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2021/05/18

Cooperativas alcançam bancos tradicionais em número de agências

 Na contramão dos bancos tradicionais, as cooperativas de crédito ampliaram suas estruturas físicas e alcançaram as maiores instituições financeiras em número de agências. O principal objetivo com a expansão é aumentar a capilaridade do modelo e manter a proximidade com o cliente.

Os maiores bancos do país, em contrapartida, apostaram na ampliação do atendimento digital e fecharam agências, movimento que já vinha ocorrendo nos últimos anos, mas que foi acelerado pela pandemia de Covid-19.

Levantamento feito pela Folha com dados do Banco Central e das cooperativas mostra que o maior sistema, o Sicoob, tem 3.523 pontos de atendimento presencial espalhados pelo país, atrás apenas do Banco do Brasil, com 4.161.

O Sicredi, segundo maior sistema cooperativo, aparece em sexto lugar, com 2.033 agências, logo depois do Santander, com 2.694.

A cooperativa de crédito é uma instituição financeira formada pela união de pessoas para prestar serviços financeiros aos seus associados.

A proximidade física com o cliente faz parte da estratégia de negócio do cooperativismo. No sistema, os associados são ao mesmo tempo donos e usuários da instituição, com participação na gestão e com usufruto de seus produtos e serviços.

Nas cooperativas, eles têm acesso aos principais serviços disponíveis nos bancos, como conta-corrente, aplicações financeiras, cartão de crédito e empréstimos.

“As cooperativas precisam estar perto dos clientes pela característica do negócio. Claro que ninguém mais quer fazer operações simples na agência; reforçamos também os canais digitais. A parte física é para aconselhamento em operações mais complexas”, afirma o presidente do banco cooperativo Sicredi, João Tavares.

Segundo ele, a decisão de se manter próximo do cliente foi estratégica. “As cooperativas se preocupam também com a região atendida, são muito inseridas no cenário econômico de cada cidade, então a estrutura física se faz necessária e é um diferencial competitivo.”


Para Tavares, a presença da agência fortalece o vínculo com o associado e facilita a captação de novos cooperados.

“Além disso, a cidade cresce quando há uma cooperativa e temos todo interesse nisso, porque a instituição também se fortalece. Um estudo mostrou que a presença de uma cooperativa amplia o PIB [Produto Interno Bruto] em 5,6%”, diz.

O diretor de coordenação sistêmica e relações institucionais do Sicoob, Ênio Meinen, afirma que a cooperativa também auxilia na geração de empregos.

“O fechamento de agências culmina em demissões. Quando temos uma estrutura, criamos milhares de postos de trabalho. O que para os bancos é despesa, para nós é investimento.”

Meinen diz que a instituição também ampliou a rede de agências pensando na proximidade com o cliente e com a região atendida.

“As agências não ficarão ociosas porque também mudamos o formato do atendimento. Aquela estrutura antiga, em que o cliente pegava fila para pagar contas, ficou para trás. Oferecemos todos os tipos de serviços digitais bancários. A diferença é que nós escutamos os cooperados e oferecemos todos os canais”, diz o executivo.

No Sicredi, segundo Tavares, 80% das transações são feitas pelo celular ou internet. “Parece contraditório abrir agência com esse percentual de digitalização dos clientes, mas não é. É um modelo que chamamos de ‘figital’, uma junção dos dois que contempla todo o mundo”, coloca.

Meinen destaca que a estrutura física do sistema cooperativo pode ser utilizada pelo cooperado. “Isso gera uma sensação de pertencimento. Se o associado quiser usar a estrutura da cooperativa para fazer uma reunião ou usar a internet do lugar, ele pode”, conta.

O Sicoob pretende abrir outras 200 agências até o fim do ano e avançar nos grandes centros, já que tem presença forte nas cidades do interior. O Sicredi que colocar em funcionamento mais 250 pontos de atendimento físicos no período em regiões ainda não assistidas pela instituição.

Para abrir uma agência, a cooperativa procura áreas com pouco ou nenhum atendimento bancário. Normalmente, lideranças comunitárias entram em contato com esse tipo de instituição e solicitam a abertura de uma unidade.

Os grandes bancos, em movimento oposto, fecharam agências nos últimos anos e reforçaram os canais digitais.

