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2015/08/27

Governo do Rio admite que crise hídrica no Paraíba do Sul é a pior da história

Reservatório do Paraibuna, principal que abastece o estado do Rio, chegou a 1,7% do volume útil, segundo relatório da ANA

Rio -  O Secretário Estadual do Ambiente, André Corrêa, admitiu nesta quarta-feira, que a crise hídrica no Rio "é a mais grave da história". O relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) apontou que o Reservatório do Paraibuna, principal que abastece o estado do Rio, chegou a apenas 1,7% do volume útil e deve voltar ao volume morto. O secretário voltou a pedir que a população fluminense não desperdice água.

"As operações que fizemos permitiram a economia de 1,5 trilhão de litros. Sem isso, estaríamos secos. Peço à população que economize água”, disse André Corrêa.

O secretário anunciou que, como medida de contingência, a vazão mínima no rio Paraíba do Sul, no ponto de transposição para o Guandu, em Barra do Piraí, na barragem de Santa Cecília, que já havia sido gradualmente reduzida de 190 m3/s para 140 m3/s e sofreu mais duas reduções desde 15 de agosto, atingindo 115 m3/s em Santa Cecília, sofrerá mais uma redução:  110m3/s em Santa Cecília, sendo 75 m3/s para o Guandu, a partir desta quinta-feira.

O Reservatório do Paraíbuna, no Vale do Paraíba (SP) entrou pela primeira vez no volume morto em janeiro deste ano e ficou por 19 dias nesta situação. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, no mês de agosto do ano passado, o reservatório estava com cerca de 11% da capacidade e em 2013 com 55%.
Os reservatórios do Paraíba do Sul estão próximos do volume morto
Foto:  Banco de imagens

O pesquisador Paulo Carneiro, do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ, esclarece que essa medida não deve ser sentida pelo morador do estado do Rio nos próximos meses. No entanto, ele aponta que o próximo verão será o termômetro para o enfrentamento da crise hídrica no estado. Se novamente as chuvas vierem em quantidade menor, como aconteceu entre novembro e abril, o governo do estado pode ser obrigado a adotar medidas de racionamento de água.

"Se o verão for pouco chuvoso, nós vamos ter um ano de 2016 muito preocupamente, com muita restrição de reserva de água. Como consequência desse cenário, o governo vai ter de adotar o racionamento, não apenas para a população, mas também restringir o uso para a agricultura e para a indústria.

Carneiro acredita que a reversão do quadro somente acontecerá se os gestores da água deixarem de usar primordialmente a Bacia do Paraíba do Sul com objetivo de geração de energia. Segundo ele, a Agência Nacional de Águas vem errando desde o início de 2014 ao não adotar tal política preventiva. A situação se agravou no último verão quando as chuvas vieram em um volume menor que o esperado. 

"Desde o início de 2014 ja havia indicações de que o Paraíba do Sul chegaria a esse ponto. A  ANA deveria ter retido a água nos reservatórios e não usado a água para gerar energia. Essa crise vai exigir que se mude a lógica de operação para que cidades da Região Metropolitana não entrem em colapso. É necessário inverter a prioridade, o primeiro objetivo deve ser a segurança hídrica", apontou.

Uso racional é urgente, diz especialista

O pesquisador ratifica a crise hídrica do Paraíba do Sul como a pior de todos os tempos, desde que a Bacia do Paraíba do Sul passou a operar com o sistema de reservatórios, nas décadas de de 60 e 70. "É, sem dúvida, a pior situação histórica", disse ele. Carneiro pontua que a solução passa pelo planejamento a longo prazo. "É necessário que a gente tenha um planejamento mais transparente para o futuro. A gente tem uma companhia (a Cedae) que não dá informações para o trabalho científico. Neste momento do nosso estágio democrático isso não faz sentido. É necessário um debate a longo prazo não ficar apenas na discussão de se vai ter água na torneira ou não".

De acordo com Daniele Nunes, Coordenadora da Câmara Técnica do Comitê de Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul, o problema chega com um conjunto de medidas que não foram tomadas, mesmo com o atual cenário. “Existe uma necessidade mais que urgente em se investir em recuperação de bacia hidrográfica, principalmente do Paraíba do Sul. Nós ainda não temos previsões certas de chuvas. Talvez, a reposição total desses reservatórios só chegue no final de 2016 e inicio de 2017. Estamos retirando água sem repor, algo precisa ser feito.”

Ainda segundo Daniele, já devíamos ter adotado o uso racional da água há muito tempo. “Estamos em um momento de crise muito sensível. A situação está crítica e a população precisa ser conscientizada de que é preciso utilizar água de forma racional, não podemos desperdiçar”, comentou.

