Ex-presidente do BC está otimista com retomada da economia
Por Bruno Villas Bôas — Do Rio
A piora dos indicadores econômicos em novembro não preocupa Francisco Lopes. Ex-presidente do Banco Central, ele está otimista com a recuperação da economia. Para Lopes, o Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá chegar a crescer acima de 3% no terceiro trimestre de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019.
“Eu vejo a economia consolidando um ritmo de crescimento de 3% ao ano. E, para isso acontecer, é preciso que o investimento cresça acima disso, em 5% ao ano. É factível se a construção civil andar”, diz o economista, dono da consultoria Macrométrica, em entrevista o Valor.
Acho absolutamente irrelevante essas minicrises do governo do ponto de vista da organização econômica”
No início de 2019, Lopes também estava otimista com a atividade, cenário que não se confirmou. Segundo ele, eventos como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) e a piora da economia argentina pesaram no resultado, além da forte queda da construção civil no primeiro trimestre do ano passado.
Lopes avalia ainda que a série de polêmicas do governo Bolsonaro não afeta em nada a organização da economia. “Se conseguirmos crescer 3% ao ano nos próximos 20 a 30 anos, ficaremos parecidos com países desenvolvidos mais pobres, como Espanha. É só questão de não fazer maluquice, não querer fazer milagre”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Valor: Indicadores sugerem uma “rateada” na atividade econômica em novembro. Foi um soluço ou há perda de ritmo da recuperação?
Francisco Lopes: Na indústria de transformação vi algo mais fraco por causa do setor automobilístico, um efeito da economia da Argentina. Quando ficou claro que Mauricio Macri perderia as eleições presidenciais, houve uma desaceleração. Só que dois terços do PIB brasileiro são formados por serviços, um setor difícil de ser acompanhado. É muito amplo, com comportamento estranho, vide a dificuldade do Banco Central de acompanhá-lo em seu indicador mensal de atividade. Mas não creio tenha havido desaceleração da retomada da economia. Para mim, há soluços. No ano de 2019, em geral, existe um impressão de baixo crescimento, o que tem a ver com impactos ao longo do ano.
Valor:Em artigo no Valor, o senhor diz que a economia cresceu mais rapidamente em 2019 do que a média anual do PIB sugere. A economia finalmente engrenou?
Lopes: As projeções do boletim Focus são de crescimento de 1,17% do PIB em 2019. Olhar para a média anual do PIB não é tão complicado em condições normais, mas é em períodos de oscilação. A média do ano fica contaminada pelo ano anterior. Neste caso, é melhor comparar o PIB do quarto trimestre com o mesmo período do ano anterior, que chamo de “4T”. As projeções do Focus embutem uma taxa de crescimento de 1,8% do PIB no quarto trimestre, frente ao mesmo período de 2018. Em 2020, no terceiro trimestre, a economia estará crescendo mais de 3% frente ao terceiro trimestre de 2019. Se tudo estiver arrumado, nada freando, a economia tende a crescer em ritmo normal. Tivemos tanto tempo de recessão que ficamos com a ideia que o normal é a economia não crescer. Precisamos explicar o porquê de o PIB crescer, o que é uma deformação. Antes, não era assim. Todos achavam normal crescer 4% ao ano durante o governo Lula. Mas tivemos a recessão do governo Dilma Rousseff e, depois, recuperação lenta do governo Michel Temer, nesse caso muito devido a fatores como a greve dos caminhoneiros e a crise econômica da Argentina.
Valor:No início de 2019 o senhor também estava otimista com a atividade, mas o otimismo não se confirmou. O que houve?
Lopes: Alguns pontos fundamentais ocorreram. Um é a extrativa mineral, o efeito do rompimento da barragem de Brumadinho, e como afetou decisões operacionais da Vale na extração de minério. O impacto de Brumadinho se prolongou ao longo do ano. Outro importante impacto veio da indústria automobilística, com crise da economia da Argentina, que é muito integrada ao Brasil. O crescimento baixo, olhando para o desempenho médio do ano, tem muito a ver com o resultado da atividade no primeiro trimestre: o PIB cresceu apenas 0,6% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. A construção civil teve forte queda no primeiro trimestre. Tem a ver também com os gastos do setor público.