O Itaú disse, em nota, que “é evidente a transformação tecnológica recente e a procura cada vez maior pelos canais digitais”, mas que a rede física cumpre o papel de ser um espaço mais humanizado e de consultoria.

O Santander afirmou, também por escrito, que tem realizado desde 2017 “movimento estratégico que tem como um dos pilares a expansão e interiorização de sua rede de atendimento em regiões do Brasil ainda não atendidas. Isso inclui a abertura de unidades voltadas a públicos específicos”.

A Caixa Econômica Federal, o único dos maiores bancos que não fechou agências, afirmou em nota que anunciou em fevereiro de 2021 um plano de expansão com foco nas regiões Norte e Nordeste com a criação de 76 novas unidades, 21 especializadas no agronegócio.

O banco terá ainda 12 agências-caminhão para percorrer todo o Brasil.

A instituição disse que pretende abrir mais 400 agências em parceria com prefeituras. Apesar dos últimos dados do BC mostrarem que a Caixa tem 3.372 agências, o banco disse ter 4.300 unidades funcionando.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) respondeu que a decisão de abrir ou fechar um posto de atendimento é tomada pelos bancos individualmente com base na estratégia de negócio e que as instituições estão adequando suas estruturas à nova realidade, com a ampliação dos canais digitais.

Bradesco e Banco do Brasil não se manifestaram. Na semana passada, durante apresentação do balanço do primeiro trimestre, o BB ​reforçou a ampliação de agências 100% digitais.

Fonte: Folha de São Paulo

https://cooperativismodecredito.coop.br/2021/05/cooperativas-alcancam-bancos-tradicionais-em-numero-de-agencias/

 

2017/10/01

A hora e a vez do cooperativismo financeiro

por Ênio Meinen


Estamos experimentando (ou “experienciando”) uma nova e revolucionária era nas relações entre tomadores e provedores de produtos e serviços, em que as condições são ditadas não mais pela oferta e sim pela demanda.

Andam cada vez mais em evidência as soluções que, sensíveis à intervenção do usuário, combinam qualidade, preço justo e conteúdo socioambiental. Se a isso tudo puder ser associado algum propósito – algo que, ultrapassando a mera relação comercial, cause impacto para mais pessoas –, tanto melhor.
Nesse contexto, o cooperativismo habilita-se com força total para merecer a preferência do neoexigente consumidor.
 
Com efeito, no empreendedorismo cooperativo não há oponentes. Todos jogam no mesmo time. O dono é também o cliente; o anfitrião, ao mesmo tempo o convidado. É um convívio sem intermediários. Logo, além da garantia da qualidade e adequabilidade das soluções, não se estabelece o habitual conflito entre o querer cobrar mais e o desejar pagar menos. O preço será aquele suficiente para dar sustentabilidade e longevidade ao empreendimento comum.
 
Some-se a isso o ativismo da cooperativa no processo de desenvolvimento socioeconômico local, engajamento natural pelo fato de os donos residirem e empreenderem nas respectivas comunidades. Sendo do mesmo lugar, os cooperados direcionam a sociedade cooperativa para o bem comum, melhorando a qualidade de vida do maior número possível de pessoas. Eis o propósito, a causa, em perfeita sintonia com o 7º princípio cooperativista, definido globalmente como “interesse pela comunidade”.
 
No caso, especificamente, do cooperativismo financeiro os predicados que o qualificam para os dias atuais passam pela sua decisiva contribuição nos programas de inclusão e educação financeiras; pelo reinvestimento local da poupança, gerando emprego, renda, consumo, novas riquezas, receitas tributárias e desenvolvimento social nas comunidades; pela prática de preços justos na oferta de produtos e serviços financeiros; e pelo seu protagonismo (como agente concorrencial à altura) no aperfeiçoamento das práticas bancárias como um todo.
 
Estima-se que as cooperativas sejam os únicos agentes de prestação de serviços financeiros em dez por cento dos municípios brasileiros, assumindo a responsabilidade exclusiva pela inclusão bancária e pelo fomento do pequeno negócio em mais de seiscentas remotas comunidades do país.
 
