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2013/11/18

Petronas rescinde contrato com OGX envolvendo blocos na Bacia de Campos

RIO DE JANEIRO, 18 Nov (Reuters) - A OGX, empresa de petróleo e gás do grupo EBX, informou nesta segunda-feira ter recebido da malaia Petronas notificação sobre rescisão de contrato relativo à venda de participação de 40 por cento nas concessões dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, localizados na Bacia de Campos.

Segundo fato relevante, a OGX disse que submeteu o assunto à análise de seus advogados e que está avaliando a "adoção das medidas legais cabíveis".

A empresa de Eike Batista anunciou meses atrás acordo com a Petronas para vender participação nos blocos, incluindo o campo de Tubarão Martelo, além de acumulações Peró e Ingá, na Bacia de Campos, por 850 milhões de dólares -- a maior parte do valor só seria desembolsado quando o campo começasse a produzir.

O campo é uma das alternativas da petroleira, que no final de outubro entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, para gerar receita, num momento em que enfrenta sérias dificuldades de caixa.

Na semana passada, a Petronas havia dito que esperaria uma decisão da Justiça sobre o pedido de recuperação judicial antes de decidir sobre o acordo.

(Por Luciana Bruno)
http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2013/11/18/petronas-rescinde-contrato-com-ogx-envolvendo-blocos-na-bacia-de-campos.htm

2013/10/09

Acionistas minoritários da OGX processam Eike

Eles acusam a empresa de divulgar informações otimistas que não se confirmaram

Um grupo de acionistas minoritários da OGX decidiu entrar com ações contra a empresa, Eike Batista e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Eles acusam a política de divulgação da OGX, que anunciou informações otimistas sobre o campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Em julho deste ano, o bloco foi devolvido por não ser viável economicamente.

O declínio da empresa de Eike acontece há mais de um ano, com poços produzindo um montante de barris bem abaixo do prometido. No entanto, os desinvestimentos foram poucos, já que as promessas eram muitas. Os acionistas acreditavam ser apenas uma "fase ruim". A situação só ficou clara com o anúncio de desistência do campo de Tubarão Azul, mas, nessa altura, já era tarde. "Nós (os acionistas) nos reunimos com regularidade para analisar a situação da empresa e por algumas vezes constatamos que os resultados estavam bem abaixo do prometido, mas acreditamos ser uma falha técnica nos testes de engenharia, eles acontecem", explica Eduardo Mascarenhas, engenheiro e acionista minoritário da OGX. "Mas quando anunciaram a desistência do campo de Tubarão Azul, foi um absurdo. Como um poço que prometia ser um dos maiores do mundo passa a ser nulo? É grave demais", completa.

O economista Aurélio Valporto, outro acionista da empresa, sugere ainda indícios de fraude entre parte dos diretores da empresa de Eike e as comunicações ao mercado em prol do fomento da compra e venda de ações, já que, a cada notícia relevante, os títulos se valorizavam. "As informações faziam parecer que o investimento era muito seguro. Em uma entrevista, na época, a repórter perguntava ao Eike o que precisava ser feito para que os brasileiros enxergassem como as ações estavam baratas e promissoras. Hoje em dia, é mais claro perceber como tudo aquilo era combinado", diz Aurélio.

Segundo ele, a Comissão de Valores Mobiliários, que é responsável por regular os mercados de bolsa, e a BM&FBovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, também serão processados porque foram negligentes em relação à OGX, faltando rigor na inspeção das informações divulgadas pela empresa.

Em um vídeo,  Eike Batista chega a dizer que a OGX detinha um trilhão de dólares em valor de petróleo em águas rasas. "Ele nunca fez estimativas e prospecções, sempre falava como uma certeza incontestável. Todo mundo foi acreditando até chegar em um ponto em que não conseguíamos nem desinvestir. Quem ia querer comprar ações de uma empresa que caía 30%, 40% por dia?", conta Maurício Narras, programador e acionista da OGX.

A entrada no processo seria feita na próxima quinta-feira, dia 10, mas o grupo de investidores decidiu postergar o início porque, a cada dia, novas informações chegam e, segundo eles, é preciso ter o máximo de informações possíveis para obter êxito. Muitos, inclusive, ainda não pagaram o valor necessário aos advogados para dar entrada na ação judicial. "O número de acionistas é bem maior do que o número dos que se juntaram para o processo. Isso porque muitos têm medo de a justiça não ser feita", explica Aurélio Valporto.

Jornal do Brasil
Amanda Rocha*
*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

2013/08/28

Eike oferece fatia da OGX para credores

Com sua petroleira perto de ficar sem dinheiro para manter as atividades, Eike Batista iniciou a negociação da reestruturação da dívida da OGX com os detentores dos papéis no exterior.

A ideia é convencê-los a converter os US$ 3,6 bilhões de dívida em participação acionária da OGX, diluindo a a fatia do empresário, que se tornaria minoritário.

Segundo a Folha apurou, os fundos Pimco e BlackRock, dois dos maiores credores, já acenaram com a possibilidade de aceitar se tornarem sócios de Eike. Mas ainda há uma longa batalha até chegar ao valor da conversão.

Os títulos da dívida da OGX são negociados hoje entre 15% e 25% do seu valor de face, o que já representa um forte desconto para os credores. A negociação é complicada e pode durar mais dois meses.

