2008/11/24
2008/11/23
Intolerância
Oito jovens judeus condenados em Israel por práticas neonazistas
da Efe, em Jerusalém
Uol
Oito jovens judeus israelenses foram condenados neste domingo a penas entre um e sete anos de prisão por pertencerem a um grupo neonazista e atacar brutalmente usuários de drogas, homossexuais, imigrantes e religiosos vestidos com o tradicional chapéu judaico kipá.
Os jovens, com idades entre 16 e 21 anos, a maioria imigrantes de países da antiga União Soviética, foram declarados culpados pelo Tribunal do Distrito de Tel Aviv por agressão, conspiração para cometer assassinato e incitação ao racismo.
Todos eles pertenciam a uma célula neonazista autodenominada "Patrulha 36", com base na localidade de Petah Tikva, que operava no centro do país e se reunia habitualmente para consumir bebidas alcoólicas, tirar fotos com o braço erguido, como na saudação fascista, e discutir sobre a ideologia nazista.
A acusação indica que os oito adolescentes tinham planejado celebrar uma cerimônia no Museu do Holocausto (Yad Vashem) para comemorar o aniversário de Adolf Hitler e "lhe jurar fidelidade e prometer preservar a 'raça branca' até sua última gota de sangue".
Na sentença, o juiz Zvi Gurfinkel disse que os jovens realizaram "ações horríveis que nenhum judeu pode aceitar". Segundo o juiz, o fato dos neonazistas "serem judeus, terem emigrado para Israel e adotado teorias racistas é muito grave". "Não é possível para esta Corte ser indulgente, apesar das circunstâncias e da juventude dos acusados", afirmou a sentença.
da Efe, em Jerusalém
Uol
Oito jovens judeus israelenses foram condenados neste domingo a penas entre um e sete anos de prisão por pertencerem a um grupo neonazista e atacar brutalmente usuários de drogas, homossexuais, imigrantes e religiosos vestidos com o tradicional chapéu judaico kipá.
Os jovens, com idades entre 16 e 21 anos, a maioria imigrantes de países da antiga União Soviética, foram declarados culpados pelo Tribunal do Distrito de Tel Aviv por agressão, conspiração para cometer assassinato e incitação ao racismo.
Todos eles pertenciam a uma célula neonazista autodenominada "Patrulha 36", com base na localidade de Petah Tikva, que operava no centro do país e se reunia habitualmente para consumir bebidas alcoólicas, tirar fotos com o braço erguido, como na saudação fascista, e discutir sobre a ideologia nazista.
A acusação indica que os oito adolescentes tinham planejado celebrar uma cerimônia no Museu do Holocausto (Yad Vashem) para comemorar o aniversário de Adolf Hitler e "lhe jurar fidelidade e prometer preservar a 'raça branca' até sua última gota de sangue".
Na sentença, o juiz Zvi Gurfinkel disse que os jovens realizaram "ações horríveis que nenhum judeu pode aceitar". Segundo o juiz, o fato dos neonazistas "serem judeus, terem emigrado para Israel e adotado teorias racistas é muito grave". "Não é possível para esta Corte ser indulgente, apesar das circunstâncias e da juventude dos acusados", afirmou a sentença.
PSF
O Blog teve um pequeno problema técnico, já solucionado.
Com relação ao fato da suspensão, por decisão judicial motivada por ação popular proposta pelo ex-vereador Edson Batista, do concurso para o Programa de Saúde da Família, a dúvida que fica entre os envolvidos, especialmente os que prestariam as provas, é justamente quanto ao futuro do PSF.
Na própria sentença do juiz Paulo Assed consta que no texto da lei que criou os cargos objeto desse concurso (Lei Municipal 8005/08) não está explícita a fonte de custeio para o pagamento dos aprovados.
Isso pode significar, indiretamente, que por falta de recursos orçamentários o programa corre o risco de não vir a não ser reativado, na medida em que os royalties do petróleo, a (enorme) cereja do bolo da arrecadação municipal não podem ser empregados em pagamento de pessoal. O aumento da arrecadação, já citado como obviamente necessário pela equipe de transição do novo governo municipal, não se dá de uma hora para outra, mesmo com esforços e mecanismos inteligentes.
Em suma - se não há fonte pagadora e se não se pode utilizar a força da mão-de-obra terceirizada, ao que parece o PSF vai subir no telhado.
Com relação ao fato da suspensão, por decisão judicial motivada por ação popular proposta pelo ex-vereador Edson Batista, do concurso para o Programa de Saúde da Família, a dúvida que fica entre os envolvidos, especialmente os que prestariam as provas, é justamente quanto ao futuro do PSF.
