2016/01/07

PF investiga troca de mensagens entre ministro e ex-presidente da OAS

Relatório mostra diálogo do ministro da Comunicação Social com Léo Pinheiro.
Em uma das conversas, empreiteiro apresenta cronograma de doações.

Investigadores da Polícia Federal (PF) que atuam na Operação Lava Jato identificaram uma série de mensagens trocadas entre 2012 e 2014 pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro, um dos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Ao longo dois anos em que ocorreu a troca de mensagens, Edinho não era ministro do governo Dilma Rousseff. Na ocasião, ele era deputado estadual pelo PT de São Paulo e presidia o partido no estado.

O ex-dirigente da OAS já foi condenado pela Justiça Federal, em primeira instância, a 16 anos e quatro meses de prisão acusado de cometer os crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Ele chegou a ser preso pela Lava Jato em novembro de 2014, mas, atualmente, está recorrendo da condenação em liberdade.

O relatório da PF ao qual a GloboNews teve acesso com exclusividade mostra inclusive o empreiteiro apresentando ao ministro, em 2014, um cronograma de doações para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. À época, Edinho era o tesoureiro da campanha presidencial petista.

A doação é mencionada em quatro mensagens enviadas por Léo Pinheiro ao atual titular da
Comunicação Social em 8 de agosto de 2014. Na primeira mensagem sobre o assunto, o então presidente da OAS lista uma proposta de cronograma das doações, que seriam repassadas em três parcelas de R$ 5 milhões: em 15 de agosto, em 1º de setembro e 15 de setembro.
Em outro texto, Pinheiro questiona se também pode fazer as doações pela coligação encabeçada pelo PT na campanha presidencial. Edinho, entretanto, não responde às mensagens do empreiteiro sobre as doações.

Edinho é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga a doação de R$ 7,5 milhões da construtora UTC para a campanha presidencial do PT de 2014.

Em um dos depoimentos de seu acordo de delação premiada, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, disse que fez repasses milionários para a campanha de reeleição de Dilma Rousseff, da qual Edinho Silva foi tesoureiro.

Gravata

 Em uma mensagem interceptada pela Polícia Federal em 20 de junho de 2013, em que o autor não foi identificado, uma pessoa que provavelmente assessorava Léo Pinheiro na construtora lembra o empreiteiro sobre o aniversário de Edinho Silva. O mesmo remetente avisa que enviou uma gravata de presente para o petista em nome do empreiteiro.

Mais tarde no mesmo dia, Léo Pinheiro enviou uma curta mensagem ao então deputado estadual do PT parabenizando pelo aniversário.

À GloboNews, Edinho Silva disse que esteve algumas vezes com Léo Pinheiro para tratar de temas legislativos relacionados a sua função política e doações legais. Segundo o ministro, todas as doações para a campanha de Dilma foram efetuadas dentro da legalidade. Ele destacou ainda que as contas da presidente foram aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O ministro também admitiu ter recebido presentes de empresários enquanto era deputado, mas ressaltou que isso era comum entre os parlamentares. Edinho, porém, afirmou que isso nunca significou nenhuma contrapartida que significasse fatos ilícitos.

Eduardo Cunha

 Esta não é a primeira vez que Léo Pinheiro é flagrado por investigadores da Lava Jato trocando mensagens com políticos. Mensagens do empreiteiro com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reveladas pela Procuradoria Geral da República no pedido de afastamento do peemedebista do comando da casa legislativa indicam a negociação de medidas provisórias no Congresso Nacional.

Na página 112 do pedido de afastamento de Cunha, o procurador-geral Rodrigo Janot, chama de "relação espúria" as centenas de mensagens trocadas entre Léo Pinheiro e Cunha, apreendidas no celular do ex-presidente da OAS.

"A partir de tais mensagens, é possível verificar nitidamente o modus operandi do grupo criminoso. Projetos de lei de interesse das empreiteiras eram redigidos pelas próprias [empresas], que os elaboravam, por óbvio, em atenção aos seus interesses espúrios, muitas vezes após a 'consultoria' de Eduardo Cunha", escreveu Janot no documento encaminhado ao Supremo.

http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/01/pf-investiga-troca-de-mensagens-entre-ministro-e-ex-presidente-da-oas.html

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