Uma mancha no mar com cerca de 22 quilômetros quadrados –o equivalente a três campos de futebol– foi detectada por imagens de satélite na Bacia de Campos, principal produtora de petróleo do país.
O Ibama informou à Folha que investigará se a mancha é decorrente de vazamento de óleo.
A mancha foi detectada pelo oceanógrafo Gustavo Ortiz, por meio de imagem do satélite Sentinel-1A, captada às 6h05 de sexta-feira (29), a 195 quilômetros da costa, na direção do município de Cabo Frio (RJ).
Alertado pela reportagem, o Ibama iniciou no sábado (30) o processamento de imagens do mesmo satélite para verificar as suspeitas de um possível vazamento.
A bacia de Campos é responsável por 65% da produção brasileira de petróleo. São mais de 40 plataformas de produção e um intenso tráfego de embarcações, tanto para escoamento da produção, quanto para transporte de mantimentos para as plataformas.
Ainda não é possível confirmar que se trata de petróleo, diz o órgão ambiental. Por isso, a mancha é considerada uma "feição suspeita", termo técnico que identifica fenômenos que merecem investigação.
Entre as hipóteses da ocorrência, além de vazamento de petróleo, estão uma mancha de algas ou óleo descartado por navios que passam pela região.
O Ibama disse que acionará a Marinha e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) que também devem entrar na investigação do caso.
CONTATO
O órgão ambiental fez contato com as petroleiras que operam nas proximidades, a Petrobras e a espanhola Repsol, mas não houve registro de vazamentos em plataformas de petróleo.
Procurada pela reportagem, a Petrobras também disse que não há registro de vazamento em suas unidades de exploração.
Em caso de acidentes ambientais, as petroleiras que operam no país são obrigadas a alertar imediatamente o Ibama e a ANP.
Além da Petrobras, produzem petróleo na bacia de Campos a norueguesa Statoil, a norte-americana Chevron, a anglo-holandesa Shell e a brasileira PetroRio.
"Pelo tamanho e definição, parece petróleo, mas não é possível confirmar apenas pela imagem", diz o oceanógrafo Ortiz.
Em 2011, um problema na perfuração de poço deu origem a um dos maiores vazamentos de petróleo do país, no campo de Frade, operado pela Chevron, também na Bacia de Campos.
Neste episódio, houve um despejo de 3.700 barris no oceano, segundo a ANP. No pico do vazamento, a mancha chegou a ter 163 quilômetros quadrados –mais de seis vezes maior que a mancha detectada desta vez.
GRANDES CASOS DE VAZAMENTO NO PAÍS
janeiro de 1994
Petróleo é derramado da plataforma da Petrobras na bacia de Campos (Rio). Forma mancha de 450 quilômetros quadrados. Quantidade derramada: 350 mil litros.
dezembro de 1997
Óleo é despejado sobre área de manguezal perto da Reduc (Refinaria de Duque de Caxias), da Petrobras, no Rio. Quantidade de óleo: 600 toneladas
janeiro de 2000
Problema em duto que liga a Reduc a um terminal de distribuição provoca vazamento 1,3 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara
julho de 2000
Óleo cru vaza de refinaria da Petrobras em Araucária (PR). Estatal é multada em R$ 50 milhões. Quantidade derramada: cerca de 4 milhões de litros.
novembro de 2011
Acidente no campo de Frade, na bacia de Campos, operado pela Chevron, provoca o derramamento de 3,7 mil barris de petróleo. A mancha se alastrou por uma área de 163 quilômetros quadrados
Fonte: Folha
https://www.portosenavios.com.br/noticias/geral/33113-ibama-investiga-mancha-de-22-km-encontrada-na-bacia-de-campos
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1735745-ibama-investiga-mancha-de-22-km-encontrada-na-bacia-de-campos.shtml
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2011/11/18
Vazamento na Bacia de Campos
ANP, Ibama e PF cobram explicação sobre vazamento, que pode ser 23 vezes maior que o divulgado
Enquanto o vazamento de petróleo de um campo operado pela empresa americana Chevron polui o litoral norte fluminense há dez dias, em terra firme, órgãos governamentais — como ANP, Ibama, Polícia Federal e Marinha — e a sociedade civil apertam o cerco em torno de um acidente que pode ser até 23 vezes maior que o estimado pela petrolífera. Oficialmente, a Chevron calcula que a mancha de óleo localizada a 120 quilômetros da costa era ontem de 65 barris na superfície, e que o total vazado ao longo dos dias teria chegado a 650 barris. O geólogo americano John Amos, da ONG SkyTruth, estima, contudo, com base em imagens captadas pela Nasa, um vazamento de 3.738 barris por dia entre 9 e 12 de novembro. Isso daria um total de, pelo menos, 15 mil barris despejados no oceano.
