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2026/08/17

Mais da economia brasileira...

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2025/01/20

Artigo

                              A importância do Cooperativismo para o Brasil em 2025

 

O cooperativismo tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico do Brasil, e em 2025 a expectativa é a de que sua relevância seja ainda mais evidente. Com uma economia global cada vez mais interconectada e desafios locais que exigem soluções criativas, o modelo cooperativo se destaca como uma alternativa sustentável e inclusiva.

O Brasil conta com mais de 4,5 mil cooperativas registradas, que atuam nos ramos Financeiro; Agropecuário; Consumo; Infraestrutura; Trabalho, Bens e Serviços; Transporte e Saúde. Estas organizações representam mais de 23 milhões de cooperados e geram milhões de empregos diretos e indiretos, o que demonstra que o cooperativismo se consolidou como um dos pilares da economia nacional, promovendo inovação, equidade e resiliência econômica.

Ao contrário de modelos empresariais tradicionais, as cooperativas priorizam o bem-estar coletivo em vez do lucro de poucos acionistas. Em regiões rurais, as cooperativas agrícolas, por exemplo, são responsáveis por boa parte da produção de alimentos para o mercado interno e externo. Além disso, promovem a inclusão de pequenos produtores no mercado, garantindo preços justos e acesso a tecnologias.

Inovação Social e Sustentabilidade

As cooperativas desempenham um papel essencial na promoção da sustentabilidade. Seja por meio de práticas agrícolas regenerativas, seja na utilização de energias renováveis em cooperativas de energia, o modelo cooperativo contribui para a preservação ambiental.

Ao longo dos últimos anos, iniciativas de cooperativas de crédito, como o Sicoob Fluminense, têm financiado projetos voltados para o desenvolvimento sustentável, como energia solar e agricultura orgânica, demonstrando o compromisso do setor com um futuro mais verde.

Outro aspecto importante do cooperativismo é o seu caráter democrático. Todos os membros têm voz e voto, independentemente do capital investido. Esta estrutura promove a inclusão social e fortalece a cidadania, empoderando comunidades a participarem ativamente das decisões que afetam suas vidas. Isso é especialmente relevante em um país diverso e desigual como o Brasil.

Em 2025, as cooperativas brasileiras deverão continuar inclusive a expandir sua influência internacional, especialmente nos setores de crédito e agronegócio. A exportação de produtos agrícolas e o fornecimento de serviços financeiros para micro e pequenos empreendedores mostram como o cooperativismo contribui para a balança comercial e o crescimento econômico do país.

Apesar dos avanços, o cooperativismo ainda enfrenta desafios, como a necessidade de maior apoio governamental, modernização tecnológica e educação cooperativa para novas gerações. A ampliação do acesso a linhas de crédito e políticas públicas específicas podem impulsionar ainda mais o setor nos próximos anos, que direta e inicialmente produz riqueza nas próprias regiões em que atua.

Assim, o cooperativismo se firma como uma força transformadora no Brasil, promovendo desenvolvimento econômico, justiça social e sustentabilidade. Este  modelo não apenas atende às demandas do presente, mas também prepara o país para os desafios do futuro. Investir no fortalecimento das cooperativas é apostar em um Brasil mais igualitário, resiliente e próspero.

 

Neilton Ribeiro da Silva

Diretor Presidente do Sicoob Fluminense

2022/01/09

Eleições 2022 - economia. Matéria da Folha de S. Paulo

 Série detalha pensamento econômico de pré-candidatos; Sergio Moro tem entre as propostas o crescimento com fortalecimento de instituições democráticas

O objetivo do programa de governo de Sergio Moro é a retomada do crescimento econômico. Porém, o que se deseja é um crescimento que seja, ao mesmo tempo, inclusivo e sustentável. Inclusivo porque, além do aumento da renda per capita, buscará a eliminação da pobreza extrema e a melhoria da distribuição de renda. Sustentável porque o governo exercerá a sua obrigação de defender o meio ambiente.

Não haverá retomada do crescimento sem um aperfeiçoamento das instituições. A capacidade de crescer é uma função da qualidade das instituições. Este foi um dos principais erros do atual governo, no qual a política de confronto e de enfraquecimento das instituições impactou a segurança jurídica e a previsibilidade necessárias ao crescimento econômico.

Esse também foi um dos erros do governo do PT. A aposta no capitalismo de compadrio e em um modelo de cooptação de apoio político jamais levaria a um crescimento econômico sustentável. Escolhas políticas erradas aliadas à nova matriz econômica levaram à recessão de 2014 a 2016, da qual ainda não nos recuperamos. É preciso fortalecer as instituições democráticas, que terão que ser respeitadas e aprimoradas, como o fim da reeleição para cargos executivos, eliminação de privilégios e a reforma do Judiciário.

No campo econômico, a condição necessária mais importante para a reconquista do crescimento é a montagem de um arcabouço fiscal. Nos ciclos econômicos o governo tem que ter a capacidade de fazer uma política fiscal contracíclica, mas em “tempos normais” tem que manter a dívida pública em níveis sustentáveis, o que impõe que haja controle dos gastos. O arcabouço fiscal ideal requer reformas que cortem desperdícios e privilégios, direcionando recursos a setores e atividades com maior retorno social, isto é, que gerem ganhos para a sociedade como um todo, e não direcionados para barganhas políticas.

Porém, a responsabilidade fiscal é apenas a condição necessária. Além de criar um ambiente previsível que estimule os investimentos, é preciso aumentar a eficiência produtiva, removendo distorções. Um exemplo está no campo tributário, com uma reforma sobre os impostos e sobre bens e serviços, unificando-os em um IVA único cobrado no destino e com créditos liquidados em dinheiro. Nosso sistema tributário precisa ser aperfeiçoado eliminando a regressividade na incidência.