Chegar a um consenso com os credores tornou-se urgente desde que a Petronas, que se comprometeu a adquirir 40% do campo de Tubarão Martelo (na bacia de Campos), condicionou o pagamento à reestruturação da dívida.

A notícia foi uma surpresa para a OGX. Ela dependia do dinheiro da empresa da Malásia para manter as atividades e contava com a ajuda dela na negociação com credores.

"O acordo ainda está pendente de uma visão clara. A reestruturação da dívida tem que ocorrer primeiro", disse Shamsul Azhar Abbas, diretor-executivo da Petronas, a repórteres na Malásia.
 
SEM DINHEIRO

Segundo relatório do Deutsche Bank, sem o pagamento da Petronas, o caixa da OGX acaba até o fim de outubro. A empresa fechou o segundo trimestre com R$ 722 milhões em caixa, após gastar seus recursos em investimentos, juros e no pagamento de multa à OSX, estaleiro do grupo de Eike.

Para o banco, o caixa da OGX não é suficiente para pagar fornecedores, funcionários, fazer os investimentos mínimos e honrar os juros da dívida no exterior.

No seu balanço, a petroleira afirma que, "para manter a continuidade das operações", depende do pagamento das parcelas do acordo com a Petronas, da entrada em produção do campo de Tubarão Martelo e da possibilidade de obrigar o controlador a injetar US$ 1 bilhão na companhia.

Para analistas, a OGX tem poucas chances de conseguir colocar Tubarão Martelo em produção sem a Petronas. O mercado também não acredita que Eike vá colocar na empresa os recursos prometidos.

O aperto de caixa é tão grande que a OGX anunciou ontem que desistiu de ficar com os blocos que adquiriu sozinha na 11ª rodada de área de petróleo e gás natural da ANP, em maio, sob o argumento de não querer assumir mais riscos exploratórios.

A empresa teria que pagar R$ 370 milhões pelos blocos até sexta-feira. Com a decisão de devolver nove blocos e ficar com quatro, a conta caiu 74%, para R$ 95,9 milhões.

A OGX disse que vai devolver os blocos nas bacias de Barreirinhas (três), Ceará (um), Foz do Amazonas (um) e Parnaíba (quatro), pelos quais pagará R$ 3,4 milhões em penalidades. Os quatro blocos adquiridos com ExxonMobil, Total e Queiroz Galvão Exploração e Produção serão mantidos.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/08/1333048-eike-oferece-fatia-da-ogx-para-credores.shtml

2013/07/14

Minoritários da OGX se reúnem em SP e decidem pedir à CVM informações sobre a empresa

SÃO PAULO - Um grupo de cerca de 35 acionistas minoritários da OGX Petróleo, empresa petrolífera do empresário Eike Batista, se reuniu neste sábado numa churrascaria em São Paulo para discutir estratégias contra as perdas.

As ações da empresa se desvalorizaram cerca de 95% de outubro de 2010, quando atingiu sua cotação máxima de R$ 23,27, até a última sexta-feira, fechado a R$ 0,43. No encontro, que durou duas horas, os minoritários traçaram uma linha de ação para ter algumas de suas reivindicações atendidas, como a criação de um conselho fiscal, indicação de um representante para o conselho de administração e informações objetivas sobre a real situação da OGX.
 
Eles também fizeram um apelo para que os milhares de pequenos investidores da OGX não 'aluguem' suas ações neste momento. O objetivo é evitar especulação, com mais apostas na queda de preço do papel.
- As pessoas que puderem, neste momento, não aluguem suas ações. O que tem ficado muito claro para os minoritários é neste momento especulação não vai devolver valor para a empresa - disse William Magalhães, responsável pela organização da primeira reunião entre acionistas minoritários.

Neste tipo de operação, o investidor aluga uma ação por uma taxa e um período pré-determinados. Depois, vende as ações alugadas ao mercado, apostando que seu preço cairá no futuro. Quando ela se desvaloriza, o investidor recompra o papel por um preço menor e devolve ao seu proprietário, embolsando a diferença.

Ata será enviada à CVM

A demanda por aluguel de ações da OGX cresceu muito este ano, com o mercado apostando na desvalorização dos papéis da petrolífera. A BM&FBovespa elevou por duas vezes o limite para o aluguel de ações da OGX. Na última, em maio, o percetual limite passou de 30% para 45% das ações em circulação. São estimados em 51 mil os acionistas pessoas físicas da OGX.
O grupo também decidiu que vai encaminhar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado, alguns pedidos de informações sobre a OGX, uma vez que as solicitações feitas diretamente à empresa não surtiram efeito.

- A ata dessa reunião será levada à CVM para que a gente consiga agendar uma audiência para protocolar alguns pedidos de explicações da real situação da empresa. O que queremos é transparência. Por que os conselheiros saíram? Por que esses poços foram colocados como não comerciais neste momento se há poucos meses foram colocados como comerciais? - afirmou Magalhães.

No mês passado, a OGX informou ao mercado que três campos de petróleo eram inviáveis: Tubarão Areia, Tubarão Gato e e Tubarão Tigre. também informou que o campo de Tubarão Aazul, único em produção, pode parar de produzir no ano que vem.

O grupo ainda espera uma reunião com o Eike Batista, controlador do grupo EBX, e encaminhará à OGX uma cópia da ata do encontro dos acionistas minoritários.

http://oglobo.globo.com/economia/minoritarios-da-ogx-se-reunem-em-sp-decidem-pedir-cvm-informacoes-sobre-empresa-9025094