Valor:Então, o que deve puxar essa aceleração da atividade em 2020? Consumo das famílias e investimento ou apenas o primeiro?
Lopes: O consumo das famílias vai crescer como resultado do avanço da renda. Mas o que vai puxar o PIB é a formação bruta de capital fixo, que é a construção civil e os bens de capital. É isso que cresce pouco e que precisa voltar a crescer mais. Eu vejo a economia consolidando um ritmo de crescimento de 3% ao ano. E, para isso acontecer, é preciso que o investimento cresça acima do PIB, em 5% ao ano. Isso é factível se a construção andar. No governo Lula, a construção crescia, no mínimo, 6% ao ano. Eram obras de metrô, Copa do Mundo, Olimpíada. Com essa expansão veio também a Lava-Jato. Além disso, o setor crescia bastante alavancado e, de repente, mergulhou em uma forte crise, tornando-se bastante fragilizado. Muitas empresas ficaram em situação patrimonial difícil. Veremos a partir de agora um trabalho de reconstrução. Também por isso achei interessante o ministro Paulo Guedes anunciar que vai deixar construtoras estrangeiras entrarem no mercado.
Valor:A escola de Chicago ensina que a iniciativa privada assume o espaço deixado pelo governo quando há reformas e a redução da participação do setor público. Isso já está acontecendo?
Lopes: O PIB Administração, Saúde e Educação Pública deverá ficar próximo a zero ou negativo, limitado pelo teto dos gastos. Esse crescimento nulo tem impacto negativo de 0,5 ponto do PIB. Então, o setor privado precisa ocupar esse espaço. Isso também depende da recuperação da construção civil. O setor imobiliário está se recuperando, principalmente em São Paulo. Se a economia der sinais de que vai crescer mais, a produção de bens de capital acompanha. O Brasil saiu da UTI, está no quarto. Não tem risco de morte. A economia é como o nosso organismo, tende a melhorar, se recuperar. Não faz sentido a construção civil ficar no negativo se a coisa voltar ao normal. O emprego melhora, a massa salarial melhora. Bem ou mal, os serviços se recuperam.
Valor:Dentro desse cenário de recuperação mais acelerada, como ficam a inflação e os juros?
Lopes: Tivemos um ruído recente na inflação, com os preços das carnes. Vamos ver taxas de inflação na faixa de 1% em dezembro e janeiro. Mas não é um tendência para os preços, é um choque, bem identificado. Não vai exigir nenhuma reação do Banco Central. A dúvida é só a velocidade que o preço da carne vai cair. Estou prevendo que o IPCA Alimento ficará com taxa negativa a partir de março. Nesse cenário, a Selic deve ficar congelada nesse patamar de 4,5% ao ano. Com a Selic nesse nível e a inflação nesse nível, temos uma taxa real efetiva da Selic abaixo de 1%. Já é uma taxa altamente estimulativa.
Valor:O governo federal quer enviar as reformas tributária e administrativa ao Congresso antes do Carnaval e tentar aprová-las neste ano. O senhor está otimista com o andamento das reformas?
Lopes: Não vejo grande sucesso como foi a reforma da Previdência, mas pode ter pequenos ganhos de aumentar a eficiência do setor público, desburocratização, simplificação. Criam ambiente favorável ao negócio. Sou otimista com o Brasil porque temos uma construção institucional nos últimos 30 anos, que foi consequência não do liberalismo atual, mas da social-democracia, como o plano Real, o Banco Central bem aparelhado e o programa de teto de gastos. Se o Brasil consolidar uma trajetória de crescimento de 3% ao ano, poderá apresentar avanço de 2,5% de PIB per capita ao ano, já que o crescimento demográfico está baixo. Sou otimista nesse sentido, não precisamos crescer 6% ou 7% como os países asiáticos. Se conseguirmos crescer 3% nos próximos 20 a 30 anos, ficaremos parecidos com países desenvolvidos mais pobres, como Espanha. É só questão de não fazer maluquice, não querer fazer milagre. Quando comparamos o Brasil com países como Argentina, por exemplo, vemos como avançamos. Mercados funcionam, governo funciona.
Valor:O governo vive numa sucessão de polêmicas, o presidente ou seus ministros. Como isso pode atrapalhar?