Outro exemplo está no campo da infraestrutura, que é complexo e requer uma análise isolada e profunda, mas que deverá ser realizado em grande parte pelo setor privado, na forma de concessões. Aqui serão fundamentais aperfeiçoamentos regulatórios, objetivando elevar a segurança jurídica e incrementar a competição.

No campo social, tanto quanto no econômico, o mundo já abandonou o mito do “Estado mínimo”, como foi idealizado por Thatcher e Reagan. Ainda existem testemunhos de como isso funcionava, como é o caso dos EUA, que preza a eficiência e a meritocracia, mas tolera a crescente concentração de rendas e riquezas. No extremo oposto estão os países da Europa Ocidental, onde o tamanho do Estado varia de país para país, com assistência universal de saúde em alguns casos e com o estado sendo o único provedor da educação, em outros.

O Brasil tem um nível enorme de pobreza extrema e uma camada enorme da população não tem oportunidade de acesso. A obrigação do governo é atuar neste campo, e há exemplos de políticas públicas, como na assistência à primeira infância, na educação, na orientação objetiva da saúde, e nas transferências de renda que “deem a todos o mesmo ponto de partida”.

O outro pilar do programa de Sergio Moro é o compromisso com o meio ambiente, que além de um valor em si traz dividendos políticos e econômicos. Como parte do planeta temos que fazer a nossa parte no campo ambiental.

Graças a uma longa tradição de pesquisa, com destaque para universidades e a Embrapa, há mais de 20 anos que a produção agrícola no Brasil cresce devido ao aumento da produção por unidade de área cultivada, sem a necessidade de incorporar novas terras.

A agricultura brasileira é um exemplo de eficiência e, no entanto, vem sofrendo limitações impostas por outros países devido ao desmatamento criminoso, principalmente na Amazônia.

O Brasil tem que readquirir o papel responsável que tinha no passado, começando com a meta de um desmatamento zero, aliada a políticas de desenvolvimento sustentável para a população da região amazônica. O Brasil não pode fugir à sua responsabilidade, e tem que assumir o protagonismo e a liderança mundiais em um cenário de preocupação com a mudança climática.

Matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo, edição de 6 de janeiro

https://www.agenciasindical.com.br/veja-as-bases-para-programa-de-governo-de-sergio-moro/

2020/04/03

Plano de guerra: como o governo deve agir para combater a crise econômica

É preciso planejar soluções com efeito em curto, médio e longo prazo — que envolvam trabalhadores e empresas de todos os tamanho e setores

Gastos contra epidemia elevam déficit público a R$ 419 bilhões

Veja - reportagem de capa

Radar: PGR dá parecer favorável para que estados adotem medidas sanitárias

Quem pode ser afetado pela MP que permite redução de até 70% do salário

CNI projeta impacto de US$ 18,6 bi nas exportações do Brasil

 

É preciso planejar soluções com efeito em curto, médio e longo prazo — para trabalhadores e empresas de todos os tamanho e setores

Por Victor Irajá e Thiago Bronzatto - Atualizado em 3 abr 2020, 06h18 - Publicado em 3 abr 2020, 06h00

Economista tido como o mais liberal dos liberais — ao menos entre os que realmente importam para o debate público —, Milton Friedman entendia a necessidade de os governos criarem redes de sustentação sociais. Foi de sua sala na Universidade de Chicago que saiu, em 1962, um projeto de renda mínima universal — inspiração para o brasileiro Bolsa Família e o recém-aprovado projeto do chamado “coronavoucher”, que distribuirá 600 reais pelos próximos meses a trabalhadores informais atingidos pela crise desencadeada pelo novo coronavírus.
 
Os princípios desenhados por Friedman e sua equipe são um exemplo de que o liberalismo admite, em determinadas — e estritas — circunstâncias, intervenções do Estado para a sustentação da economia. O momento de alto stress econômico provocado pela Covid-19 é, sem dúvida, um deles. Trata-se de uma situação de caos social e econômico vista somente em episódios como as duas grandes guerras mundiais. Em três meses, a economia global já entrou em uma espiral de declínio e, em se tratando das preocupações que enchem a cabeça de dez entre dez governantes do planeta, só perde para a mortandade decorrente da contaminação provocada pelo vírus.

Matéria na íntegra em:

https://veja.abril.com.br/economia/plano-de-guerra-como-o-governo-deve-agir-para-combater-a-crise-economica/

2020/03/08

'15 semanas para mudar o Brasil': plano de Guedes é 'consistente', afirma analista

O plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, para fazer avançar uma ampla agenda de reformas no campo econômico em 15 semanas é "consistente", ainda que apresente desafios, de acordo com um analista ouvido pela Sputnik Brasil.

 
O plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, para fazer avançar uma ampla agenda de reformas no campo econômico em 15 semanas é "consistente", ainda que apresente desafios, de acordo com um analista ouvido pela Sputnik Brasil.
 