Devido a problemas meteorológicos, os sobrevoos de helicóptero à região do campo de Frade foram suspensos nos últimos dias. Nesta quinta-feira, a Marinha do Brasil uniu-se à ANP e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para formar um grupo de acompanhamento do vazamento. Os sobrevoos serão retomados hoje e só após a visita os três órgãos devem se pronunciar.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita, no entanto, que em uma semana o derrame de óleo seja interrompido. Ao adotar um discurso para minimizar o acidente, Lobão disse que a empresa "está fazendo de tudo e que a Chevron não foi punida ainda porque há trâmites a seguir".
Para ANP, acidente é cinco vezes maior
Em conversas com parlamentares do Partido Verde, o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, teria calculado que o derramamento de óleo atinge 3,3 mil barris desde o dia 7 de novembro — cinco vezes maior do que afirma a Chevron. Em conversas com o deputado Sarney Filho (PV-MA) e a diretora da ANP, Magda Chambriard, Lima teria dito que houve erro da Chevron na prestação de informações à ANP. Lima informou a Sarney Filho que a Chevron deverá ser punida também por isso, além de multas pelo crime ambiental.
O delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal (PF) e autor do inquérito aberto contra a Chevron, afirmou que vai levantar dados e informações para apurar as responsabilidades. Ele pretende ouvir funcionários diretamente ligados à operação e, num segundo momento, convocará executivos da empresa:
— Se a trinca no fundo do mar não for fechada, vai continuar vazando. O responsável por fechar essa rachadura disse à minha equipe que não tinha previsão de quando ia conseguir parar o vazamento. O acidente é uma catástrofe.
O secretário estadual de Ambiente do Rio, Carlos Minc, também estuda cobrar reparação à Chevron:
— Não estamos querendo nos sobrepor ao Ibama. Mas como o acidente ocorreu no Rio, podemos cobrar reparação aos danos ambientais e, sobretudo, as perdas para os pescadores que atuam na região.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, ainda não se pronunciou sobre o acidente. A Petrobras, parceira da Chevron no campo, também não vai falar sobre o assunto. Assim como o Ministério do Meio Ambiente, que alega ter repassado a tarefa ao Ibama. O presidente do órgão, Curt Trennepohl, passou boa parte do dia de ontem no Rio, reunido com representantes da Chevron.
Executivos da Chevron devem ser convocados pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), para uma audiência pública na próxima semana. No Senado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também disse que tomará providências. Na segunda-feira, pretende por em votação um requerimento para convidar a empresa, a ANP, o Ministério Público e o secretário Minc.
O geólogo John Amos, da ONG SkyTruth, um dos primeiros a dimensionar o acidente da BP no Golfo do México, acredita que o vazamento da Chevron na Bacia de Campos tenha começado antes mesmo da data divulgada pela empresa (dia 9).
- Estimamos o ritmo do vazamento entre 9 e 12 de novembro em 3.738 barris por dia. Após o dia 12, a vazão pode ter aumentado ou diminuído. Não há como sabermos, porque o tempo ficou nublado — disse Amos, em entrevista ao GLOBO, por telefone.
A Chevron, em nota oficial, informou que a operação de cimentação para vedar o poço continua em andamento. Não informou, no entanto, a previsão para término dos trabalhos.
O motivo do vazamento ainda está sendo investigado. Na avaliação da ANP, a causa "parece ter sido as operações realizadas pela Chevron". A empresa, por sua vez, alega a existência de uma falha geológica na região atingida.
