Mostrando postagens com marcador Ipea. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ipea. Mostrar todas as postagens

2014/04/04

Erro crasso II

Após a divulgação (do erro), o diretor de Estudos e Políticas Sociais , Rafael Guerreiro Osorio, pediu demissão do cargo.

Em nota, o instituto informou que o erro foi causado pela troca de gráficos. Outros dois dados divulgados também apresentavam equívocos. "Com a inversão dos resultados, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias", diz a nota do Ipea.
Quanto à outra questão que causou polêmica, o instituto reafirmou os outros resultados. "Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".

Repercussão

A pesquisa, com os dados alterados, gerou muita polêmica e uma campanha nas redes sociais com o lema #EuNãoMereçoSerEstuprada (Eu não mereço ser estuprada). A onda de indignação teve o apoio da presidenta da República, Dilma Rousseff.

Milhares de brasileiras se indignaram com a conclusão da pesquisa e se manifestaram nas ruas e em redes sociais. A jornalista Nana Queiroz, que organizou o evento no Facebook,chegou a receber centenas de ameaças de violência sexual por mensagens enviadas pela internet.

Com a correção dos dados da pesquisa, uma nova campanha surgiu no Facebook. "Eu não mereço ser enganada pelo Ipea" já conta com a participação de três mil seguidores em menos de duas horas e compartilha centenas de fotos e vídeos em protesto ao instituto.

“Lamento profundamente que o Ipea tenha sido pouco cuidadoso na divulgação. A diferença de resultados é abissal. Mesmo que haja apenas uma opinião favorável, temos que continuar investindo na conscientização e no combate à violência”, disse a ex-chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, que criou diversas delegacias de defesa da mulher no estado.

Para a socióloga da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Márcia da Silva Pereira Leite, a divulgação do novo resultado, mesmo que um pouco mais positiva, significa que ainda há preconceito. “Mesmo assim, se quase 30% concordam com a afirmação, demonstra o machismo elevado. É um processo longo de mudança de educação e cultura, mas a reação que se viu pelo país, pode ser parte da cadeia de mudança para a sociedade”, analisou.

O sociólogo e cientista político da Universidade Federal do Rio, Paulo Baía, criticou o erro. “O Ipea errou feio e desmoralizou a sociedade brasileira, porque a pesquisa se reflete direto na forma de pensamento da sociedade. Depois do novo número divulgado, o povo brasileiro vai ter menos peso na consciência”, afirmou Baía. Ele ressalta, no entanto, que o engano não diminui a gravidade do problema: “Estamos falando de um quarto da população, ainda é muita gente que aceita esse tipo de prática. Infelizmente, o machismo domina a cabeça da maioria das pessoas”.

Criadora de campanha diz que erro do Ipea não desqualifica mobilização

Para a jornalista Nana Quiroz, criadora do movimento, "a correção desqualifica o Ipea, não nosso protesto", opina. "Isso porque 26% é uma porcentagem muito grande e vamos lutar até chegar a zero", diz Queiroz. "Na verdade não ficamos tristes, ficamos felizes, porque a sociedade está menos atrasada do que pensávamos", disse.

Apesar do número ter caído vertiginosamente, Nana vai continuar a luta para zerar este percentual. "Tudo continua igual. A gente continua tendo o mesmo objetivo. A vítima não tem culpa. A gente vai mudar a cabeça desses 26%".


O Dia

Erro crasso

Ipea admite erro em pesquisa que apontou que maioria dos brasileiros apoiava ataques a mulheres

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) informou nesta sexta-feira que os dados da pesquisa na qual 65,1% dos entrevistados concordavam que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas" estavam errados. De acordo com o Ipea, a porcentagem correta é 26%.
"Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias", diz o Ipea em nota.

A repercussão da pesquisa foi tão intensa que até mesmo a presidente Dilma Rousseff pronunciou-se sobre o tema e demonstrou solidariedade à jornalista Nana Queiroz, uma das organizadoras do movimento "Eu não mereço ser estuprada", que se popularizou nas redes sociais nos últimos dias, após a divulgação da pesquisa do Ipea. O diretor de Estudos e Políticas Sociais do instituto, Rafael Guerreiro Osório, pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado, informa o órgão.

Outras perguntas também resultaram em erros

Apresentados à frase "O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros", 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não  concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença "Em briga de marido e mulher, não se mete a colher", 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.

O Ipea pede desculpa pelo erro

"Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres."


Nota do blog: já havíamos considerado estranho o índice apontado pelo Ipea, mas como foi amplamente divulgado em caráter oficial, aquiescemos. Pelo menos, serviu para mobilizar ainda mais a sociedade, especialmente as mulheres, contra esse absurdo e asqueroso crime que é o estupro.