Na terça-feira, Guedes fez um apelo junto a movimentos da sociedade civil, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua, para que um total de 12 propostas apresentadas ao Congresso Nacional sejam apoiadas por tais organizações.
"Temos só 15 semanas para mudar o Brasil", declarou Guedes, citado pelo jornal O Estado de S. Paulo, durante um almoço na casa do secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, em Brasília. No topo das prioridades estão duas reformas: a Administrativa e a Tributária.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor de Relações Internacionais e pesquisador do Instituto Atlântico, Augusto Cattoni, avaliou que "objetivamente falando" a proposta do governo do presidente Jair Bolsonaro é possível, porém com ares de um grande desafio.
"Toda a vez que o Paulo Guedes fala eu me acho em acordo com o que ele diz, e evidentemente o Brasil precisa de investimentos. O que o Paulo Guedes está tentando fazer, ao meu ver, é destravar um pouco [a economia] para que investimentos sejam feitos lá onde são necessários. Quando isso acontecer eu acho que o Brasil pode deslanchar", avaliou.
O prazo estabelecido por Guedes coincide com o fim dos trabalhos legislativos do Congresso no primeiro semestre, e a perspectiva é que a política brasileira foque os seus olhares nas eleições municipais, o que inviabiliza em teoria a aprovação de matérias complexas.
Cattoni lembrou, contudo, que não é só o calendário que joga contra os planos de Guedes.
"São projetos complicados, muito complicados cada um deles em si, mas temos que manter em mente que a Reforma da Previdência passou e isso era bastante improvável que passasse no Brasil. Todos os problemas que existiam [naquela época] permanecem hoje. Ou seja, o governo não possui uma base sólida no Congresso, o presidente nem pertence a um partido político, isto é inédito e complica mais, dificulta mais a interlocução do governo com o Congresso. Mas se há um consenso de que todas essas reformas são importantes e há vontade de fazê-las, por que não?", afirmou o pesquisador.

Caminho difícil para as reformas

Declarando-se favorável à ideia de Guedes e sua equipe, o analista ouvido pela Sputnik Brasil ainda concluiu que a Reforma Tributária, que promete simplificar os tributos e enxugar a carga tributária no Brasil, tem chances maiores de ser de fato analisada e votada pelos parlamentares.
"Eu acho que a [Reforma] Tributária é muito importante. Há um consenso no Brasil de que algo deve ser feito para transformar e reformar os tributos no Brasil [...] Então esta é uma reforma que nos é muito cara e, basicamente, o que se fala agora é de querer simplificar os tributos no Brasil. Isso é muito bom e realmente a essência da nossa proposta é de se fazer uma simplificação profunda na forma de se pagar impostos no Brasil", pontuou.
Entretanto, a mais aguardada – e polêmica – é a Reforma Administrativa, que já divide opiniões, mobiliza categorias do serviço público e que gerou tensões até dentro do governo, diante da demora de Bolsonaro em assinar a proposta e permitir que ela fosse enviada ao Legislativo federal.
Cattoni disse não ter dúvidas de que essa reforma no funcionalismo público brasileiro é relevante para acabar com discrepâncias sobre salários, previdência e aposentadorias de servidores no país. Ele ainda criticou a presença de sindicatos, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), nas discussões.
"[A Reforma Administrativa] é mais complicada porque há menos consenso na sociedade que algo deva ser feito [...] Em teoria, é algo que deve ser feito e deve ser aceito, mas o funcionalismo é representado pela CUT e ela vai espernear muito quando esse tema foi debatido no Congresso. Então não vai ser fácil, mas eu acho que junto à sociedade civil há muito apoio para isso", sentenciou o pesquisador.
"E aí vem o tema do início da conversa sobre o porquê você deve conversar com os movimentos sociais, como o Vem Pra Rua e esses outros. Porque aí está deixando de lado os sindicatos, os interesses do funcionalismo e falando para a sociedade, de todo mundo que tem algo a ver com isso e que na maioria do tempo são vítimas do funcionalismo público, que é ineficiente no Brasil e muito caro", acrescentou.
O especialista ouvido pela Sputnik Brasil ainda complementou dizendo que, mesmo sem possuir um partido grande em sua base de apoio, o governo Bolsonaro pode conseguir avançar com os projetos defendidos por Guedes, desde que a ideia dos apoios e pressões de movimentos da sociedade civil funcione.
"Quando isso acontecer eu acho que o Brasil pode deslanchar, mas sempre há muita oposição a tudo aqui no Brasil, há muita picuinha, o pessoal perde muito tempo falando e não diz nada no final das contas, se perde muito tempo e as coisas não são organizadas. Acho que com a Reforma da Previdência, que foi feita no ano passado, muita coisa foi feita e me serve de exemplo para me provar errado, de que as coisas podem sim acontecer. Acho melhor a gente manter um certo otimismo do que manter uma atitude cínica de que não pode acontecer. Acho que pode acontecer sim", finalizou.


 https://br.sputniknews.com/brasil/2020030415292342-15-semanas-para-mudar-o-brasil-plano-de-guedes-e-consistente-afirma-analista/

2020/02/28

Artigo

"Dois sucessos do Brasil: finanças e agricultura

O Brasil está para grãos como a Arábia Saudita está para o petróleo, e o sucesso do setor criou as bases para que o país esteja relativamente imune a crises

Se há um lado de sucesso da economia brasileira desde o virar do século ele é sem dúvida o agronegócio. Neste êxito, os único fatores prováveis eram as condições naturais, nomeadamente a extensão de terra arável potencial e é claro o grande aumento da demanda global de grãos originado pelo crescimento da China.
 
Tudo o mais foi um conjunto de improbabilidades que deram certo, a começar por uma interação rara de sucesso no nosso país entre política pública e setor privado corporizada na Embrapa. Hoje o Brasil está para os grãos como a Arábia Saudita para o petróleo e o grande sucesso deste setor criou as bases para que o país esteja relativamente imune a crises de balança de pagamentos que tanto assolaram o Brasil no final do século XX.
 
O fato da grande expansão do agronegócio no Brasil ser relativamente recente foi muito favorável a incorporação de novas tecnologias ligadas à produção agrícola, num ciclo virtuoso quer de aumento de produção quer de melhoria de produtividade.
 
A crise financeira de 2008 que encolheu o balanço de muitos bancos europeus muito ativos no financiamento nas exportações de grãos brasileiros foi também contornada com sucesso. E o que falar das grandes limitações de infraestrutura do Brasil? Só de fato a grande eficiência na produção permitiria cobrir as ineficiências logísticas e permanecer competitivo à escala global em termos de custo.
 