O Globo
reprodução
Enquanto o vazamento de petróleo de um campo operado pela empresa americana Chevron polui o litoral norte fluminense há dez dias, em terra firme, órgãos governamentais — como ANP, Ibama, Polícia Federal e Marinha — e a sociedade civil apertam o cerco em torno de um acidente que pode ser até 23 vezes maior que o estimado pela petrolífera. Oficialmente, a Chevron calcula que a mancha de óleo localizada a 120 quilômetros da costa era ontem de 65 barris na superfície, e que o total vazado ao longo dos dias teria chegado a 650 barris. O geólogo americano John Amos, da ONG SkyTruth, estima, contudo, com base em imagens captadas pela Nasa, um vazamento de 3.738 barris por dia entre 9 e 12 de novembro. Isso daria um total de, pelo menos, 15 mil barris despejados no oceano.
Devido a problemas meteorológicos, os sobrevoos de helicóptero à região do campo de Frade foram suspensos nos últimos dias. Nesta quinta-feira, a Marinha do Brasil uniu-se à ANP e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para formar um grupo de acompanhamento do vazamento. Os sobrevoos serão retomados hoje e só após a visita os três órgãos devem se pronunciar.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita, no entanto, que em uma semana o derrame de óleo seja interrompido. Ao adotar um discurso para minimizar o acidente, Lobão disse que a empresa "está fazendo de tudo e que a Chevron não foi punida ainda porque há trâmites a seguir".
Para ANP, acidente é cinco vezes maior
Em conversas com parlamentares do Partido Verde, o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, teria calculado que o derramamento de óleo atinge 3,3 mil barris desde o dia 7 de novembro — cinco vezes maior do que afirma a Chevron. Em conversas com o deputado Sarney Filho (PV-MA) e a diretora da ANP, Magda Chambriard, Lima teria dito que houve erro da Chevron na prestação de informações à ANP. Lima informou a Sarney Filho que a Chevron deverá ser punida também por isso, além de multas pelo crime ambiental.
O delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal (PF) e autor do inquérito aberto contra a Chevron, afirmou que vai levantar dados e informações para apurar as responsabilidades. Ele pretende ouvir funcionários diretamente ligados à operação e, num segundo momento, convocará executivos da empresa:
— Se a trinca no fundo do mar não for fechada, vai continuar vazando. O responsável por fechar essa rachadura disse à minha equipe que não tinha previsão de quando ia conseguir parar o vazamento. O acidente é uma catástrofe.
O secretário estadual de Ambiente do Rio, Carlos Minc, também estuda cobrar reparação à Chevron:
— Não estamos querendo nos sobrepor ao Ibama. Mas como o acidente ocorreu no Rio, podemos cobrar reparação aos danos ambientais e, sobretudo, as perdas para os pescadores que atuam na região.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, ainda não se pronunciou sobre o acidente. A Petrobras, parceira da Chevron no campo, também não vai falar sobre o assunto. Assim como o Ministério do Meio Ambiente, que alega ter repassado a tarefa ao Ibama. O presidente do órgão, Curt Trennepohl, passou boa parte do dia de ontem no Rio, reunido com representantes da Chevron.
Executivos da Chevron devem ser convocados pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), para uma audiência pública na próxima semana. No Senado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também disse que tomará providências. Na segunda-feira, pretende por em votação um requerimento para convidar a empresa, a ANP, o Ministério Público e o secretário Minc.
O geólogo John Amos, da ONG SkyTruth, um dos primeiros a dimensionar o acidente da BP no Golfo do México, acredita que o vazamento da Chevron na Bacia de Campos tenha começado antes mesmo da data divulgada pela empresa (dia 9).
- Estimamos o ritmo do vazamento entre 9 e 12 de novembro em 3.738 barris por dia. Após o dia 12, a vazão pode ter aumentado ou diminuído. Não há como sabermos, porque o tempo ficou nublado — disse Amos, em entrevista ao GLOBO, por telefone.
A Chevron, em nota oficial, informou que a operação de cimentação para vedar o poço continua em andamento. Não informou, no entanto, a previsão para término dos trabalhos.
O motivo do vazamento ainda está sendo investigado. Na avaliação da ANP, a causa "parece ter sido as operações realizadas pela Chevron". A empresa, por sua vez, alega a existência de uma falha geológica na região atingida.
O Globo
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