Quando se trata de comparar preços de soluções bancárias, as cooperativas – dada a sua condição de entidades sem fins lucrativos – aparecem, com larga vantagem, como a opção mais econômica para os usuários. Apenas no âmbito do Sicoob, que tem presença em todo o país, com mais de 2.600 agências, os seus cooperados (3,6 milhões) tiveram em 2016 uma economia – ou agregação de renda – na ordem de R$ 10,3 bilhões pelo fato de terem escolhido a cooperativa como a sua instituição financeira. A diferença decorre de menores taxas de juros, tarifas reduzidas ou mesmo inexistentes, melhor remuneração dos investimentos e retorno do resultado do exercício proporcionalmente ao volume de negócios de cada cooperado (“cliente”).
 
Empreendimentos autogeridos e com vocação para promover a justiça financeira,  tais organizações conseguem oferecer aos proprietários-usuários um conjunto completo de produtos e serviços com margens diferenciadas, que vão de múltiplas opções de investimento às mais variadas linhas de crédito; de cartões a adquirência bancária; de consórcios a seguros.  Em sintonia com a revolução tecnológica em curso – mas sem descuidar do relacionamento pessoal sempre que o cooperado assim o preferir –, asseguram, ainda, aos seus beneficiários todas as facilidades digitais que os clientes acessam nos grandes bancos nacionais, apesar de operarem com um orçamento bem mais modesto.
 
Esses são alguns exemplos do virtuosismo cooperativista, cujo movimento, também por sua reputação – vez que alicerçado em valores e princípios universais –, é o antecedente, legítimo e sustentável, do que se conhece, atualmente, como economia compartilhada, colaborativa ou, ainda, de rede, reunindo todos os méritos dessa nova abordagem.
 
Enfim, como já ocorre em vários outros países dos cinco diferentes continentes, as cooperativas constituem, hoje, uma alternativa real no segmento bancário nacional, cuja indústria apresenta forte concentração e opera com elevadas margens.
 
Daí, portanto, a hora e a vez do cooperativismo financeiro!
___________
Ênio Meinen, diretor de operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob) e autor do livro “Cooperativismo Financeiro: virtudes e oportunidades – Ensaios sobre a perenidade do empreendimento cooperativo” (Confebras, 2016).
 

2017/07/22

Cooperativas de crédito devem crescer 10% até dezembro

As instituições financeiras cooperativas devem continuar crescendo no segundo semestre deste ano, apesar da retração econômica no País. A expectativa é do diretor de Operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), Ênio Meinen, que estima uma elevação da ordem de 10% nos negócios, nos próximos seis meses. Ênio Meinen, autor de vários livros sobre cooperativismo de crédito, esteve no Estado do Espírito Santo para falar sobre o segmento para empresários.

– Que resultados o senhor tem observado nas palestras que vem realizando para associados? Quantas conferências já fez e quantas pessoas foram alcançadas?
Tenho atendido a muitos convites, dos diferentes sistemas cooperativos, para falar a cooperados e para as pessoas em geral, notadamente empresários e lideranças comunitárias. Ultimamente, a academia também tem evidenciado um grande interesse pelo tema do cooperativismo, por isso fizemos conferências em eventos de universidades abertos ao público e ministramos aulas em cursos de pós-graduação (a exemplo da USP). Creio que, nos últimos 18 meses, tenham sido alcançadas cerca de 10.500 pessoas, em 70 encontros.
O resultado dessa divulgação é uma melhor compreensão e aceitação do cooperativismo financeiro (a exemplo do Sicoob), para cuja solução, definitivamente, a sociedade está despertando.
 
– Analisando a conjuntura política e econômica do País, quais são as perspectivas para o cooperativismo financeiro no segundo semestre e em 2018?
Apesar da baixa dinâmica econômica, as instituições financeiras cooperativas devem continuar avançando no mercado bancário. Aliás, é na crise que o cooperativismo financeiro mais se desenvolve, como tem demonstrado o Sicoob no estado do Espírito Santo. Estimo, portanto, um crescimento da ordem de 10%, pelo menos, nos próximos seis meses. As razões desse avanço estão relacionadas, em especial, à melhor precificação dos produtos e serviços oferecidos pelas cooperativas, que já dispõem de um portfólio operacional equivalente ao dos grandes bancos brasileiros; à retração do sistema bancário tradicional na concessão de crédito e ao atendimento diferenciado, digno do que se confere a quem é dono do empreendimento cooperativo. A esses fatores podemos adicionar a circunstância de um maior domínio da sociedade sobre a natureza cooperativista e os seus múltiplos benefícios, notadamente de ordem econômica.
 