Existem dois setores no Brasil que são de fato de classe mundial em termos de dimensão e inovação. O setor financeiro e o agrícola. Contudo, existem ainda dificuldades para que o último se afirme de fato como classe de investimento viável para investidores com viés financeiro.
 
Em primeiro lugar, é preciso notar que as experiências de investidores financeiros na criação de empresas de produção agrícola a nível global não foram positivas. Os fatores locais na produção são demasiado importantes e os ganhos de escala a nível global demasiado fugidios para daí extrair grandes benefícios. Por outro lado, no Brasil existe um desequilíbrio entre as melhorias ao nível da produção e ao nível corporativo que também torna desafiante um investimento maior em empresas do agronegócio no país.
 
É aqui, contudo, que o mercado capitais pode desempenhar um papel muito importante na melhoria da governança corporativa do setor à semelhança do que fez em outras partes da economia nos últimos anos. A crescente importância do mercado de capitais no financiamento de muitas empresas foi talvez o maior fator na melhoria generalizada da qualidade da informação financeira e contábil que tem ocorrido no Brasil nas últimas décadas.
 
Poucas agendas também têm tanto impacto na economia como a de acessibilidade financeira. Financiamento é uma componente essencial para fazer a ponte entre o curto e o longo prazo, permitindo aos diferentes agentes econômicos investirem em capacidade produtiva.
 
Enquanto o financiamento de longo prazo foi dominado por agentes públicos e a taxa de juro de mercado muito alta, a acessibilidade financeira foi muito comprometida e o agronegócio sofreu como poucos essa realidade. O predomínio da economia de troca na cadeia produtiva, a falta de liquidez dos ativos e as excessivas garantias de muitos empréstimos em muito impactaram a capacidade de investimento de muitos empresários do setor. Esta realidade, contudo, pode mudar rapidamente.
 
A melhoria das condições de financiamento da economia, as inovações tecnológicas ao nível do setor financeiro, o volume de dados relevantes hoje debitado pelo setor agrícola dada a introdução de tecnologia na produção e a conscientização dos agentes públicos na aprovação de medidas regulatórias para beneficiar um papel maior do mercado de capitais no setor, pode ajudar o agronegócio a mais um salto de patamar. Desafios existem como é óbvio. As limitações de infraestrutura continuam relevantes  bem como a agenda ambiental e a geopolítica complexa que enfrentamos. Mas este é um Brazil que tem tudo para continuar a prosperar."

2019/12/22

A lanterna de Delfim

Foto:Claudio Gatti

Considerado o pai do milagre econômico, Delfim Netto é um eterno otimista e entusiasta das reformas propostas pelo ministro Paulo Guedes, considerando-as ambiciosas. Acha, contudo, que as medidas precisam ter respaldo maior no Congresso. Ele acredita que a economia crescerá, mas nunca mais acima de dois dígitos, como aconteceu durante o regime militar em que ele era tido como o mago do desenvolvimento

Tal qual Diógenes com a sua lanterna a vagar pelas ruas em busca de um homem honesto, o ex-ministro, ex-deputado e decano da economia brasileira, Antônio Delfim Netto, há décadas orbita o poder e o alerta sobre os caminhos certeiros na direção do crescimento sustentável. Não é para menos. Do alto de uma cátedra que enfeixa desde passagens pelo Ministério da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura a expedições intelectuais por territórios do mundo como embaixador na França, o fecundo e mais brilhante economista de todos os que passaram pelo poder na história republicana sabe do que fala. Foi dele o mérito do chamado “milagre” do desenvolvimento acelerado entre os anos de 1968 a 1973. Dele, é também aquela que ficou conhecida como a “inflação do chuchu” — por sua mecânica atrelada ao preço da hortaliça. Delfim, o camaleão de mil faces, vestiu com naturalidade o fardão da ditadura, sem nunca ter sido militar, e embalou-se com as deliberações do AI-5. Mas soube se esgueirar pela borda dos debates de esquerda, envolvendo-se e dando conselhos a Lula, Dilma e, quiçá, Fernando Henrique, para fazer brotar o Plano Real. Delfim é vulcânico em suas impressões e voraz nas críticas. Parrudo e espaçoso em todos os sentidos, garantiu assento cativo na vaga de conselheiro informal de praticamente todos os governantes — militares ou civis, à esquerda e à direita, sem preconceitos ideológicos, de credo ou origem. Ao longo de sua trajetória, a paternidade de uma ideia – teve outras, mas essa certamente o guindou ao posto de guru — fez com que todos compreendessem a importância de deixar crescer o bolo para depois dividi-lo.
 
“No setor público, o ajuste fiscal caminha razoavelmente. Seguramente estamos na direção do controle da relação entre dívida pública e PIB, importante para dar uma perspectiva melhor para o futuro”
 
Delfim foi e segue sendo um atávico defensor do crescimento econômico, como saída para todos os males. É um otimista por convicção e princípio. Têm seus diagnósticos e modestamente expressa sugestões que calçam feito luvas no complexo e barroco tabuleiro de disputas das propostas hoje em análise. O verdadeiro czar da economia não anseia os holofotes. Ao contrário. Prefere a discrição do seu escritório no sofisticado bairro do Pacaembu, em São Paulo, de onde, tradicionalmente, dia após dia, aboleta-se em sua poltrona para registrar ensinamentos. Exibe-os aos interessados quando solicitado. Jamais toma a iniciativa. Os artigos que publica são alvo de profunda imersão e pesquisa para as conclusões. Nos últimos dias, da mesma maneira que passou os mais de 70 anos anteriores, tem se dedicado a destravar problemas complexos de áreas tão distintas como educação e infraestrutura. Seus diagnósticos são evocativos de uma singular precisão sobre a doutrina cíclica das crises apocalípticas. O Brasil estaria ao final e ao cabo de uma delas, prestes a decolar de novo — e, agora, robustecido por uma musculatura de experiência que os tempos e desafios passados lhe proporcionaram. O conselheiro mais influente e onipresente dos mandatários do País, desde a era militar, está fazendo alertas estratégicos para as batalhas que se apresentam. Vai costurando uma teia de teorias que, juntas, podem elucidar a complexa equação que mistura geração de empregos, resgate da indústria, incremento das exportações, estímulo aos investimentos e garantia de um mercado de ações ativo para firmar o chamado ciclo positivo da economia.
 