Lopes: Acho absolutamente irrelevante essas minicrises do governo do ponto de vista da organização econômica. Não existe isso. Tudo está sendo feito dentro de um projeto do ministro Paulo Guedes, que é liberal, o que empresários gostam: reduzir governo, intervir menos, reduzir impostos. É claro que qualquer empresário olha a política e vê um bando de gente brigando. E vai dizer publicamente que está preocupado porque o meio ambiente é fundamental. Mas, na hora de investir Se ele acha que tem mercado, vai investir.
O nível de atividade da economia brasileira registrou crescimento em outubro. É o que indicam os resultados de outubro do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) divulgados na sexta-feira (13) pelo Banco Central (BC).
O indicador é considerado uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
O IBC-Br apresentou uma expansão de 0,17% em outubro, na comparação com o mês anterior. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).
Na comparação com outubro do ano passado, o índice apresentou crescimento de 2,13%.
Os números do BC mostram que outubro foi o terceiro mês seguido de crescimento da atividade econômica. Porém, a alta apresentou desaceleração na comparação com setembro – quando foi registrado um aumento de 0,48%.
Evolução do IBC-Br
Em %, frente ao mês anterior
Fonte: Banco Central
De acordo com o Banco Central, na parcial do ano, foi registrada uma alta de 0,95% e, em 12 meses até outubro, um crescimento de 0,96% do IBC-Br. Esses valores foram calculados sem ajuste sazonal, pois consideram períodos iguais.
O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.
O cálculo dos dois têm diferenças. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.
Definição dos juros básicos da economia
O IBC-Br ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Índice de atividade econômica do BC foi criado para tentar antecipar resultado do PIB. Em maio, o índice conhecido como 'prévia do PIB' registrou alta de 0,54%.
Por Laís Lis, G1 — Brasília
15/07/2019 08h40 Atualizado há 2 horas
Após quatro quedas consecutivas, o nível de atividade da economia brasileira registrou uma leve alta em maio, na comparação com o mês de abril, de acordo com os números divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (15).
Segundo a instituição, o chamado Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou uma alta de 0,54% neste período. O número foi calculado com "ajuste sazonal", uma "compensação" para comparar períodos diferentes de um ano.
O IBC-Br, do Banco Central, é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com maio de 2018, houve uma alta de 3,06% na atividade econômica. Na parcial do ano, foi registrada uma alta de 0,94% e, em 12 meses até maio, um crescimento de 1,31%. Esses valores foram calculados sem ajuste sazonal, pois consideram períodos iguais.
Evolução do IBC-Br
EM % NA COMPARAÇÃO COM O MÊS ANTERIOR (APÓS AJUSTE SAZONAL)
Fonte: Banco Central
Novas previsões
Na semana passada, o Ministério da Economia reduziu sua previsão de crescimento para o ano de 1,6% para 0,81%. Para 2020 a previsão de crescimento do PIB caiu de 2,5% para 2,2%.
PIB X IBC-Br
O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.
O cálculo dos dois é um pouco diferente – o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.
Dados publicados pelo Banco Central dão dimensões precisas à explosão das manobras conhecidas como pedaladas fiscais no governo Dilma Rousseff.
As pedaladas –o uso de dinheiro dos bancos federais em programas de responsabilidade do Tesouro Nacional– são a base do pedido de impeachment contra Dilma.
Os números do BC põem em xeque a tese principal da defesa da presidente, segundo a qual seus antecessores também adotaram a prática.
Por determinação do TCU (Tribunal de Contas da União) o BC calculou os atrasos em repasses do Tesouro aos bancos federais e ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) desde 2001, no governo FHC.
Os valores mostram uma tendência de alta a partir do final do governo Lula e uma disparada sob Dilma.
Ao final do governo tucano, a conta do Tesouro a ser saldada com seus bancos era de R$ 948 milhões –em outras palavras, esse era o valor que, no atual entender do TCU, deveria ser acrescentado à dívida pública.
Ao final do ano passado, a conta se aproximava dos R$ 60 bilhões, finalmente pagos, por determinação do tribunal, em dezembro.