– Como as cooperativas de crédito se situam no atual ambiente financeiro, que já adquiriu fortes características digitais?
As cooperativas financeiras constituem, hoje, uma alternativa real no âmbito da indústria bancária, fortemente concentrada e hostilizada pela sociedade. Além de oferecerem um conjunto completo de produtos e serviços financeiros – que vão de aplicações financeiras diversas a todas as linhas de crédito; de cartões à adquirência bancária (vendas por meio de cartão de crédito e débito); de consórcios a seguros -, asseguram aos seus cooperados todas as facilidades digitais que os clientes acessam nos grandes bancos do País. Isso considerando que o orçamento para TI e processos das cooperativas, embora significativo, representa uma pequena parcela das dotações de que dispõem os gigantes do setor bancário. Nas cooperativas, que operam com uma margem de contribuição muito baixa, trabalha-se com a máxima de fazer bem mais com muito menos, valorizando o dinheiro do associado.
Ressalto que, embora as cooperativas, por seu nível de inovação digital, já sejam instituições “high tech”, elas não deixaram e não deixarão de ser “high touch”, pois muitos cooperados ainda valorizam o contato pessoal. Por isso, enquanto os bancos fecham agências, as cooperativas mantêm e até mesmo ampliam os seus pontos físicos.
 
 
Em Campos dos Goytacazes: www.sicoobfluminense.com.br

2016/09/15

Comissão da Câmara Federal aprova gestão de recursos de prefeituras por cooperativas

Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou o parecer do deputado Osmar Serraglio (PR), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Projeto de Lei Complementar (PLP) 100/2011, que possibilita que as disponibilidades de caixa dos entes públicos municipais sejam depositadas em cooperativas de crédito. A proposta, integrante da Agenda Institucional do Cooperativismo 2016, faz parte da pauta mínima de prioridades do cooperativismo no Congresso Nacional.

Em seu parecer, Serraglio destacou o comando constitucional de apoio e estímulo ao cooperativismo brasileiro. “O que a Constituição prevê é que o Brasil estimulará o cooperativismo (art. 174, §2º), ao mesmo tempo em que proclama que o sistema financeiro nacional – incluídas expressamente as cooperativas de crédito – seja estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do país e a servir aos interesses da coletividade (art. 192). Assim, a proposição confere efetividade ao comando constitucional, na medida em que destaca o papel das cooperativas para a inclusão financeira e geração de renda a milhões de brasileiros”.
 
Segundo o autor da proposta, deputado Domingos Sávio, representante do Ramo Crédito na Diretoria da Frencoop, o projeto visa fortalecer a economia local por meio das cooperativas de crédito, hoje presentes como única instituição financeira em mais de 10% dos municípios brasileiros.
 
“O que ocorre, atualmente, é uma distorção em que cidades de todo o país possuem uma cooperativa de crédito, vigorosa e eficiente, absolutamente legalizada, empregando na cidade, financiando a economia local, mas que sofre com a situação em que entes públicos acabam tendo que depositar suas disponibilidades de caixa em cidades vizinhas, muitas vezes em bancos privados”.
 
Com maior alavancagem, as cooperativas poderão potencializar e pulverizar o financiamento de produtores, cooperativas e micro e pequenos empreendedores do interior do país. Hoje, 76% das operações de crédito das cooperativas estão abaixo de R$ 5 mil reais. Por meio de emenda do Deputado Evair de Melo, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) também poderá organizar, administrar e executar suas disponibilidades de caixa em cooperativas de crédito.
 
O PLP 100/2011 segue agora para a análise do plenário da Câmara dos Deputados.
 
Fonte: brasilcooperativo.coop.br

2016/07/20

Cooperativas estão entre as Melhores & Maiores do país

Revista Exame apresenta ranking das empresas brasileiras, segundo seus resultados, e, novamente, mostra a força do cooperativismo.