Aos 91 anos, ele continua um otimista incorrigível. Acha que as mudanças propostas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, são mais ambiciosas “do que aquelas que qualquer um tenha imaginado até hoje”. As mudanças estruturais que Guedes está propondo dentro do plano “Mais Brasil” têm o condão de organizar a economia. Para o ex-ministro, que já foi considerado o czar da economia brasileira nos anos áureos do milagre econômico — por mais que ele tenha acontecido durante os anos de chumbo da ditadura militar —, as transformações propostas por Guedes comportam “ambições” maiores em relação às que ele próprio sugeriu no programa “Ponte para o Futuro” posto em prática pelo ex-presidente Michel Temer em 2016 como forma de recuperar a economia do desastre deixado por Dilma Rousseff. As opiniões de Delfim, portanto, têm um peso exponencial, já que ele, quando foi ministro da Fazenda na década de 70, levou a economia brasileira a crescer em ritmo chinês, de 11% ao ano. Delfim acredita que o atual governo, no entanto, em que pese os bons técnicos disponíveis na equipe econômica, não conseguirá repetir os resultados do milagre.“O mundo era outro, as circunstâncias eram bem diferentes”, ressalva. O mago da economia entende que se o País crescer hoje a uma taxa de 4%, “já estaremos avançando tanto quando naquele momento”. É o que disse ele em entrevista exclusiva à ISTOÉ na segunda-feira 18.
 
 
Em seu luxuoso escritório pisaram ministros da Fazenda de quase todos os governos desde o final da década de 50. Os conselhos de Delfim foram fundamentais, tanto que Lula recomendou que Dilma, ao sucedê-lo, se aproximasse mais de Delfim e ouvisse suas propostas para tirar o País da crise. A ex-presidente, arrogante, claro que não o escutou. Em 2016 Delfim e outros economistas ajudaram o MDB a formular o “Ponte para o Futuro”, do então vice-presidente Michel Temer, com propostas profundas para retomar o equilíbrio fiscal. Enquanto Dilma sofreu o processo de impeachment, Temer executou o plano. De imediato, o ministro da Fazenda da época, Henrique Meirelles, obteve a aprovação do limite do teto de gastos, o que estabilizou as despesas públicas. Uma política que está sendo seguida também pela equipe de Paulo Guedes.
 
 
Propostas ambiciosas
 
Delfim entende que a política executada pelo atual ministro da Economia, obedecendo os fundamentos do corte dos gastos públicos lançados pelo governo anterior, já está surtindo efeitos positivos. “No setor público, o ajuste fiscal caminha razoavelmente”, diz ele, que continua mais ativo do que nunca, não apenas como professor emérito da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), mas também como consultor de grandes empresas. Para ele, a redução da taxa de juros, que atinge o mais baixo patamar da história (5% ao ano), pode atrair novos investidores. “Somos um País com estabilidade, com projetos que têm taxas reais de retorno de 7% a 8% ao ano, por 25 ou 30 anos, quando o mundo está com taxas de juros negativas”.
 
Valendo-se de sua expertise na atração de recursos no exterior, o ex-ministro recomenda que o atual governo negocie melhor com o Congresso os avanços propostos por Guedes e fixe regras para que flua melhor a atração de investimentos por meio das privatizações, leilões e projetos de parcerias-público-privadas — fundamentais para o crescimento da economia. Ele sugere a criação de um “fast-track”, uma lei delegada na qual o Congresso entregue ao Poder Executivo as condições de produzir esse processo de atração de capitais. “O fast-track seria uma via rápida a ser aprovada pelo Congresso para conceder ao governo mais poderes para a venda de estatais”. Delfim só teme que isso não seja possível porque boa parte da classe política “guarda muito medo de que o governo Bolsonaro tenha êxito e assim se reeleja em 2022”. Delfim compreende que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, tenham dado grande contribuição para a aprovação da Reforma da Previdência. Lembra, porém, que o País precisa muito mais do que isso. “O investimento está esmagado. Para 2020, ele será de 0,3% do PIB, quando o ideal seria chegarmos a um investimento de 4% ou 5% ”. Nesse ritmo, diz Delfim, “o Brasil está em pleno subdesenvolvimento acelerado."
 
O guru acredita que a equipe econômica saberá contornar os problemas provocados por esse baixo nível de investimento. Delfim alimenta entusiasmo especial pela “equipe técnica” do atual governo, na qual inclui, além de Guedes, os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Tereza Cristina (Agricultura), classificados por ele como “espetaculares”. O ex-ministro aposta que se o presidente Bolsonaro deixar essa turma trabalhar, tudo irá melhor, “pois eles representam um programa de modernização, que pode fazer a diferença e significar uma inflexão na história do País”. Adverte, porém, que eles precisam ter suporte do Congresso. O professor tem receio que essa pauta inovadora esbarre na agenda de costumes de Bolsonaro, composta por temas carregados de retrocessos ideológicos, como foi o caso recente da proposta feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro. O filho 03 do presidente disse que se o Brasil tivesse conflagrações como as que ocorrem no Chile, poderíamos ter de volta o AI-5, que, no regime militar, fechou o Congresso, cassou políticos, prendeu e torturou opositores do governo. Delfim chegou a ser signatário do AI-5 em 1968, mas retomá-lo hoje, segundo afirma, “seria uma tolice monumental”. A falta de habilidade política do presidente e seus filhos, portanto, é nociva para o clima de estabilidade política e econômica. Para ele, “o presidente nega a coisa mais fundamental de uma sociedade civilizada, que é a negociação política e está confundindo negociação com corrupção”.
 
