2016/03/22

PMDB aborta ação de Lula e Renan pelo adiamento da reunião sobre rompimento

Vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer abortou no início da noite desta terça-feira uma articulação para adiar o encontro do diretório nacional sobre o rompimento do partido com o governo Dilma Rousseff. A reunião está marcada para a próxima terça-feira (29). Acionado por Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros, deflagrou um movimento a favor do adiamento para 12 de abril. Temer avisou que não haverá protelação.

O diretório nacional do PMDB foi convocado na semana passada, a pedido de 14 diretórios estaduais do partido. Pelo estatuto da legenda, bastava o apoio de nove Estados. Isso aconteceu depois que a convenção nacional da legenda, reunida em Brasília no dia 12 de março, decidiu por aclamação que o diretório analisaria a proposta de rompimento com o governo “em até 30 dias”.

Nesta terça, após ouvir apelos de Lula pela permanência do PMDB no bloco de apoio a Dilma, Renan saiu-se com a ideia do adiamento para 12 de abril, dia em que venceria o prazo de “até 30 dias'' fixado pela convenção. Ao farejar o cheiro de queimado, um grupo de cerca de três dezenas de deputados foi a Temer para exigir que a vontade da maioria do partido seja respeitada. Temer respondeu que, não havendo a concordância dos signatários da convocação, o encontro do diretório será mantido para a próxima terça, 29 de março.

Renan já havia seduzido para a tese do adiamento os líderes do PMDB no Senado e na Câmara, Eunício Oliveira e Leonardo Picciani, respectivamente. A pedido de Lula, aderiram também à articulação os sete ministros que representam o PMDB na Esplanada. Temer mandou avisar aos ministros que está descartada a hipótese de protelar a decisão sobre o rompimento. O aviso chegou quando os ministros estavam reunidos no gabinete de um deles, Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia.

“Eles estão apavorados, sabem que a maioria do PMDB deseja o rompimento. Por isso querem adiar a reunião do diretório, para ganhar tempo'', disse o deputado baiano Lúcio Vieira Lima, um dos peemedebistas que foram pedir a Temer que mantivesse a data. “Não aceitamos adiamentos'', prosseguiu Lúcio. “Alegam que o partido ficará dividido. Ora, o adiamento não fará desaparecer a divisão. O que interessa é o resultado. Não há mais espaço para recuos.''

Impedido de assumir o comando da Casa Civil da Presidência por uma liminar expedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, Lula move-se em Brasília como articulador político informal do governo. Sua prioridade é tentar impedir o desembarque do PMDB. O eventual rompimento é visto como uma espécie de senha para a aprovação do pedido de impeachment que corre na Câmara contra Dilma.

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