Brasília – O desempenho das cooperativas foi – mais uma vez – destaque no anuário “Melhores & Maiores: as 1000 maiores empresas do Brasil”, divulgado sempre no mês de julho pela revista Exame. A publicação especial ranqueia os destaques de vários segmentos da economia, segundo seus resultados. O periódico listou dezenas de cooperativas, entre as empresas que tiveram o melhor desempenho em 2015. (Clique aqui para ver as listas)
 
Cooperativas de cinco ramos de atividade econômica (Agropecuário, Crédito, Saúde, Consumo e Transporte) aparecem na revista Exame, demonstrando sua força, capacidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento e, acima de tudo, sua competitividade.
 
De Norte a Sul do país, elas contribuem para organizar 12,7 milhões de brasileiros em 6,5 mil empreendimentos cooperativos, gerando, ainda, 365 mil postos diretos de trabalho.
 
Na região Sul, por exemplo, onde a prática cooperativista é mais antiga no país, as cooperativas que reúnem milhares de produtores familiares são referência na produção de alimentos. Em outras partes do Brasil, como nas regiões Norte e Nordeste, o movimento cooperativista tem mobilizado um número cada vez maior de pessoas e conta ainda com um espaço potencial para expandir suas ações, inserindo os cooperados tanto econômica quanto socialmente.
 
“O cooperativismo é, assim, um modelo de negócios naturalmente democrático, no qual todos têm papeis importantes. Aliás, o sucesso da gestão está justamente nisso: os associados são donos do negócio, com direito a voto e à voz ativa. Para impulsionar ainda mais o movimento e, logicamente, o cooperado que faz dele um mecanismo alternativo, visando maximizar a sua renda, é também fundamental investir na profissionalização da gestão”, comenta Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB.
 
NÚMEROS – Em todo país, cerca de 50 milhões de pessoas estão ligadas ao movimento cooperativista. Em relação aos dados mundiais, os últimos números da Aliança Cooperativa Internacional apontam para 1 bilhão de pessoas ligadas ao cooperativismo, direta ou indiretamente, e 250 milhões empregos gerados por cooperativas e seus processos.
 
PUBLICAÇÃO – Criado há 42 anos pela Editora Abril, o anuário tornou-se o mais amplo e confiável retrato do ambiente empresarial brasileiro. O levantamento está fundamentado no balanço do exercício 2015 e em base de dados oficiais.
 
As empresas ranqueadas foram avaliadas conforme critérios de excelência empresarial, desenvolvidos pelo ranking Melhores&Maiores: uma ponderação de resultados obtidos em crescimento das vendas, lucro, patrimônio, rentabilidade, capital circulante líquido, liquidez geral, endividamento, riqueza criada, número de empregados, riqueza criada por empregado, controle acionário e EBITDA, abreviatura da expressão inglesa que significa lucro antes de descontar os juros, os impostos sobre o lucro, a depreciação e a amortização.
 