“O presidente nega a coisa mais fundamental de uma sociedade civilizada, que é a negociação política. Está confundindo negociação com corrupção, igno rando que a política, no sentido republicano, é a coisa mais natural que existe”
Nasce uma estrela
 
O protagonismo de Delfim começou no final dos anos 1950, no governo do Estado de São Paulo, e cresceu na década seguinte, quando integrou um órgão de assessoria à política econômica do governo do general Humberto Castelo Branco (1964-1967). Mas foi com a posse do general Artur da Costa e Silva na Presidência em 1967 que a estrela de Delfim começou a brilhar. Foi nomeado ministro da Fazenda, cargo onde permaneceu até 1974, já no governo do general Emílio Garrastazu Médici, quando se consolidou como o arquiteto do milagre econômico. A memória do Brasil potência, que ele deixou, levou-o de volta ao governo do general João Figueiredo (1980-1984). Primeiro, ocupou a pasta da Agricultura e, depois, a do Planejamento, quando retomou o comando da economia. Na redemocratização, no final dos anos 80, Delfim se tornou deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte, onde teve peso muito grande na formulação da atual Constituição.
 
Exerceu uma atuação parlamentar intensa até 2007. Autor de diversos livros, ele é leitor voraz e ficou famoso por comprar obras em baciadas no exterior. Em 2014, doou seus mais de 200 mil volumes para a FEA, onde ainda dá aulas eventualmente. Em mais de 70 anos de carreira pública, muita coisa mudou na sua vida, especialmente a mobilidade, que hoje lhe falta um pouco. Mas o raciocínio brilhante, o bom humor e o otimismo crônico, que continuam ágeis e intactos.
 
ENTREVISTA EXCLUSIVA
O ex-ministro Delfim Netto acredita que Paulo Guedes está propondo mudanças estruturais na economia, de forma mais “profunda” do que se imaginava
 
Qual é a sua avaliação do governo Bolsonaro?
Vejo uma clara divisão. Tem uma área escura, que tem preconceitos identitários e cuida de problemas de costume. Não me agrada. Mas tem uma outra área técnica, com gente altamente competente, que é realmente espetacular: Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura) e Paulo Guedes (Economia). Representam uma proposta de mudança do Brasil. Bolsonaro ajuda deixando-os trabalhar, e atrapalha com as questões da outra área. Esses nomes representam um programa de modernização, que faz diferença e pode significar uma inflexão na história do País, se tiver suporte no Congresso.
 
O senhor concorda com o plano Mais Brasil do ministro Paulo Guedes?
É uma tentativa de se mudar a estrutura administrativa do Brasil. O grosso do excedente produtivo é apropriado por uma casta de funcionários públicos, em um sistema que se autorreproduz. Está no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Esse excedente precisa ser reconduzido para a sociedade, e não para um grupo que detenha o poder. Isso é fundamental.
 
Esse programa pode trazer o crescimento de volta?
Há alguns sinais de que as coisas se recuperam. No setor público, o ajuste fiscal caminha razoavelmente. Seguramente estamos indo para um controle da relação entre dívida pública e PIB, que é importante para dar uma perspectiva melhor para o futuro. Estamos com uma baixa da taxa de juros, que eu acho definitiva. Desde a gestão do Ilan Goldfajn, o Banco Central colocou em marcha um programa de modernização do sistema financeiro que o Brasil estava necessitando. Hoje há um aumento de competitividade enorme com as fintechs. Tudo isso promete. Se houver crescimento, provavelmente não vai faltar o suporte monetário.
 
O que pode atrapalhar?
Minha única preocupação são as posições extremas de Bolsonaro. Ele nega a coisa mais fundamental de uma sociedade civilizada que é a negociação política. Confunde isso com corrupção, ignorando o fato de que o exercício político republicano é a coisa mais natural em todos os governos em que não há maioria no Congresso. O presidente tem 10% do Congresso. Portanto, seria natural que escolhesse parceiros, construísse um programa comum e distribuísse o poder com eles.
 
A economia está no caminho correto?
Algumas propostas são boas, outras são menos boas, mas em geral estão na direção certa. Há uma falta de demanda efetiva. Em condições normais, você mobilizaria alguns recursos e o governo investiria no programa de infraestrutura. Hoje isso é impossível. O País está com um nível de dívida de 80% do PIB, buscando o equilíbrio fiscal. É preciso mobilizar a oferta, os projetos de infraestrutura e as parcerias público-privadas, com financiamento interno ou externo, pois o governo não tem condições de financiar. Vamos corrigir a deficiência de demanda pelo aumento da oferta. À medida em que há aumento da oferta com investimentos, eles se multiplicam, elevam o nível de renda e emprego, e suprem a deficiência de demanda. Precisamos de um mecanismo que se autoalimente com recursos que vêm de fora. Esse é o esquema fora do tradicional “keynesianismo hidráulico”, que não funciona.
 
Mas isso não está funcionando?
Para isso precisamos de um fast-track. Tenho insistido em uma lei delegada. Ou seja, o Congresso, por um período determinado e sob seu controle, entrega para o Executivo as condições de produzir as privatizações, os leilões de investimentos e as parcerias público-privadas. É para o aumento da oferta, paradoxalmente, aumentar a demanda.
 
O fast-track ainda não foi enviado ao Congresso.
Há um problema sério. Honestamente, acho que uma boa parte do sistema político tem muito medo de que Bolsonaro tenha êxito. Porque assim ele se reelegeria. O fast-track é o maior risco para o governo Bolsonaro dar certo. Isso tem implicações políticas muito sérias.
 