Dilma já argumentou que a diferença de valores está relacionada à expansão da economia brasileira e do Orçamento da União desde a década passada. Mesmo quando são levados em conta os cenários diferentes, a discrepância de valores permanece.
Entre 2001 e 2008, o impacto das pedaladas na dívida pública oscilou, sem tendência definida, entre 0,03% e 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto, medida da riqueza nacional); a partir de 2009, o crescimento é contínuo, até chegar ao pico de 1% do PIB.
CRIME OU NÃO
A escala das cifras é importante em uma discussão crucial em torno do processo de impeachment –se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade.
O Tesouro repassa regularmente recursos a seus bancos para a execução de programas de governo. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, paga o Bolsa Família, o seguro-desemprego e benefícios previdenciários.
Eventualmente, os repasses são insuficientes para os pagamentos. Nesses casos, os bancos usam recursos próprios para manter os programas em funcionamento, e o dinheiro é ressarcido depois pelo Tesouro.
Ao reprovar as contas do governo de 2014, o TCU considerou ter havido, na prática, empréstimos dos bancos federais ao Tesouro, o que é crime, segundo a legislação. Para o governo, os atrasos eram práticas normalmente aceitas.
CONTAS MAQUIADAS
A legislação proíbe empréstimos de bancos a seus controladores porque a transação dá margem a fraudes: o banco terá óbvias dificuldades em cobrar a dívida e o controlador poderá se valer de dinheiro que pertence a correntistas e poupadores.
No caso do governo, a acusação é que as pedaladas serviram para maquiar a escalada insustentável das despesas do Tesouro –só depois da reeleição de Dilma o governo admitiu que fecharia o ano de 2014 no vermelho.
É visível que o uso do expediente ganhou novos patamares a partir de 2009, quando a administração petista reagiu aos efeitos da crise internacional com o aumento do crédito e do gasto público.
Naquele ano, foram lançados o Minha Casa, Minha Vida e o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), pelo qual o BNDES, banco oficial de fomento, passou a conceder financiamentos a taxas favorecidas.
O Tesouro deveria arcar com os subsídios dos dois programas, para evitar prejuízos da CEF e do BNDES. No entanto, o repasse desses recursos foi sendo sucessivamente postergado. O mesmo aconteceu com os subsídios do crédito agrícola, operado pelo Banco do Brasil.
O volume crescente de pagamentos em atraso passou a chamar a atenção de analistas, mas só foi condenado pelo TCU no exame das contas de 2014. A Folha questionou o Planalto sobre os dados do BC, mas não houve resposta até a publicação da reportagem.
A projeção de instituições financeiras para a queda da economia este ano passou pelo 11º ajuste consecutivo. Agora, a estimativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi alterada de 3,66% para 3,73%.
Para 2017, a expectativa de crescimento foi reduzida de 0,35% para 0,30% no terceiro ajuste seguido. As estimativas fazem parte do boletim Focus, publicação divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com base em projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
As instituições financeiras alteraram a projeção para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 7,31% para 7,28%, no quarto ajuste seguido. Para 2017, a estimativa segue em 6% há oito semanas consecutivas. As projeções ultrapassam o centro da meta que é 4,5%. O teto da meta é 6,5% este ano, e de 6% em 2017.
Taxa de juros
Em um cenário de retração da economia, as instituições financeiras esperam que o BC reduza a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa para a taxa ao final de 2016 passou dos atuais 14,25% para 13,75% ao ano. Para 2017, a mediana das expectativas (desconsiderando os extremos nas projeções) é que a Selic encerre o período em 12,50% ao ano.
Essa projeção de redução da Selic é feita mesmo com a afirmação do BC de que não trabalha com a possibilidade de flexibilização de política monetária. Em entrevista coletiva de apresentação do Relatório de Inflação, na última quinta-feira (31), o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, reforçou que não deve haver redução da Selic. “O mercado que se ajuste”, disse.
A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Comitê de Política Monetária (Copom) barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.
A pesquisa do BC também traz a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que foi ajustada de 7,43% para 7,41% este ano. Para o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 7,68% para 7,67%, em 2016.
A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) segue em 7% em 2016. A projeção para os preços administrados foi alterada de 7,30% para 7,40% este ano e mantida em 5,50% em 2017.
E o cálculo para a cotação do dólar passou de R$ 4,15 para R$ 4, no fim de 2016, e de R$ 4,20 para R$ 4,10, ao final do próximo ano.
Mercado reagiu mal à decisão do BC sobre juros e cena externa. A moeda norte-americana subiu 1,47%, vendida a R$ 4,1655.
O dólar fechou em alta em relação ao real nesta quinta-feira (21), acima de R$ 4,16, após a decisão do Copom de manter os juros em 14,25% ao ano. Diante das preocupações com o crescimento da China e com a queda do petróleo, os mercados também buscam investimentos considerados mais seguros, como o dólar, ajudando a impulsionar a cotação da moeda. Na véspera, a divisa fechou acima de R$ 4,10, após chegar a R$ 4,12.
Veja a cotação ao longo do dia: Às 9h09, alta de 1,06%, a R$ 4,1488. Às 9h20, alta de 1,09%, a R$ 4,15. Às 9h39, alta de 1,64%, a R$ 4,1724. Às 9h59, alta de 1,28%, a R$ 4,1577. Às 10h29, alta de 1,33%, a R$ 4,1597. Às 11h09, alta de 1,25%, a R$ 4,1564. Às 11h40, alta de 0,83%, a R$ 4,1394. Às 11h59, alta de 1,28%, a R$ 4,1576. Às 12h09, alta de 1,35%, a R$ 4,1607. Às 12h58, alta de 1,36%, a R$ 4,1612. Às 13h20, alta de 1,25%, a R$ 4,1567. Às 14h19, alta, de 0,89%, a R$ 4,1416. Às 14h59, subia 0,67%, a R$ 4,1325. Às 15h39, subia 0,66%, a R$ 4,1319 Às 16h24, subia 1,17%, a R$ 4,1530.
Mais cedo o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,1737. No ano, a moeda já subiu 5,51%. Nesta semana, a alta acumulada é de 2,96%.
Dólar turismo
O dólar turismo passava de R$ 4,40 nesta quinta-feira. Na Confidence, o dólar em espécie estava R$ 4,43 e no cartão pré-pago, R$ 4,66 (com IOF). Na Cotação, o valor para cada dólar em espécie era de R$ 4,42 e no cartão pré-pago, de R$ 4,65, também já com o IOF incluso. Na Vips Turismo, os valores eram de R$ 4,30 e R$ 4,55, respectivamente.
Dólar em 2016
Veja a variação do valor de fechamento em R$ no ano
Gráfico elaborado em 21/01/2016
Motivos da alta
"(A manutenção da Selic) é um baque na credibilidade do BC. É o pior dos mundos: o mercado questiona a autonomia do BC e as expectativas de inflação pioram", disse à Reuters o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.
Analistas ouvidos pelo G1 logo após o anúncio da decisão também afirmaram que a decisão coloca em dúvida a credibilidade do BC. "A percepção que eu tenho é que estão fazendo da política monetária um brinquedo para satisfazer algumas vaidades", disse Otto Nogami, professor de economia do MBA do Insper. "Talvez a decisão até seja correta, talvez a política monetária não consiga mais conter inflação. Mas a maneira como eles chegaram da manutenção foi um desastre, falando sobre a comunicação", afirmou João Ricardo Costa Filho, professor da Faculdade de Economia da FAAP.
Além de piorar as perspectivas para o fluxo de capitais ao Brasil, a decisão turbinou as incertezas nos mercados locais, que até o início da semana apostavam em elevação de 0,50 ponto percentual.
Nos mercados externos, a queda dos preços do petróleo mantinha o quadro de cautela que vem predominando desde o início do ano. A decisão da China de injetar recursos no mercado antes do feriado do Ano Novo Lunar, porém, limitava um pouco o mau humor externo.
Interferência do BC
O Banco Central brasileiro deu continuidade ao seu programa diário de interferência no câmbio, e realizou nesta manhã mais um leilão de rolagem dos swaps cambiais que vencem em 1º de fevereiro, vendendo a oferta total de até 11,6 mil contratos. Até o momento, o BC já rolou o equivalente a US$ 7,891 bilhões, ou cerca de 76% do lote total, que corresponde a US$ 10,431 bilhões.