Na própria sentença do juiz Paulo Assed consta que no texto da lei que criou os cargos objeto desse concurso (Lei Municipal 8005/08) não está explícita a fonte de custeio para o pagamento dos aprovados.
Isso pode significar, indiretamente, que por falta de recursos orçamentários o programa corre o risco de não vir a não ser reativado, na medida em que os royalties do petróleo, a (enorme) cereja do bolo da arrecadação municipal não podem ser empregados em pagamento de pessoal. O aumento da arrecadação, já citado como obviamente necessário pela equipe de transição do novo governo municipal, não se dá de uma hora para outra, mesmo com esforços e mecanismos inteligentes.
Em suma - se não há fonte pagadora e se não se pode utilizar a força da mão-de-obra terceirizada, ao que parece o PSF vai subir no telhado.
2008/11/22
Jornalismo e informática
Achei interessante, informativo e bem feito esse infográfico da TV Globo sobre a Megarampa de skate montada para as competições deste final de semana, em São Paulo. Material do Globoesporte.com - confira:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/0,,MUL871213-16606,00-INFOGRAFICO+TUDO+SOBRE+A+MEGARAMPA.html
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/0,,MUL871213-16606,00-INFOGRAFICO+TUDO+SOBRE+A+MEGARAMPA.html
2008/11/21
Sem título
Para os amigos Fernando e Guilherme Leite, irmãos de Antônio Roberto...
FORÇA
Força e fé
caminham juntas,
feito irmãs
que não se largam,
feito texto em Flor de Lácio
que Bilac amanheceu.
Enfrentam trevas,
criam trovas,
fazem até troça da vida
quando a carne é assim
tão viva que parece
coisa nova.
Criam vento
param chuva, sem saber
se é verdade
o que está acontecendo –
pois por vezes
o final
é por fim o sentimento
de início e entendimento.
Grandes sábias
plainam águias
sobre as almas
com vigor e maestria,
são então a
luz da brasa, firme,
que aquece e acalenta.
FORÇA
Força e fé
caminham juntas,
feito irmãs
que não se largam,
feito texto em Flor de Lácio
que Bilac amanheceu.
Enfrentam trevas,
criam trovas,
fazem até troça da vida
quando a carne é assim
tão viva que parece
coisa nova.
Criam vento
param chuva, sem saber
se é verdade
o que está acontecendo –
pois por vezes
o final
é por fim o sentimento
de início e entendimento.
Grandes sábias
plainam águias
sobre as almas
com vigor e maestria,
são então a
luz da brasa, firme,
que aquece e acalenta.
Vida louca, vida
Jovem se suicida ao vivo na internet nos Estados Unidos
AFP
Uol
MIAMI, EUA, 21 Nov 2008 (AFP) - Um jovem de 19 anos da cidade de Pembroke Pines, ao norte de Miami (Flórida, sudeste dos EUA), se suicidou por ingestão de medicamentos diante de sua webcam, enquanto outras pessoas assistiam tudo ao vivo pela internet, informaram autoridades locais nesta sexta-feira.
Abraham Biggs consumiu uma mistura letal de três tipos de remédios na quarta-feira, enquanto estava conectado com outros jovens na internet, segundo as autoridades do condado de Broward.
A polícia de Broward confirmou à AFP que encontrou o jovem morto diante de seu computador, e que o suicídio fora transmitido ao vivo pela internet.
"Ele faleceu diante de sua webcam, e tudo foi transmitido ao vivo", declarou o sargento John Gazzano, sem querer utilizar a palavra suicídio. "O caso está sendo investigado", afirmou.
AFP
Uol
MIAMI, EUA, 21 Nov 2008 (AFP) - Um jovem de 19 anos da cidade de Pembroke Pines, ao norte de Miami (Flórida, sudeste dos EUA), se suicidou por ingestão de medicamentos diante de sua webcam, enquanto outras pessoas assistiam tudo ao vivo pela internet, informaram autoridades locais nesta sexta-feira.
Abraham Biggs consumiu uma mistura letal de três tipos de remédios na quarta-feira, enquanto estava conectado com outros jovens na internet, segundo as autoridades do condado de Broward.
A polícia de Broward confirmou à AFP que encontrou o jovem morto diante de seu computador, e que o suicídio fora transmitido ao vivo pela internet.