Por que o governo não consegue propor esse projeto?
Há uma objeção política. O Congresso tem hoje um protagonismo muito interessante com o Rodrigo Maia e com o Davi Alcolumbre. Eles assumiram o controle da Reforma da Previdência. Mas, ainda que ela tenha feito tanto barulho, representa muito pouco. Temos um sistema em que as despesas correntes são endógenas. Aumentam independentemente do que acontecer. Como há um teto, o investimento foi sendo esmagado. Chegamos ao ponto em que o investimento previsto para 2020 é de 0,3% do PIB. Não poderia ser inferior a 4% ou 5% do PIB. Faz anos que o investimento público é menor do que a depreciação da infraestrutura. O Brasil está em pleno subdesenvolvimento acelerado.
 
Fatores externos ameaçam a retomada econômica?
A perspectiva não é das melhores com o Trump, de um lado, e o Brexit, do outro. Os EUA entregaram a Europa ao Putin. Cometeram equívocos na Ásia, levando uma surra dos chineses, e abandonaram os seus parceiros. Há um mundo instável do ponto de vista geopolítico, como é o caso do Oriente Médio. O Brasil está fora disso, em um mundo de paz. Já representamos uma grande oportunidade para o investidor. Somos um país com estabilidade, com projetos que têm taxas reais de retorno de 7% a 8% ao ano, por 25 a 30 anos, quando o mundo está com taxas de juros negativas. Por isso tenho a esperança de que o Brasil realmente recuperará o crescimento, se tiver acuidade e inteligência. Ninguém está falando em crescimento como o que já tivemos, mas de 3% ou 4%.
 
As taxas de crescimento que aconteceram na época em que o senhor estava à frente da economia voltarão?
Não, era um outro mundo. As circunstâncias eram diferentes. A população crescia 3,5% ao ano. O crescimento de 7% era um crescimento per capita de 3,5%. Se crescermos 4%, estaremos avançando tanto quanto naquele momento.
 
O ministro Paulo Guedes está se inspirando no programa econômico de Temer, para o qual o senhor contribuiu?
Os dois programas convergem. Acho que a ambição do Paulo Guedes é muito maior. Ele está propondo uma mudança estrutural na organização da economia brasileira. É muito mais profundo do que qualquer um tinha imaginado até hoje. Eu diria até que é necessário. Como estamos em um Estado Democrático de Direito, isso precisa ser negociado com a sociedade.
 
O AI-5 voltou ao noticiário com a menção de Eduardo Bolsonaro à possível utilização do instrumento novamente. Há espaço para se discutir uma medida semelhante?
Isso é uma tolice monumental. Não se volta ao passado. Se voltar, é uma farsa. É incompreensível que alguém que seja político proponha uma tolice como essa. No fundo, é porque não entendeu nada da história. É um marginal da história.
 

2019/12/16

'Prévia' do PIB do BC registra alta de 0,17% em outubro

O nível de atividade da economia brasileira registrou crescimento em outubro. É o que indicam os resultados de outubro do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) divulgados na sexta-feira (13) pelo Banco Central (BC).
O indicador é considerado uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
O IBC-Br apresentou uma expansão de 0,17% em outubro, na comparação com o mês anterior. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).
Na comparação com outubro do ano passado, o índice apresentou crescimento de 2,13%.
Os números do BC mostram que outubro foi o terceiro mês seguido de crescimento da atividade econômica. Porém, a alta apresentou desaceleração na comparação com setembro – quando foi registrado um aumento de 0,48%.
 
Evolução do IBC-Br
Em %, frente ao mês anterior
Fonte: Banco Central
De acordo com o Banco Central, na parcial do ano, foi registrada uma alta de 0,95% e, em 12 meses até outubro, um crescimento de 0,96% do IBC-Br. Esses valores foram calculados sem ajuste sazonal, pois consideram períodos iguais.

3º trimestre e previsões


De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 0,6% no 3º trimestre, na comparação com os três meses anteriores.
Segundo economistas ouvidos pelo G1, o PIB deve manter um ritmo de retomada gradual no último trimestre deste ano e ao longo do próximo, mas sem apresentar um crescimento robusto.
Na semana passada o mercado financeiro estimou uma expansão econômica de 1,10% para este ano e de 2,24% para 2020.

PIB e IBC-Br


O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.
O cálculo dos dois têm diferenças. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

Definição dos juros básicos da economia


O IBC-Br ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.
Atualmente, a taxa Selic está em 4,5% ao ano, na mínima histórica, e a avaliação do mercado é de que o ciclo de corte dos juros está próximo do fim.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
 
Por Alexandro Martello, G1 — Brasília
 
c/ed.

2019/12/02

Alta na produção de embalagens sinaliza crescimento da indústria

Em outubro, o setor bateu recorde. As fábricas de embalagens produziram mais de 334 mil toneladas de caixas, acessórios e chapas de papelão, aumento de 2,7% em relação a 2018.

Por Jornal Nacional
 
       

 
Fábricas de papelão batem recorde de produção
Fábricas de papelão batem recorde de produção
No mundo da economia, existem setores que são sempre os primeiros a dar sinais de que as coisas estão melhorando. Um desse setores bateu recorde histórico de produção no mês de outubro.
Máquina em velocidade acelerada para terminar as últimas encomendas do ano.
As fábricas de embalagens tradicionalmente aumentam as vendas nesta época do ano, por conta dos presentes de Natal. Mas, em 2019, o aumento foi ainda maior. É um dos sinais de que a produção industrial vem crescendo. Outras fábricas estão encomendando mais caixas, pacotes, para embalar tudo que produzem.
Em outubro, o setor bateu recorde. As fábricas de embalagens produziram juntas, pela primeira vez, mais de 334 mil toneladas de caixas, acessórios e chapas de papelão, um aumento de 2,7% em relação ao mesmo mês de 2018.
Na fábrica da família de Daniel Leiner, o crescimento em 2019 foi de 10%.
 