Fonte: brasilcooperativo.coop.br

2013/07/06

Dia Internacional das Cooperativas



Neste sábado, seis de julho, será comemorado o 91.º Dia Internacional das Cooperativas da ACI e o 18.º Dia Internacional das Cooperativas, declarado pela Organização das Nações Unidas, cujo tema será “Cooperativas se mantêm fortes em tempos de crise”, considerado bastante oportuno fazendo-se uma comparação com a atuação de outras formas empresariais, que enfrentam as atuais dificuldades econômicas mundiais.
As empresas comuns sofrem hoje uma crise de insustentabilidade econômica, social e ambiental, enquanto o modelo cooperativo demonstra continuadamente uma grande resiliência em tempos de crise. A crise financeira foi um exemplo épico dos perigos de valorização dos ganhos de curto prazo sobre a viabilidade em longo prazo. A crise global que enfrentamos deriva de um modelo de negócio que põe o retorno financeiro à frente das necessidades humanas, um modelo que procura privatizar ganhos, mas socializar as perdas.
Existem provas consideráveis de que a diversidade de tipos societários contribui para um setor financeiro mais estável no seu conjunto. Ao colocar as necessidades humanas no seu cerne, as cooperativas respondem às crises atuais de sustentabilidade e oferecem-nos uma forma diferente de ‘valor partilhado’. Acresce que o modelo cooperativo não foi vítima do engano que afligiu o modelo capitalista durante mais de vinte anos, que considerou o desempenho financeiro como o indicador central para uma boa empresa.
Muito simplesmente, uma cooperativa é uma busca coletiva da sustentabilidade, já que procura “otimizar” resultados para uma gama de partes interessadas em vez de maximizar benefícios para uma só delas.
Sendo assim, à medida que a situação endurece, toda a mão de obra, e não apenas alguns dirigentes, é vista como vital para o bem estar da cooperativa. Certamente, a população global também tem sido fustigada pelas práticas e, ultimamente pelo fechamento, de numerosos grandes bancos. As instituições consideradas seguras para investimentos e depósitos, afinal eram fracas e mal geridas. As cooperativas financeiras, porém, portaram-se frequentemente melhor.
As cooperativas de poupança e crédito e os bancos cooperativos continuaram a crescer, outorgando créditos em especial a pequenas e médias empresas, e mantiveram-se estáveis nas diferentes regiões, criando indiretamente diversos empregos. É a sua combinação única de propriedade, controle e distribuição de resultados compartilhados entre seus membros que constitui o elemento chave desta resiliência e garantia de vantagens sobre os seus concorrentes. Como as cooperativas financeiras representam uma parte surpreendentemente grande do mercado bancário global, é importante conhecer melhor este modelo.
Um recente relatório distribuído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e escrito pelo Professor Johnston Birchall, examina as cooperativas financeiras desde as suas origens, na Alemanha, nos anos 1850, até o movimento global que elas representam atualmente. Birchall explica numa entrevista à OIT como que antes da crise, economistas previram que as cooperativas financeiras iriam ser menos eficientes que os bancos privados, já que não remuneravam os seus gestores com ações. Contudo, a crise provou que as cooperativas financeiras arriscaram menos que as sociedades bancárias anônimas, sobretudo porque os seus gestores não receberam parte dos resultados.
“A estabilidade e a aversão ao risco estão inscritas no DNA das cooperativas financeiras. Sendo empresas geram e devem gerar excedentes, mas os seus excedentes convertem-se em reservas que lhes asseguram a força financeira e põem-nas ao abrigo dos problemas que são originados pelas exigências de capital próprio, impostas pelos agentes reguladores.”
“Em outras partes do mundo, as cooperativas de poupança e crédito não sofreram perdas em 2008. Não viveram a crise bancária. Continuaram a crescer paulatinamente, com regularidade e sem dramas.” Outra vantagem das cooperativas em tempo de crise também não deve ser esquecida: a sua dimensão social. Em um momento em que as economias encolhem e os governos são pressionados a diminuírem as garantias sociais, as cooperativas oferecem muitas vezes a boia de salvação. Contribuem para o capital social por formas que as empresas de base acionista não o fazem.
As cooperativas desempenham ainda um papel fundamental na prestação de serviços de saúde, que de outra forma seriam fornecidos pelos seguradores privados ou pelo Estado, ou mesmo que nem sequer seriam fornecidos em virtude dos cortes nos orçamentos estatais. E, claro, não se pode omitir uma grande vantagem das cooperativas de consumo: a capacidade de oferecer ao público custos mais baixos para alimentação e outros bens essenciais – algo vital em um momento em que os seus salários diminuem ou não existem.
O Dia Internacional das Cooperativas, seis de julho de 2013, dá-nos a oportunidade de refletir sobre tudo o que as cooperativas fizeram nos períodos de menor ou maior prosperidade, e de reiterar o nosso compromisso em garantir que os valores deste modelo empresarial continuem a gerar maior atenção e apoio a nível mundial. É um modelo que funcionou e funcionará sempre.
Fonte: ACI / Tradução: Sistema OCB
c/Ed.

2012/10/18

Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito


Artigo com reflexões sobre o futuro do setor cooperativista

"O Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, celebrada no mundo inteiro sempre na terceira quinta-feira do mês de outubro, representa a força das pessoas que acreditam em um mundo mais sustentável e inclusivo. A data, comemorada este ano no dia 20, foi instituída pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU, sigla em inglês), e relembra o empenho dos pioneiros na construção dos valores do cooperativismo de crédito, ao mesmo tempo em que comemora o sucesso e o desenvolvimento do setor.