As projeções de analistas para o PIB (Produto Interno Bruto) e para a inflação no Brasil em 2015 pioraram, de acordo com levantamento divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central (BC).
A expectativa é de que o PIB registre resultado de -2,85%. Essa foi a 12ª piora consecutiva na estimativa. Na semana anterior, a projeção era de -2,80%.
Para a inflação, a expectativa é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fique em 9,53% em 2015, a terceira alta seguida. A previsão anterior era de 9,46%.
A estimativa fica muito acima do limite máximo da meta do governo. O objetivo é controlar a alta dos preços em 4,5% ao ano, mas com tolerância de dois pontos para mais ou menos (ou seja, variando de 2,5% a 6,5%).
Para o dólar, a estimativa subiu de R$ 3,95, na semana passada, para R$ 4. Para a Selic, a taxa básica de juros, a previsão, de 14,25% foi mantida.
Projeções para 2016
Ao final do próximo ano, os analistas consultados pelo BC projetam que a inflação esteja em 5,94%, contra 5,87% na semana anterior. A previsão para o PIB foi mantida em -1% para 2016.
A previsão para o dólar ao final do próximo ano também foi mantida em R$ 4.
Entenda o que é o boletim Focus
Toda segunda-feira, o BC divulga um relatório de mercado conhecido como Boletim Focus, trazendo as apostas de economistas para os principais indicadores econômicos do país.
Mais de 100 instituições são ouvidas e, excluindo os valores extremos, o BC calcula uma mediana das perspectivas do crescimento da economia (medido pelo Produto Interno Bruto, o PIB), perspectivas para a inflação e a taxa de câmbio, entre outros.
Mediana apresenta o valor central de uma amostra de dados, desprezando os menores e os maiores valores.
No mês, R$ 2,45 bilhões deixaram a caderneta de poupança. Já no ano, evasão de recursos da poupança atinge R$ 40,99 bilhões.
A retirada de recursos da caderneta de poupança superou os depósitos em R$ 2,45 bilhões em julho deste ano, informou o Banco Central nesta quinta-feira (6). É a maior saída de valores, em meses de julho, desde o início da série histórica, em 1995. Também foi o sétimo mês consecutivo de retirada de recursos da caderneta.
CAPTAÇÃO DA POUPANÇA
Meses de julho, em R$ bilhões
Fonte: BC
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, a saída líquida (acima do valor dos ingressos) de recursos da poupança somou R$ 40,99 bilhões, também o maior valor da série histórica para este período. O montante supera, em muito, o valor de toda a entrada de recursos registrada no ano de 2014 fechado – que foi de R$ 24,03 bilhões
Saldo da poupança recua
Com a forte saída de valores da poupança neste ano, o volume total de recursos aplicados na caderneta recuou em 2015. No fim do ano passado, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 662,7 bilhões, passando para R$ 646 bilhões em junho. Em julho, somou R$ 648 bilhões. Neste cálculo, entram também os rendimentos creditados nas contas dos poupadores, que somaram R$ 4,13 bilhões em julho e R$ 26,5 bilhões na parcial deste ano.
CAPTAÇÃO DA POUPANÇA
Em R$ bilhões
Fonte: BC
Cenário econômico
A evasão de valores da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento difícil da economia, de alta da inflação, dos juros, dos impostos e, também, do endividamento das famílias. Neste ano, para tentar reequilibrar as contas públicas, o governo promoveu uma rodada de aumentos de tributos. Subiram tributos sobre carros, empréstimos, importados, cosméticos, combustíveis, bebidas e, também, sobre empresas, entre outros. Além disso, também foram limitados benefícios sociais, como o seguro-desemprego e o abono salarial, entre outros.
Rentabilidade baixa
Para completar o quadro, a poupança tem perdido atratividade frente a outros investimentos. Segundo análise da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), com a nova alta dos juros básicos, para 14,25% ao ano, a poupança tem perdido dos fundos de investimento "na maioria das situações".
Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5%, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).
"As cadernetas de poupança vão continuar interessantes frente aos fundos derenda fixa, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 2,50% ao ano", informou a Anefac, em comunicado à imprensa.
Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção de investimento somente em alguns casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.
Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.