"Ele faleceu diante de sua webcam, e tudo foi transmitido ao vivo", declarou o sargento John Gazzano, sem querer utilizar a palavra suicídio. "O caso está sendo investigado", afirmou.
2008/11/20
Pobre Paraíba do Sul...
O Globo
Produto tóxico
Vazamento de inseticida interrompe abastecimento de água em seis municípios
RIO - O vazamento de pelo menos 1,5 mil litros de endosulfan - inseticida organoclorado com alto teor tóxico - da empresa Servatis no Rio Pirapitinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, em Resende, provocou a interrupção do abastecimento de água de seis cidades do Médio Paraíba e uma mortandade aguda de peixes na região.
Conforme reportagem de Dicler de Mello e Souza e Tulio Brandão publicada nesta quinta-feira no jornal O GLOBO ( assinantes têm acesso à íntegra na edição digital ), o acidente aconteceu na terça-feira no pátio da indústria química. A empresa foi autuada pela Feema, e o valor da multa será determinado pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). Os responsáveis serão autuados por crime ambiental.
Até quarta-feira, quatro municípios não tinham retomado o abastecimento: Porto Real, Quatis, Pinheiral e Barra do Piraí. Volta Redonda e Barra Mansa reiniciaram a captação, mas a Feema determinou nova paralisação. Por precaução, a Secretaria estadual do Ambiente solicitou à Agência Nacional de Águas a interrupção momentânea da transposição na barragem de Santa Cecília das águas do Paraíba para o Rio Guandu, onde é captada a água que abastece a Região Metropolitana do Rio.
O pesticida que contaminou o Paraíba foi banido na União Européia e é usado com restrição em vários países, devido ao seu alto potencial tóxico - a substância se acumula no corpo e ataca o sistema neurológico. Em depoimento à Feema, os funcionários da empresa disseram que o acidente ocorreu durante o descarregamento do produto. Uma mangueira se soltou sem que ninguém percebesse e os tanques de contenção estavam com o dreno aberto.
Produto tóxico
Vazamento de inseticida interrompe abastecimento de água em seis municípios
RIO - O vazamento de pelo menos 1,5 mil litros de endosulfan - inseticida organoclorado com alto teor tóxico - da empresa Servatis no Rio Pirapitinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, em Resende, provocou a interrupção do abastecimento de água de seis cidades do Médio Paraíba e uma mortandade aguda de peixes na região.
Conforme reportagem de Dicler de Mello e Souza e Tulio Brandão publicada nesta quinta-feira no jornal O GLOBO ( assinantes têm acesso à íntegra na edição digital ), o acidente aconteceu na terça-feira no pátio da indústria química. A empresa foi autuada pela Feema, e o valor da multa será determinado pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). Os responsáveis serão autuados por crime ambiental.
Até quarta-feira, quatro municípios não tinham retomado o abastecimento: Porto Real, Quatis, Pinheiral e Barra do Piraí. Volta Redonda e Barra Mansa reiniciaram a captação, mas a Feema determinou nova paralisação. Por precaução, a Secretaria estadual do Ambiente solicitou à Agência Nacional de Águas a interrupção momentânea da transposição na barragem de Santa Cecília das águas do Paraíba para o Rio Guandu, onde é captada a água que abastece a Região Metropolitana do Rio.
O pesticida que contaminou o Paraíba foi banido na União Européia e é usado com restrição em vários países, devido ao seu alto potencial tóxico - a substância se acumula no corpo e ataca o sistema neurológico. Em depoimento à Feema, os funcionários da empresa disseram que o acidente ocorreu durante o descarregamento do produto. Uma mangueira se soltou sem que ninguém percebesse e os tanques de contenção estavam com o dreno aberto.
2008/11/19
Veja e Zumbi

A revista Veja desta semana traz uma reportagem sobre a nova leitura que está sendo feita sobre o papel de Zumbi na história do Brasil. Deverá suscitar discussões.