“Eu acredito que isso que estamos vivenciando agora na embalagem vai aparecer para o consumidor e para o mercado como um todo em poucos meses”, disse ele.
O papelão é considerado um dos termômetros da economia. O empresário já viu a temperatura subir e descer nos últimos anos. Em 2015, no Jornal Nacional, ele lamentava a queda nas encomendas.
 
“Pior do que está não vai ficar. As coisas tendem a melhorar."
Mas pioraram. Em 2016, o setor teve a menor produção dos últimos anos. Daniel demitiu funcionários.
Hoje, as vagas já voltaram a ser ocupadas e mais 35 operários começam a trabalhar ainda em 2019. E a expectativa desse especialista é que essa retomada se consolide em todos os setores.
 
“Está havendo uma recuperação no nível de emprego, que já está refletida na chamada massa de salários de todo o país. E é por isso que, inclusive, alguns analistas estão explicando as razões para o aumento do consumo, para o consumo de energia residencial e, aí vem na esteira de todo esse processo, o uso de embalagens”, disse o economista José Pio Martins.
Na empresa de Sérgio Froguel, 12 vagas estão abertas.
 
“Temos um quadro todo desenhado para que 2020 tenha um aumento significativo no nosso número de negócios”.
 
Nilson Alves da Cruz é um dos que conseguiram emprego na esteira desse crescimento. Foi contratado em novembro, depois de dois anos vivendo de bicos.


 

2019/11/19

Governo oficializa descontingenciamento do Orçamento de 2019

Ao todo, foram liberados R$ 13,976 bilhões que estavam bloqueados


Publicado em 18/11/2019 - 17:40
Por Wellton Máximo e Pedro Rafael Vilela – Repórteres da Agência Brasil Brasília 

                   
Quase uma semana depois de abrir o espaço fiscal, o governo oficializou o descontingenciamento (desbloqueio) de R$ 13,976 bilhões do Orçamento de 2019 que ainda estavam bloqueados, anunciaram há pouco os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
 
Segundo Paulo Guedes, a liberação total dos recursos que ainda estavam contingenciados foi possível porque o governo obteve receitas extraordinárias com a venda de ativos de estatais, que rendeu Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o ganho de capital das empresas, e pelos leilões do excedente da cessão onerosa e da partilha do pré-sal.
 
“Chegamos ao final do ano numa situação bastante melhor. Primeiro, porque tivemos muitas receitas extraordinárias que vieram das nossas próprias atitudes, andamos desmobilizando bastante, desinvestindo, e tivemos receitas com imposto de renda sobre ganho de capital, que obtemos desinvestindo. Segundo, porque nós acabamos descontingenciando o que havíamos preventivamente contingenciado, de forma a acabar tendo um ano bastante dentro das expectativas de gastos dos ministérios”, disse Guedes.
 
O ministro acrescentou que os contingenciamentos realizados no início do ano foram realizados porque o Orçamento de 2019 previa crescimento de 2,5%, enquanto a economia deve encerrar o ano com crescimento de 0,92%, segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central. Com o crescimento menor que o previsto, o governo arrecadou menos que o projetado, levando ao contingenciamento.
 
“Este foi um ano difícil porque havia expectativas embutidas no Orçamento que herdamos de crescimento acima de 2%. Fomos forçados, pela evolução da receita abaixo do que estava embutido na taxa de crescimento, tivemos de fazer contingenciamentos. Chegamos ao fim do ano com resultado melhor”, disse Guedes. Ele acrescentou que, ao longo do ano, o governo não cedeu às pressões para flexibilizar o teto de gastos, para dar sinal de comprometimento com a austeridade fiscal.
 
“Como não abrimos mão do teto de gastos, apesar das pressões, queríamos mostrar que nosso governo iria reverter trajetória descontrolada dos gastos públicos nas últimas décadas”, declarou.

Prudência

Lorenzoni afirmou que o governo optou por ser rígido na execução do Orçamento, para só poder liberar recursos depois de receber garantias de que as receitas extraordinárias iriam entrar. “Em nenhum momento, flexibilizamos. Começamos reduzindo o tamanho do governo. Desestatizando, desmobilizando e buscando receitas extraordinárias. É importante lembrar que, até outubro, vivemos da incerteza da realização da cessão onerosa”, disse Lorenzoni.
 
Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, o contingenciamento de parte dos gastos discricionários (não obrigatórios), no início do ano, representou uma medida de precaução. “A razão de termos chegado ao final do ano para pode fazer, neste momento, o anúncio do completo descontingenciamento é a vitória de um governo que foi, primeiro, cauteloso. A viagem estava no início, precisamos encerrar o ano com condições de executar nosso objetivo”, disse.

Cronologia

Em março, o governo contingenciou R$ 29,6 bilhões do Orçamento. Considerando as reservas no Orçamento, o bloqueio subiu para R$ 31,7 bilhões em maio, R$ 34 bilhões em julho. Em setembro, os recursos retidos caíram para R$ 21,6 bilhões. Em outubro, com a confirmação do leilão da cessão onerosa, o Orçamento passou a ter folga de R$ 37,7 bilhões, subindo para R$ 54,5 bilhões no relatório divulgado hoje.
 
Com a repartição dos recursos da cessão onerosa para estados e municípios e o pagamento à Petrobras pelos barris excedentes de petróleo na camada pré-sal, o Orçamento de 2019 fechará o ano com reserva de R$ 18,12 bilhões. Segundo o secretário de Orçamento Federal, George Soares, parte dessa reserva será usada para pagar créditos extraordinários, mas a maioria ajudará a diminuir o déficit primário – resultado negativo das contas do governo desconsiderando os juros da dívida pública.
 
Matéria na íntegra em: