, que fatalmente cobram a conta. Apesar de parecer óbvio que, com um endividamento de 62% das famílias brasileiras, segundo a Confederação Nacional do Comércio, grande parte dos recursos do FGTS será usada para o pagamento de dívidas, o perfil financeiro do brasileiro tende a apresentar uma melhora e, com isso, ele voltará a consumir. As ações, que colocarão dinheiro no bolso do povo, dos bancos e do próprio governo, somam aproximadamente 220 bilhões de reais — uma faísca claramente insuficiente para acender uma economia de 6,8 trilhões de reais. “Essa ideia de liberação do FGTS é uma bala só, não resolve nada. É necessário um pacote de medidas que levem ao aquecimento da produtividade da economia”, alerta a economista Elena Landau, responsável pelo programa de privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. “Ainda faltam ações diretas para estimular o investimento”, reforça Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda no governo Dilma. Guedes sabe disso. Ele mesmo, no passado, se posicionava contra a medida por entender que se trata de um paliativo que não soluciona a questão estrutural do baixo crescimento. Sentado na cadeira de ministro, contudo, entendeu que alguma atitude emergencial era necessária.

Guedes cedeu, todavia segue em seu plano firme de deitar as bases estruturantes de um ambiente de negócios mais livre e próspero. As ações que se desenvolverão ao longo deste ano e do próximo passaram a ser tratadas como prioridade. Já foi anunciado o Novo Mercado do Gás, para quebrar o monopólio da Petrobras no setor, o que deve baratear o custo da energia. Na próxima semana, serão revistas as resoluções normativas que regem as regras de segurança e saúde no trabalho — uma das pautas prioritárias da indústria para baratear a produção. Para facilitar a vida do empresário, já caminham no Congresso a Medida Provisória da Liberdade Econômica e uma proposta de reforma tributária que promete impulsionar a economia em 0,5% ao ano e ainda será alvo de adendos do governo (leia mais). No Executivo, andam a passos largos os trabalhos de digitalização e automatização do serviço público, que prometem cortar custos enquanto aumentam a produtividade do Estado.
 
Entre as medidas de médio prazo, que poderão ser sentidas ainda no próprio governo de Jair Bolsonaro — principalmente no caso de ele se reeleger em 2022 —, faltam avançar as colossais privatizações e novas negociações de acordos comerciais. Na terça 23, numa sinalização positiva para o ambiente de negócios, foi fechada a venda, por 9,6 bilhões de reais, de 30% da BR Distribuidora pela Petrobras — que assim perdeu o controle acionário. O valor é menos de 1% do total de dinheiro privado que a administração Bolsonaro quer angariar com a venda de empresas, bens e concessões públicas. Um estudo elaborado pelo Bank of America e entregue ao Executivo brasileiro revela o mapa das oportunidades de negócios nas privatizações. Segundo o banco, o Estado tem um total de participações de difícil venda no valor de 734,3 bilhões de reais e de participações mais fáceis de ser vendidas no montante de 389,7 bilhões de reais. Nessa frente, o governo espera levantar até 100 bilhões de reais ainda neste ano — a prioridade é a venda dos Correios, Eletrobras, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda. Até 2022, mais de 390 bilhões em vendas de estatais estão previstos. Além da venda de ativos, concessões de serviços como ferrovias, estradas e aeroportos devem trazer mais 115 bilhões ao caixa do governo. Somando-se a esses valores os desinvestimentos do BNDES (que tem participação em empresas como Vale, JBS e Bombril), a devolução de recursos por bancos públicos e a venda de imóveis da União, um total de 990 bilhões de reais — quase a economia inteira do Chile — faz brilhar os olhos de Paulo Guedes. A ideia é despejar a maior parte desse dinheiro na dívida do país.
 
De acordo com o economista Alexandre Schwartsman, todas essas providências não serão suficientes para destravar a economia em 2019, entretanto são capazes de afastar o risco de uma explosão nas contas públicas. “Este ano está perdido, mas começamos a dar passos importantes com as reformas, o que atrasa, por enquanto, o risco de uma crise fiscal”, explica.
 
A abertura comercial, uma promessa de campanha de Bolsonaro, também segue a toda. Depois de liderar as tratativas pela assinatura do acordo que extingue tarifas comerciais nas transações entre a União Europeia e o Mercosul, a equipe econômica mira agora a maior potência do planeta. Na semana que vem, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, virá ao Brasil para discutir a criação de um ambiente livre de tarifas entre o bloco sul-americano e o país de Trump. O governo brasileiro espera concluir as negociações a partir de novembro, depois da eleição argentina. “Será um acordo interessante para o produtor porque ele terá acesso às tecnologias americanas e poderá também ampliar suas exportações”, destaca o secretário de Comércio Exterior, Marcos Troyjo.
 
Um ponto crucial no Plano Guedes é a redução das taxas bancárias. Desde a saída de Dilma, a Selic caiu de 14,25% para 6,5% ao ano — o menor índice da história. As taxas cobradas ao consumidor, contudo, não seguiram o mesmo ritmo. Os juros do cartão de crédito, por exemplo, fecharam 2016 em 484% ao ano e estão, agora, em 300%. Além da pouca concorrência, a falta de fundamentos mais sólidos para a atividade bancária impede uma queda mais rápida dos juros impostos aos correntistas. São dois os fatores que merecem ser atacados com agilidade, na visão de Gustavo Loyola, ex-presidente do BC. O primeiro é a revisão de legislação que rege as garantias bancárias. E o segundo é o fortalecimento do mercado de renda fixa. Afora isso, os operadores do mercado financeiro precisam confiar que a Selic ficará em patamares baixos por um período maior. “Numa situação de aperto do mercado consumidor, desemprego e máquinas ociosas, podem-se manter os juros baixos por tempo prolongado. A Selic poderia cair até 5% neste ano”, acredita ele. Apesar de não ter gestão sobre o Banco Central, Guedes acompanha de perto a agenda que está sendo tocada pela autoridade monetária. Junto de Roberto Campos Neto, presidente do BC, o governo estuda anunciar dezessete medidas de impacto nos próximos três meses. “A retomada da economia passa pelo fortalecimento do mercado de capitais, por isso, em conjunto com o Banco Central e outros órgãos, estamos para concluir essa agenda”, diz Waldery Rodrigues, secretário de Fazenda. O governo quer dar mais transparência, melhores condições de preços no mercado e educação para que as pessoas saibam como alocar os recursos. Em um cenário global de quedas acentuadas dos juros, o momento é ideal para encampar a bandeira no país.
 
Todas as medidas do BC, que podem adicionar 1,2% ao crescimento do PIB em quatro anos, visam a uma reformulação do sistema financeiro a longo prazo, assim como duas ações que o Ministério da Economia vai protagonizar a partir de 2020. Está sendo gestada na Secretaria de Fazenda a PEC do Pacto Federativo, para redistribuir o controle de recursos que hoje ficam nas mãos da União. Guedes tem a convicção de que estados e municípios são mais eficientes em alocar recursos em políticas regionais que os órgãos em Brasília. Por último, a reforma administrativa, embrionária, promete abrir caminho para a revisão dos planos de carreira de servidores públicos e para o fim da estabilidade. Evidentemente, essas medidas precisam passar pelo Congresso, mas as lideranças das duas Casas (em especial o presidente da Câmara, Rodrigo Maia) já deram sinais de que abraçam as causas a favor dos brasileiros. “É muito bom escutar do próprio Parlamento que há um interesse mútuo para avançar na questão da reforma administrativa”, observa Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional.
 
Se Guedes conseguir uma performance perfeita e conquistar vitórias com essa série de propostas, de fato o país poderá se livrar do peso do Estado na economia. A dificuldade será o ministro desvencilhar-se dos grupos de interesse e das falas desastradas de Jair Bolsonaro, como bem resume o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real: “O ambiente político horrível em que vivemos desde o impeachment traz enorme indefinição e incerteza. Enquanto persistir esse clima, ninguém vai investir”. O Plano Guedes pode mudar isso. Se o fizer, o “Posto Ipiranga”, como o ministro foi apelidado por Bolsonaro logo no início da campanha, terá ajudado a promover uma, por assim dizer, segunda independência do Brasil — e, desta vez, calcada em um desenvolvimento sustentado.
 
Publicado em VEJA de 31 de julho de 2019, edição nº 2645
 
 


 









 
 







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

2019/02/14

Na contramão da crise, Sicoob inicia 2019 com resultado positivo de R$ 3,12 bilhões

O Sicoob, maior sistema financeiro cooperativo do país, inicia o ano de 2019 com crescimento de 12,2% em relação ao ano anterior e um resultado de R$ 3,12 bilhões.

A performance positiva se reflete também nas operações de crédito bruto, que registraram R$ 54,6 bilhões, um avanço de 20,4% em relação a 2017. Já os ativos chegaram a R$ 104,2 bilhões com acréscimo de 15,2%.
Outro número relevante é o crescimento de novos cooperados: foram 616 mil em 2018, alcançando a marca de 4,4 milhões de pessoas que hoje contam com o amplo portfólio de produtos e serviços financeiros oferecidos pelas cooperativas.
A rede de atendimento chegou a 2.899, um acréscimo de 244 novas agências. Consequentemente, a oferta de emprego avançou em 5,9% no Sistema, número positivo diante do cenário de desemprego que o país enfrenta.
O patrimônio líquido somou R$21,3 bilhões, uma alta de 15% se comparado ao exercício de 2017. Os depósitos do Sistema somaram R$ 64,8 bilhões, aumento de 16,4% em relação ao ano anterior, com destaque para a poupança que evoluiu 34,6% e os depósitos à vista que cresceram 30,6%. Os depósitos a prazo avançaram 14,3%.
Outro grande destaque das cooperativas financeiras é em relação as taxas de juros: em 2018, o Sicoob registrou taxa média no crédito pessoal de 1,9% ao mês (25,6% ao ano), enquanto os bancos tradicionais praticaram, em média, 6,8% ao mês (120,5% ao ano).


c/ed.