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2016/02/01

"Situação de contaminação com o zika vírus no Brasil é pior do que imaginado", diz ministro da Saúde

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, avalia que a situação do zika vírus no Brasil pode ser pior do que o imaginado, já que 80% das pessoas contaminadas não apresentam sintomas. Castro disse ainda que a notificação da doença passará a ser compulsória a partir da semana que vem, quando os laboratórios estaduais receberão os kits para sua confirmação.

"Laboratórios dos Estados começam a receber esta semana os testes que permitirão confirmar a presença do vírus. Daí então a notificação passará a ser compulsória", disse o ministro à Reuters nesta segunda-feira (1).

Até o momento, o Ministério da Saúde tem apenas a notificação de casos de microcefalia suspeitas de terem sido causadas pelo zika vírus - número que está em 4.180.

O governo também trabalha para distribuir até o final deste mês testes que permitem a identificação das três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, dengue, zika e chikungunya, mas que funcionam apenas enquanto as pessoas apresentam os sintomas da doença.

O governo brasileiro e os laboratórios estatais trabalham ainda para desenvolver uma vacina para o vírus zika, que pode ter como base a que já está em fase de testes para a dengue.
"Nossos cientistas acreditam que a vacina para a dengue pode acelerar e facilitar o desenvolvimento de uma para o zika", disse o ministro.

 
 Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle
 

Surto de zika é emergência de saúde pública em todo o mundo, diz OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou nesta segunda-feira (1º) que o surto de zika vírus é uma emergência de saúde pública internacional, que exige uma resposta urgente e única, com vigilância máxima pelos governos de todo o mundo. A decisão deve acelerar ações internacionais de cooperação (com financiamento e envio de pessoas) e de pesquisa.

Segundo os especialistas, o vírus está se espalhando muito e de maneira rápida, com consequências devastadoras. Apesar de os sintomas de zika serem de pouca gravidade, há evidências que vinculam a doença ao número excepcionalmente elevado de casos de bebês que nascem com microcefalia, uma má-formação do cérebro. A informação mudou o perfil de risco de zika, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, de uma leve ameaça a algo de proporções alarmantes.

Atualmente não há vacina ou medicamento para o zika, cujos sintomas são brandos: febre, dor de cabeça e no corpo e manchas avermelhadas. Ainda não há certeza que o vírus cause microcefalia em bebês, mas a existência de uma ligação está clara para os cientistas.

O último alerta deste tipo feito pela OMS ocorreu em agosto de 2014, quando o surto de ebola se expandia em países da África. Desde a reformulação do Regulamento Sanitário Internacional, em 2007, além do ebola, apenas as doenças H1N1, em 2009, e pólio (em 2014) receberam tal status.

Nas Américas do Sul e Central, 24 países já reportaram casos de zika vírus. O Brasil fez um alerta em outubro sobre um número elevado de nascimentos de crianças com microcefalia na região Nordeste.
Os casos de transmissão de zika concentram-se nas Américas, mas estão presentes na África, Ásia e Oceania. O vírus também foi detectado na Europa e nos Estados Unidos, em pessoas que viajaram ao exterior.

Declaração de Emergência Internacional

A declaração da OMS foi feita após reunião de um comitê técnico de emergência, formado por pesquisadores e especialistas de diversos países. O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, participou dos debates por videoconferência.

O comitê foi criado depois que os Estados Unidos emitiram alerta para que gestantes não viajassem a países onde circula o vírus e que governos aconselharam mulheres a não engravidar.

Durante sessão do conselho da organização na semana passada, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a situação do vírus no mundo mudou drasticamente e que o Zika, após ser detectado nas Américas em 2015, se espalha agora de forma explosiva.

Em maio de 2015, o Brasil confirmou seu primeiro caso desse tipo de transmissão, em um paciente da região Nordeste.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas poderiam ser contaminadas pelo vírus em 2016 nas Américas. Mas a OMS hesita em chancelar a projeção.

Com mais de 1,5 milhão de contágios desde abril, o Brasil é o país mais afetado pelo zika vírus, seguido pela Colômbia, que anunciou mais de 20 mil casos, 2.000 deles em mulheres grávidas.
Há 270 casos de microcefalia confirmados no Brasil e 3.448 em estudo. No final do ano passado, foi confirmada pelo Ministério da Saúde a relação entre o vírus zika e a microcefalia - caso inédito na pesquisa científica mundial.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/02/01/oms-declara-emergencia-internacional-por-surto-de-zika.htm

2016/01/20

Brasil tem dois novos casos de microcefalia causada por zika vírus a cada hora

O novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado nesta quarta-feira (20), aponta que o Brasil tem 3.893 casos de microcefalia causada por zika vírus, 363 a mais do que na última semana quando o último balanço foi anunciado. O número mostra uma alta de 10%, e também que a cada uma hora, duas novas ocorrências são registradas no País. Os dados, que foram computados até o último sábado (16), traduzem o quão alarmante é a doença e como os brasileiros precisam se cuidar em relação ao Aedes aegypti, mosquito transmissor também da dengue e da febre chikungunya.
 
Do total de casos notificados, 3.381 ainda estão em investigação em laboratórios. Apresentaram alterações atípicas nos exames 224 ocorrências, ou seja, quando se sugere fortemente a infecção de zika durante a gestação, e outros 282 casos foram descartados. O Ministério confirma 49 óbitos por malformação congênita, sendo que cinco casos são de infecção por zika – quatro no Rio Grande do Norte e um no Ceará. Há uma outra sexta notificação de morte no interior em Minas Gerais, mas ainda não há detalhes sobre o caso.
 
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