Felipe Martins
Colaborou Vinícius Amparo
http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-08-26/governo-do-rio-admite-que-crise-hidrica-no-paraiba-do-sul-e-a-pior-da-historia.html

2014/11/02

Seca na Bacia do Rio Paraíba do Sul pode causar apagões no estado

Riscos para a população com a pior estiagem em 80 anos vão além da falta d’água

Rio - Especialistas alertam que a pior seca em 80 anos deve causar transtornos além da falta d’água no Estado do Rio: apagões de energia e aumento do número de doenças gastrointestinais também são fantasmas que assombram as próximas estações.

A estiagem que castiga a Bacia do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 14 milhões de pessoas, tende a se agravar. Mas já deixou a Represa do Funil, em Itatiaia, no Sul Fluminense, operando com 10% de sua capacidade de geração de energia — o segundo pior índice desde que entrou em atividade, em 1969.

Além do desabastecimento na maioria das 37 cidades que captam água diretamente do manancial nos estados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais, o colapso do sistema afeta em cheio a geração de energia elétrica e pode causar surtos de doenças provocadas pelo consumo de água de poços artesianos contaminados, alternativa que virou febre, como na Baixada Fluminense e na Zona Oeste.
Em abril, relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico já havia adiantado que a bacia corre o risco de praticamente secar até o final do ano, caso não chova o suficiente, alcançando o negativo recorde de 1,8% de sua capacidade. Hoje, está na casa de 5%. David Zylbersztajn, do conselho de administração da Light e sócio-diretor da DZ Negócios com Energia, já garantiu que o sistema elétrico brasileiro não terá energia suficiente em 2015.

Na Represa do Funil, o cenário é desolador. A usina, que, com o armazenamento de até 890 milhões de metros cúbicos de água, gera 216 megawatts para a Light, revendida para 600 mil clientes, operava na sexta-feira com 10% de sua capacidade de volume útil, o segundo pior índice. Áreas que deveriam estar alagadas, deixam à mostra pedras, lixo e areia.
 
“Neste verão, há riscos reais de racionamento de água e energia e desencadeamento de epidemias de enfermidades, como hepatites, diarreia infecciosa e cólera”, ressalta o engenheiro sanitarista e assessor de Meio Ambiente do Crea-RJ, Adacto Ottoni. Ele cobra, desde 2005, o reflorestamento de 80% de áreas devastadas no entorno da Bacia do Paraíba.
 
De acordo com a meteorologista Marlene Leal, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente no outono de 2015, em maio, é que choverá em quantidade suficiente para suprir a falta de água no Paraíba. Hoje está prevista a chegada de uma frente fria ao Médio Paraíba, mas o volume será baixo. “As chuvas de Primavera e Verão não superarão o déficit de água nos reservatórios do Sudeste”, avalia Marlene.
Em nota, a Light explicou que ainda não há impacto no fornecimento de energia para seus 4 milhões de clientes nos 31 municípios que opera, incluindo a capital, e que, ser for necessário, acionará o Sistema Interligado Nacional para compensar desabastecimento.
A escassez de água pode ser vista ao longo do curso de água. Em Resende, Barra Mansa e Volta Redonda, o assoreamento do leito deixa à mostra bancos de areia, mato e lixo que chegam à metade do manancial, em alguns pontos. “Pesco há 56 anos aqui e nunca vi o rio num estado de calamidade tão grande”, atesta o pescador de Volta Redonda, Bertoldo Rocha, 72 anos. Ele conta que há 20 anos pescava em torno de 40 quilos por dia de peixes e hoje não passa de 4 quilos.
 

Francisco Edson Alves

2013/11/26

Chuva: cinco cidades do interior e um rio na Baixada estão em alerta

RIO - A chuva que cai em diversas regiões do estado nesta terça-feira deixa cinco cidades e um rio na Baixada Fluminense em estado de alerta. Os municípios atingidos ficam no Norte e Noroeste Fluminense. São eles: Laje do Muriaé, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e Campos. Na Baixada, o Rio Capivari, que passa por Belford Roxo e Duque de Caxias, apresenta risco iminente de transbordamento. Os outros rios da região seguem em estado de atenção. O mesmo acontece com cidades do Sul Fluminense e Região Serrana. No Rio, a chuva causa transtornos principalmente na Zona Sul. Em Laranjeiras, um deslizamento derrubou um muro. Já em São Conrado, uma árvore caiu na Estrada da Gávea, atingido um ônibus e fechando a via nos dois sentidos.

A Estrada da Gávea foi fechada na altura do 430, próximo à Rua São Leobaldo, esquina com a Rua Dionéa, na Rocinha. O desvio é feito pela Rua Marquês de São Vicente e pela Autoestrada Lagoa-Barra. Equipes do quartel da Gávea, da CET-Rio e da Comlurb atuam no local. Um trecho da via está sem luz porque a fiação da rede elétrica acabou sendo derrubada. O ônibus atingido é da Viação Alpha e fazia a linha 175 (São Conrado-Gávea). Segundo um fiscal, o coletivo não estava lotado e ninguém se machucou. Segundo os Bombeiros, ninguém ficou ferido na queda da árvore.