A concepção do cooperativismo de crédito desde os pioneiros de Rochdale, na Inglaterra, que fundaram a primeira cooperativa do mundo em 1844, se baseia no conceito de cooperação mútua. As cooperativas de crédito são sociedades de pessoas que buscam, por meio da união e da intercooperação, prestar serviços financeiros exclusivos em benefício de todos seus associados, que também são donos do negócio. Sempre alicerçado em valores éticos, o cooperativismo de crédito não visa lucros e privilegia o valor pessoal de cada cooperado integrante da sociedade. Além disso, os recursos provenientes das cooperativas são aplicados nas comunidades na qual estão inseridas, o que proporciona o desenvolvimento da região de uma forma equilibrada e sustentável.

Neste contexto, o cooperativismo de crédito tem apresentado um crescimento contínuo nos últimos anos. No atual cenário econômico mundial, o modelo se destaca ao oferecer vantagens e serviços financeiros de uma forma mais simples, rápida e fácil, com taxas e juros mais acessíveis do que os praticados por outros segmentos do setor financeiro. A força do cooperativismo de crédito se consolida cada vez mais diante das questões socioeconômicas do país por estabelecer uma gestão financeira satisfatória em benefício de todos seus cooperados.

Podemos observar a expressão do cooperativismo de crédito no mundo quando vemos os números do setor, principalmente na Europa. Na França, por exemplo, 60% dos recursos financeiros do país são movimentados pelos quatro sistemas de crédito existentes. O francês Credit Agricole, maior banco cooperativo do mundo, atualmente ocupa a 5ª posição na lista dos 50 maiores bancos mundiais em volume de ativos administrados. As cooperativas de crédito do mundo inteiro administram US$ 1,3 trilhão em ativos totais. No Brasil, existem 1.370 cooperativas de crédito que administram ativos em torno de R$ 68,7 bilhões, provenientes de seus 5 milhões de associados. O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), o maior sistema do país, possui mais de 2 milhões de associados e quase 2 mil pontos de atendimento.

As cooperativas baseiam-se em valores de ajuda mútua e responsabilidades, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Os conceitos de justiça e equilíbrio das cooperativas de crédito têm despertado o interesse de grandes organizações que ensaiam mudanças em suas atitudes com o intuito de torná-las mais humanas e sustentáveis.

A legislação que rege o cooperativismo de crédito já obteve muitos avanços nos últimos anos, principalmente com a regulamentação da Lei Complementar nº130/2009, que estabeleceu o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), reconhecendo de forma definitiva o cooperativismo de Crédito como integrante do Sistema Financeiro Nacional, mas ainda existem muitos desafios para garantir o desenvolvimento das cooperativas de crédito do nosso país e a segurança jurídica do setor. A grande meta do segmento é a aprovação da nova lei geral do cooperativismo que tramita no Senado, o PLS 171/99, a qual reorganiza as sociedades cooperativas no Brasil, define o que é o ato cooperativo e retira do setor o peso dos impostos, proporcionando maior competitividade.

O atual governo da Presidente Dilma Roussef já manifestou seu apoio ao setor cooperativista de crédito, demonstrado logo no início do seu governo com a publicação da Lei 12.424/11, que permite às cooperativas de crédito operar no financiamento de habitações e obras previstas no Programa Minha Casa, Minha Vida. O setor também tem o apoio do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que já se posicionou em defesa do segmento e de uma regulamentação específica para o sistema de crédito cooperativo.

O fortalecimento e a expansão do cooperativismo de crédito no país são instrumentos fundamentais para a consolidação de uma nação mais justa e equilibrada. E, para manter vivos os ideais dos pioneiros de Rochdale, é necessária a conscientização de todos sobre a importância da democratização do crédito e desconcentração de renda. O caráter inclusivo do cooperativismo de crédito e de valorização da individualidade do associado são aspectos importantes na construção um país onde as oportunidades de crescimento sejam oferecidas a todos as pessoas, independente de classe social, gênero, cor ou raça.

Os princípios do cooperativismo devem ser preservados para que, no futuro, a realidade socioeconômica de nossos herdeiros tenha como base uma sociedade mais solidária e democrática com valores que busquem uma existência sustentável, o bem-estar social, a independência e autonomia.

Parabéns a todos os cooperativistas de crédito que contribuem para perpetuação dos valores do segmento e colaboram para a construção de um mundo mais justo e equilibrado!"

Por José Salvino de Menezes, Presidente do Sicoob Confederação


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