História
O enigma de Zumbi
Estudos recentes sobre o herói da luta contra a escravidão mostram que ele próprio pode ter sido dono de escravos no quilombo dos Palmares
Leandro Narloch
Na próxima quinta-feira, 262 cidades brasileiras comemoram o Dia da Consciência Negra, data que evoca a morte de Zumbi dos Palmares. Último líder do maior dos quilombos, os povoados formados por negros fugidos do cativeiro no Brasil colonial, Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, quase dois anos depois de as tropas do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho praticamente destruírem Palmares. Ao longo dos séculos, Zumbi se tornou uma figura mítica, festejado como o herói da luta contra a escravidão. O que realmente se sabe dele, como personagem histórico, é muito pouco. Seu nome aparece apenas em oito documentos da época, incluindo uma carta do governador de Pernambuco anunciando sua morte. Como ocorre com Tiradentes e outros heróis históricos que servem à celebração de uma causa, a figura de Zumbi que passou à posteridade é idealizada. Ao longo do século XX, principalmente nos anos 60 e 70, sob influência do pensamento marxista, Palmares foi retratada por muitos historiadores como uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado entre os habitantes dos povoados. Uma série de pesquisas elaboradas nos últimos anos mostra que a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares ensinada nos livros didáticos tem muitas distorções. Muito do que se conta sobre sua atuação à frente do quilombo é incompatível com as circunstâncias históricas da época. O objetivo desses estudos não é colocar em xeque a figura simbólica de Zumbi, mas traçar um quadro realista, documentado, do homem e de seu tempo.
Os novos estudos sobre Palmares concluem que o quilombo, situado onde hoje é o estado de Alagoas, não era um paraíso de liberdade, não lutava contra o sistema de escravidão nem era tão isolado da sociedade colonial quanto se pensava. O retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séquito de escravos para uso próprio. "É uma mistificação dizer que havia igualdade em Palmares", afirma o historiador Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense e autor do Dicionário do Brasil Colonial. "Zumbi e os grandes generais do quilombo lutavam contra a escravidão de si próprios, mas também possuíam escravos", ele completa. Não faz muito sentido falar em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus. Nas culturas africanas, eram impensáveis. Desde a Antiguidade e principalmente depois da conquista árabe no norte da África, a partir do século VII, os africanos vendiam escravos em grandes caravanas que cruzavam o Deserto do Saara. Na época de Zumbi, a região do Congo e de Angola, de onde veio a maioria dos escravos de Palmares, tinha reis venerados como se fossem divinos. Muitos desses monarcas se aliavam aos portugueses e enriqueciam com a venda de súditos destinados à escravidão.
"Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo na cultura da África", diz o historiador carioca Manolo Florentino, autor do livro Em Costas Negras, uma das primeiras obras a analisar a história do Brasil com base nos costumes africanos. Zumbi, segundo os novos estudos sobre Palmares, seria descendente de uma classe de guerreiros africanos que ora ajudava os portugueses na captura de escravos, ora os combatia. Quando enviados ao Brasil como escravos, os nobres africanos freqüentemente formavam sociedades próprias – uma delas pode ter sido Palmares. Para chegar a esse novo retrato de Zumbi e do quilombo, os historiadores analisaram as revoltas escravas partindo de modelos parecidos que ocorreram em outros lugares da América e da África. Também voltaram às cartas, relatos e documentos da época, mostrando como cada historiografia montou o quilombo que queria.
O principal historiador a reinterpretar o que ocorreu nos quilombos é o carioca Flávio dos Santos Gomes. Ele escreve no livro Histórias de Quilombolas: "Ao contrário de muitos estudos dos anos 1960 e 1970, as investigações mais recentes procuraram se aproximar do diálogo com a literatura internacional sobre o tema, ressaltando reflexões sobre cultura, família e protesto escravo no Caribe e no sul dos Estados Unidos". Atendo-se às fontes primárias e ao modo de pensar da época, os historiadores agora podem garimpar os mitos de Palmares que foram construídos no século XX.
O novo quilombo dos Palmares
Estudos recentes mudam a visão que predominou no século XX sobre os povoados
O que se pensava• O quilombo era uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado• Zumbi lutava contra a escravidão• Zumbi foi criado por um padre, recebeu o nome de Francisco e aprendeu latim• Ganga-Zumba, líder que antecedeu Zumbi, traiu o quilombo ao fechar acordo com os portugueses
O que se pensa hoje• Havia em Palmares uma hierarquia, com servos e reis tão poderosos quanto os da África• Zumbi e outros chefes tinham seus próprios escravos • As cartas em que um padre daria detalhes da infância de Zumbi provavelmente foram forjadas • Ao romper o acordo com Portugal, Zumbi pode ter precipitado a destruição do quilombo
Estudos recentes sobre o herói da luta contra a escravidão mostram que ele próprio pode ter sido dono de escravos no quilombo dos Palmares
Leandro Narloch
Na próxima quinta-feira, 262 cidades brasileiras comemoram o Dia da Consciência Negra, data que evoca a morte de Zumbi dos Palmares. Último líder do maior dos quilombos, os povoados formados por negros fugidos do cativeiro no Brasil colonial, Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, quase dois anos depois de as tropas do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho praticamente destruírem Palmares. Ao longo dos séculos, Zumbi se tornou uma figura mítica, festejado como o herói da luta contra a escravidão. O que realmente se sabe dele, como personagem histórico, é muito pouco. Seu nome aparece apenas em oito documentos da época, incluindo uma carta do governador de Pernambuco anunciando sua morte. Como ocorre com Tiradentes e outros heróis históricos que servem à celebração de uma causa, a figura de Zumbi que passou à posteridade é idealizada. Ao longo do século XX, principalmente nos anos 60 e 70, sob influência do pensamento marxista, Palmares foi retratada por muitos historiadores como uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado entre os habitantes dos povoados. Uma série de pesquisas elaboradas nos últimos anos mostra que a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares ensinada nos livros didáticos tem muitas distorções. Muito do que se conta sobre sua atuação à frente do quilombo é incompatível com as circunstâncias históricas da época. O objetivo desses estudos não é colocar em xeque a figura simbólica de Zumbi, mas traçar um quadro realista, documentado, do homem e de seu tempo.