Em Laranjeiras, a rua interditada por um deslizamento é a Belisário Távora. Seis carros foram atingidos pelo muro derrubado, na altura do número 521. Bombeiros do quartel do Catete foram acionados por volta de 8h40m. A ocorrência também não deixou vítimas.

No Norte e Noroeste Fluminense, a Defesa Civil está de prontidão, principalmente por conta do risco de transbordamento dos rios Muriaé e Paraíba do Sul, já que a chuva é forte nos estados de Minas e São Paulo, onde ficam as cabeceiras dos rios. Segundo a Defesa Civil, dos cinco municípios em alerta, somente Campos tem infraestrutura de proteção para conter a elevação do nível do Rio Paraíba do Sul em sua área urbana, com uma bateria de diques construída nos anos 1960. De acordo com o coronel Pires, coordenador estadual da Defesa Civil na região, o Rio Pomba também está sendo monitorado. No Sul Fluminense, o Rio Paraíba, que corta quase todas as cidades da região, está acima do seu nível normal, mas não transbordou.

Na Região Serrana, houve um deslizamento no quintal de uma casa, na Rua Vital Brasil, no bairro São Sebastião, em Petrópolis, na noite desta segunda-feira. Segundo o Corpo de Bombeiros da cidade, o imóvel não foi atingido, e ninguém ficou ferido. Na Rua Ferreira Barcellos, no bairro Retiro, mas também sem prejuízos nem vítimas. A Secretaria municipal de Defesa Civil informou que, até o momento, nenhuma ocorrência grave foi registrada na cidade. Os agentes atenderam apenas a pedidos de vistoria preventiva.

A cidade de Petrópolis segue em estado de atenção, com a secretaria acompanhando os índices pluviométricos. Os pluviômetros automáticos instalados em Petrópolis apontam que o maior índice foi registrado em Araras, onde choveu 46 milímetros em 24 horas. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) chegou a emitir um alerta de iminência de transbordamento do Rio Quitandinha na noite desta segunda-feira. De acordo com o sistema de alerta de cheias do instituto, em 24 horas foram registrados 101,8 milímetros de chuva no Centro da cidade. Apesar da intensidade do temporal, não foram registrados alagamentos na cidade.

A chuva, que atinge o estado há quatro dias, causou uma morte nesta segunda-feira. O corpo do pedreiro Antônio Rocha do Nascimento, de 42 anos, foi encontrado em um valão que corta a Rua Antônio Cunha, no bairro Carmari, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele foi levado por bombeiros para o Instituto Médico-Legal (IML). Segundo familiares, o pedreiro foi arrastado pela correnteza de um afluente do Rio Botas, que transbordou.

Acidentes e quedas de barreiras em rodovias do interior

Uma queda de barreira na Via Dutra, na altura da Serra das Araras, interditou totalmente a via, por volta das 4h20m desta terça-feira. Devido ao problema, o tráfego chegou a registrar sete quilômetros de engarrafamento. Equipes limparam a via, e a circulação foi retomada. Na mesma rodovia, um acidente entre um caminhão e uma carreta, na manhã desta terça-feira, interditou parcialmente a pista e o tráfego seguia lento no sentido Rio, na altura de Resende.

No início da noite de segunda-feira, um engavetamento envolvendo três veículos interrompeu a Dutra, no quilômetro 290, na altura de Porto Real, no sentido São Paulo. O motorista de uma carreta perdeu o controle do veículo por causa da pista molhada e acabou colidindo com um caminhão e um carro. Ninguém ficou ferido.

Também na segunda-feira, uma barreira caiu na Rodovia Rio-Santos, no quilômetro 552, no bairro Taquari, em Paraty, na Costa Verde. A terra interditou parcialmente a pista, mas não houve congestionamento no trecho. Na mesma rodovia, no quilômetro 526, no bairro Praia Vermelha, em Angra dos Reis, um acidente provocou uma morte e deixou quatro pessoas feridas.
As chuvas também provocaram um acidente com morte, na tarde de segunda-feira, na BR-393 (Rodovia Lúcio Meira, antiga Rio-Bahia), no quilômetro 229, na altura de Vassouras, no Sul Fluminense. Outras duas pessoas ficaram feridas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o motorista da carreta chegou a fugir do local após o acidente, mas foi localizado em Volta Redonda.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/chuva-cinco-cidades-do-interior-um-rio-na-baixada-estao-em-alerta-10882482#ixzz2llllqj5n