Os novos estudos sobre Palmares concluem que o quilombo, situado onde hoje é o estado de Alagoas, não era um paraíso de liberdade, não lutava contra o sistema de escravidão nem era tão isolado da sociedade colonial quanto se pensava. O retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séquito de escravos para uso próprio. "É uma mistificação dizer que havia igualdade em Palmares", afirma o historiador Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense e autor do Dicionário do Brasil Colonial. "Zumbi e os grandes generais do quilombo lutavam contra a escravidão de si próprios, mas também possuíam escravos", ele completa. Não faz muito sentido falar em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus. Nas culturas africanas, eram impensáveis. Desde a Antiguidade e principalmente depois da conquista árabe no norte da África, a partir do século VII, os africanos vendiam escravos em grandes caravanas que cruzavam o Deserto do Saara. Na época de Zumbi, a região do Congo e de Angola, de onde veio a maioria dos escravos de Palmares, tinha reis venerados como se fossem divinos. Muitos desses monarcas se aliavam aos portugueses e enriqueciam com a venda de súditos destinados à escravidão.
"Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo na cultura da África", diz o historiador carioca Manolo Florentino, autor do livro Em Costas Negras, uma das primeiras obras a analisar a história do Brasil com base nos costumes africanos. Zumbi, segundo os novos estudos sobre Palmares, seria descendente de uma classe de guerreiros africanos que ora ajudava os portugueses na captura de escravos, ora os combatia. Quando enviados ao Brasil como escravos, os nobres africanos freqüentemente formavam sociedades próprias – uma delas pode ter sido Palmares. Para chegar a esse novo retrato de Zumbi e do quilombo, os historiadores analisaram as revoltas escravas partindo de modelos parecidos que ocorreram em outros lugares da América e da África. Também voltaram às cartas, relatos e documentos da época, mostrando como cada historiografia montou o quilombo que queria.
O principal historiador a reinterpretar o que ocorreu nos quilombos é o carioca Flávio dos Santos Gomes. Ele escreve no livro Histórias de Quilombolas: "Ao contrário de muitos estudos dos anos 1960 e 1970, as investigações mais recentes procuraram se aproximar do diálogo com a literatura internacional sobre o tema, ressaltando reflexões sobre cultura, família e protesto escravo no Caribe e no sul dos Estados Unidos". Atendo-se às fontes primárias e ao modo de pensar da época, os historiadores agora podem garimpar os mitos de Palmares que foram construídos no século XX.
O novo quilombo dos Palmares
Estudos recentes mudam a visão que predominou no século XX sobre os povoados
O que se pensava• O quilombo era uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado• Zumbi lutava contra a escravidão• Zumbi foi criado por um padre, recebeu o nome de Francisco e aprendeu latim• Ganga-Zumba, líder que antecedeu Zumbi, traiu o quilombo ao fechar acordo com os portugueses
O que se pensa hoje• Havia em Palmares uma hierarquia, com servos e reis tão poderosos quanto os da África• Zumbi e outros chefes tinham seus próprios escravos • As cartas em que um padre daria detalhes da infância de Zumbi provavelmente foram forjadas • Ao romper o acordo com Portugal, Zumbi pode ter precipitado a destruição do quilombo
gravura - Biblioteca Nacional
Idéia exótica
Negro retratado no Brasil do século XVII pelo pintor holandês Albert Eckhout: na época, o conceito de igualdade entre os homens não existia na África
Idéia exótica
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